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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Há dias assim...

  

Foi uma semana estupidamente extenuante, que finalmente termina. Foram horas e horas de trabalho, muitas horas mesmo, muito para além do meu horário de trabalho, que me obrigaram a um esforço diária e permanente de motivação para continuar.

   Antes que me atirem pedras, tenho de dizer que não me importo nada de trabalhar para além do meu horário. Aliás, estou mais que habituada a fazê-lo e até várias vezes por semana...o que me custa é fazê-lo recorrentemente, diariamente, ao ponto de chegar a casa mais de 12h depois de ter saído, quando a culpa nem é do trânsito, porque muitas vezes demoro menos de 30 minutos a fazer a viagem de regresso. Fisicamente, lido bem com este excesso de trabalho. O meu problema é mesmo o cansaço intelectual, emocional e psicológico, que é em muito agravado pelo facto de o excesso de trabalho me obrigar a anular a minha vida pessoal e o tempo de que disponho para mim e para as minhas coisas. Tendo uma profissão que, já por si, é emocionalmente e psicológicamente exigente e desgastante, por mais contraditório que isso pareça, há alturas em que este cansaço é tanto que a motivação para continuar desce abaixo de zero e é muito, muito difícil deitar-me na cama à noite a pensar em tudo o que foi mais um dia. Podem-me dar 1001 tarefas para um dia só que eu vou cumpri-las todas e bem. Mas não anulem a minha vida. Para continuar eu preciso do meu tempo, do meu carregador de baterias, que para mim não é uma semana de férias ou um fim-de-semana. Bastam-me coisas tão simples como chegar a casa e poder sentar-me a navegar pelos blogs mais fúteis; poder sentar-me a ler um livro durante 1 hora; poder escolher um filme para ver; poder perder duas horas a arrumar o meu roupeiro; poder esgotar o corpo no ginásio (aliás, absolutamente fundamental isto!); poder calçar umas sapatilhas e ir fazer uma caminhada; poder aproveitar os finais de dia de Primavera e Verão; poder ir passear para um shopping ou poder simplesmente não fazer nada porque tenho o meu tempo para isso. Porque é só disto que eu preciso para continuar cheia de energia dia após dia: do meu tempo.

   Depois de uma semana de loucos e de me sentir completamente arrasada cá por dentro (para isso é que servem as sextas-feiras), seguem-se tempos pouco promissores em termos do meu bem-estar. Novo projecto na instituição a arrancar em Março e que me vai obrigar a trabalhar mais de 12h por dia (ainda que não diariamente), fins-de-semana e feriados incluídos (ainda que não todos)...um projecto interessante, sem dúvida, mas que será terrivelmente cansativo para todos os participantes, já que todos irão trabalhar mais de 12h por dia, com a agravante de eu ser uma das responsáveis pelo mesmo e, portanto, e como nos foi repetidamente dito esta semana "se algo falhar, a responsabilidade é toda e apenas vossa"...não que a responsabilidade me assuste, simplesmente todos nós, responsáveis, chegamos ao dia de hoje com uma certeza assustadora: "isto é impraticável com as condições que temos actualmente".

   É tudo isto, juntamente com tudo o resto, que me faz escrever...e muito mais haveria para partilhar, se eu não estivesse com uma tremenda dor de cabeça e muito, muito sono.

   Entretanto, bom fim-de-semana. Segunda-feira estarei, com certeza cheia de energia e na próxima sexta-feira novamente exausta e de muito pior humor, pois sábado será dia de trabalho.