Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Palavras de uma ex-romântica

  

   Se há época de romantismos, é esta que antecede o famoso dia de S. Valentim. Pessoalmente, não me lembro de alguma vez ter gostado deste dia ou sequer o ter comemorado ou sonhado com comemorações e prendas e surpresas românticas. Isto não invalida que eu não tenha sido, em tempos, uma menina dada a estas coisas do amor e de viver num mundo carregadinho de corações e I love you. Há uns anos atrás, e não são assim tantos quanto isso (podemos facilmente contá-los pelos dedos de uma mão...), eu derretia-me por ou com uma bela história de amor, ao jeito dos livros de Nicholas Sparks e adaptações dos mesmos ao cinema. Há uns anos atrás, quando já tinha este hábito de sublinhar passagens de livros que me agradavam, todas essas passagens eram do género lamecho-romântico. Há uns anos atrás, perdia-me com baladas de fazer chorar as pedras da calçada, que ouvia vezes e vezes sem conta num volume bem exagerado, enquanto sofria aquelas dores todas de amor que ali se cantavam. Há uns anos atrás, eu gostava de chamar nomes fofinhos ao meu namorado e de dizer "gosto muito de ti". Há uns anos atrás, cada "amo-te" era subir aos céus e voltar e facilmente criava ilusões sobre o futuro, que era sempre muito cor-de-rosa ou cheio de corações vermelhos e até, sim é mesmo verdade, peluches amorosos com corações nas mãos.

   E depois mudei.

   Ou fui mudando...

   Inevitavelmente, ponho-me a indagar sobre os motivos para tamanha mudança (acreditem que foi gigantesca) e não consigo chegar, sozinha, a uma explicação. Aqeuilo que mais rapidamente me vem à cabeça é a certeza de que hoje não preciso de provas de nada ou de pequenos gestos, materiais ou imateriais, que me mostrem o significado ou o tamanho dos sentimentos. Há determinadas coisas que hoje tomo como certas. Estou numa relação (já parece uma actualização de estado do facebook) há mais de 7 anos, relação essa em que, para mim, hoje, tudo é certo e seguro. Se há uma pessoa que está comigo há 7 anos, com todos os meus defeitos, o meu mau feitio e esta minha tendência para o não romantismo, só pode gostar muuuuiiittto de mim. Eu sei disso. Sem necessidade de palavras bonitas, de gestos românticos ou prendas inesquecíveis. Na verdade, eu dispenso tudo isso e valorizo o dia-a-dia normal e a forma completamente natural como conseguimos 8ou não) "encaixar" a outra pessoa nesse dia-a-dia.

   Sei que muitos não concordam comigo e que ainda mais seriam incapazes de viver com alguém como eu, but guess what? That´s me! Para o bem e para o mal, absolutamente racional, muitas vezes excessivamente fria e dura e completamente sem paciência para filmes ou livros românticos, músicas lamechas, bonitas histórias de amor e dias cheios de corações e I love you.

   Um dia vou perceber se é isto que me faz feliz.