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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Por favor, não abram o jornal!

 

   Ontem apeteceu-me fazer algumas actividades de grupo com os idosos de um dos nossos centros de dia. Nada programado, deixei a inspiração correr e lá fomos passando um tempinho agradável. A dada altura lembrei-me: vamos conversar sobre as notícias do jornal de hoje? Actividade básica mas bastante importante para os manter actualizados e orientados no tempo. Lá comecei, três ou quatro páginas de habemos papa, então o que acham, sabem como se vai chamar, quantos anos tem, o que acham, etc e tal. Seguiu-se o desastre azul e branco do FCP no jogo do dia anterior e as expectativas de que o SLB perdesse nessa noite (o que não se concretizou)...tudo muito animado, tudo a participar...a partir daqui foi o descalabro. Nas seis ou sete páginas seguintes apenas constavam as palavras "matou", "degolou", "esfaqueou", "agrediu", "roubou"...o risco de gerar ali um grupo de idosos completamente depressivo era enorme e resolvi parar, já muito arrependida de me ter lembrado de ler as notícias.

   Dei por mim a pensar se é disto que um país depressivo e negativista como Portugal actualmente é precisa...pelo que pude perceber, não exisia uma única notícia positiva naquelas páginas. Nos telejornais, que eu cada vez tenho menos vontade de ver, a ementa repete-se. Até nos programas da tarde todas as histórias que nos apresentam são de tristeza e desgraça. É como se esta coisa do mau e muito maus estivesse enraizada em nós. Só vemos as coisas más, parece que as procuramos, que gostamos do "coitadinho" e raramente valorizamos ou fazemos notícias do que é bom, nacional ou de fora. A única vontade que dá é de não abrir os jornais, não ligar a televisão, não ouvir rádio...é só desgraça que nos invade os sentidos.