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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

segredos do consumo

   Paco Underhill, antropólogo que há 25 anos estuda as pessoas enquanto fazem compras, revela factos interessantes em entrevista à revista Sábado.

   Acerca da crise financeira, diz que a recessão se reflecte no facto de as pessoas passarem mais tempo nos corredores, a analisar os produtos e os preços, abandonando a compra de muitos dos artigos escolhidos, motivo pelo qual as lojas se encontram mais desarrumadas.

   Numa altura em que comprar deixou de ser uma actividade lúdica, uma atenção especial deve ser dispensada às mulheres, afinal são elas quem mais consome. As mulheres da actualidade, mulheres de carreira e mulheres de família, têm horários apertados, precisam de entrar e sair muito mais rapidamente, por isso é preciso prestar atenção ao design dos carrinhos de compras, à maneira como são planeados os provadores, os espelhos e as próprias lojas.

   Também nas compras as diferenças de géneros se reflectem. Segundo o antropólogo, os homens compram como caçadores: querem encontrar o alvo e sair porta fora o mais depressa possível. Já as mulheres conseguem passar uma tarde inteira num shopping e regressar sem comprar nada, pois têm prazer só no acto de olhar. E o olhar parece ter uma influência crítica no processo de compra: olhamos em frente e virar a cara para o lado já implica esforço, por isso os expositores que se encontram ao fundo dos corredores são sempre os mais eficazes.

   Fundamental também é o toque. As pessoas têm necessidade de tocar em tudo, daí que manter os artigos dentro de embalagens e sacos, que muitas vezes são abertas pelos consumidores, pode prejudicar as vendas. A existência de exemplares de experimentação é a melhor solução.

   Curioso neste antropólogo é a sua ideia de que as zonas comerciais deveriam ter "estacionamento para maridos": locais onde estes se pudessem sentar a ler o jornal ou falar ao telemóvel, enquanto esperam pelas mulheres que andam às compras.

   Por fim, deixa-nos as 5 coisas mais odiadas pelos consumidores: mau atendimento no momento do pagamento, sujidade nas lojas, falhas de stock, lojas muito grandes onde se perdem e a falta de empregados ou empregados mal-educados.