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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Everybody needs somebody

   Hoje enquanto regressava a casa o meu rádio parou na November Rain, dos Guns N´Roses. Boa música e boa letra à parte, a dada altura canta-se "Don't ya think that you need somebody / Don't ya think that you need someone/Everybody needs somebody/You're not the only one" e dei por mim a pensar que isto se adapta perfeitamente à situação de uma das pessoas que hoje tive em consulta. Aliás, é o principal problema da pessoa em causa, e a resolução para todos os seus problemas ao mesmo tempo.

   A L. tem trinta e poucos anos e um filho de 5 anos. É venezuela e perdeu-se de amores por um português que a trouxe para o nosso país depois de um casamento aos 22 anos. A L. engravidou três vezes antes do M. nascer e de todas abortou. Quando estava grávida do M. descobriu que o marido a traia com uma miúda quase 10 anos mais nova. Quando finalmente o confrontou e pediu o divórcio, levou porrada da valente. Deixou-se ficar com o medo das represálias e ameaças daquele homem que a roubou à família, ao país e a uma vida feliz. Com um filho de 7 meses saiu de casa, lutou e trabalhou para dar ao filho o melhor do mundo, já que o pai descartou-se da maioria das responsabilidades. Foi enganada pelo marido e pela maioria das colegas que tinha. Iludiu-se com dois homens que lhe prometeram afecto quando só lhe queriam o corpo. A dada altura caiu em depressão profunda, levantou-se mais uma vez e luta todos os dias.

   A L. não é feliz. Porque a L. está sozinha no mundo e ninguém é feliz sozinho. Então e o filho? É sobretudo a sua razão de viver e aquilo que lhe dá forças para continuar. Mas não chega. A L. precisa de mais, daquilo que só a outra pessoa nos pode dar e que a L. não pode sequer ir buscar à família, que está há anos a milhares de quilómetros de distância...a L. precisa de alguém. É isso ou a sua felicidade.