Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Os lares de 3ª idade

   Ontem vi a reportagem da tvi sobre os lares de terceira idade ilegais. Acho importante mostrarem esta realidade, embora julgo que a mesma seja do conhecimento de todos. O que menos me agradou na globalidade da reportagem foi a ideia que passaram de que a institucionalização de idosos é algo negativo. Especialmente aqueles últimos dois ou três testemunhos de idosos escolhidos a dedo foram deveras deprimentes e excessivamente generalistas. Claro que se perguntam aos idosos que vivem naqueles lares ilegais onde são maltratados e onde lhes falta muita coisa, mas principalmente afecto, con certeza que os discursos serão deprimentes e negativistas. Mas tal não corresponde totalmente à realidade. Há muitos idosos que gostam realmente de viver em lares, que preferem aquela famíla adoptiva à solidão de uma casa fria, que percebem aquela decisão não como um abandono por parte dos filhos mas antes como algo que faz parte da vida e que não é negativo ou mau.

   Há lares em Portugal que são muito bons e onde os idosos são muito bem tratados, onde existe essa sensação de segunda família. E não estou a falar de lares com mensalidades exorbitantes (embora qualquer lar hoje em dia tenha mensalidades exorbitantes). Quanto aos lares ilegais, todos sabemos que existem e continuarão a existir. Não sei se a falha é só da Segurança Social, que dita os encerramentos e não os confirma a longo-prazo. Acredito que as famílias também falham em todo o processo. Em primeiro lugar, porque colocam os seus idosos em lares que sabem que são ilegais (e é relativamente fácil sabê-lo) e que, ainda por cima, os sujeitam a uma espécie de abandono acompanhado, não supervisionando a adaptação e as rotinas dos idosos naquele lar. Uma família atenta e interessada consegue perceber os sinais de uma negligência ou maus tratos, não só pelo comportamento do idoso, mas também pelas regras e dinâmicas da própria instituição e dos seus responsáveis.

    É, de facto, importante que nos mostrem esta realidade, de forma a que mais e mais pessoas estejam atentas e se interessem por estes assuntos, mas o que eu quero mesmo reforçar aqui é o papel fundamental da família e sobretudo sublinhar que a institucionalização de idosos não é um prenúncio de morte, um abandono ou um sinal de desinteresse das famílias. Como em tudo na vida, cada caso é um caso, e, por isso, há decisões correctas e erradas para cada caso. Mas que há lares bons , lá isso há. E que há idosos felizes em lares, disso não tenho qualquer dúvida.  

1 comentário

Comentar post