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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Demasiadas lições de vida

   Não sei o que se passa na sociedade portuguesa mas, ultimamente, multiplicam-se os testemunhos de pessoas ditas "famosas/conhecidas" da nossa praça sobre momentos mais ou menos sérios por que passaram tentando, desta forma, passar grandes lições de vida. Assim de repente lembro-me que há dias levamos com o Gianni (e que bem que nos soube ver tal imagem nas televisões portuguesas) em tudo quanto era canal televisivo a falar da sua luta contra o cancro, hoje há hora de jantar tivemos um qualquer senhor que terá tido um grave acidente ao qual fez o que não era suposto, ou seja sobreviveu e ainda escreveu um livro (que novidade!) a discursar num canal, enquanto a concorrência nos dava a conhecer uma Sara Norte muito arrependida e renascida das cinzas, cheia de boas intenções e lições para dar.

   Pessoalmente, nada contra. O que me parece é que esta necessidade de mostrar que "eu estive lá em baixo, dei a volta e hoje sou feliz, tu também consegues" começa a virar tendência e das que cansam. Se calhar sou só eu e o meu mau feitio que não temos paciência para tanto "vou-te mostrar como conseguir um final feliz" e que achamos que já chega desse discurso de só aprender a dar valor À vida, em toda a sua totalidade, quando se passa por alguma experiência que nos coloca a possibilidade de tudo isto acabar. Acredito que quando ultrapassamos uma situação complicada até poderemos aprender a valorizar mais determinadas coisas, situações ou pessoas, mas acho estranho que tanta gente só se aperceba que a vida e isto de viver e andar por cá é a maior das bençãos e o maior dos milagres que alguma vez nos poderiam conceder. Antes da doença, da perda, da asneira da grossa, do dilúvio, da dor, da perda...isto, viver e respirar e poder fazer o que realmente nos apetece, não tem preço e não vem nos livros. Nunca nenhum livro, por mais inspirado e inspirador que seja, nos vai ensinar a viver mais, ou melhor, ou de forma mais intensa e plena. Isso está cá dentro, connosco, desde o dia 0 neste mundo. Todos vimos preparados com o chip do "viver intensamente esta vida, porque ela é tudo o que temos", acontece que alguns de nós se perdem pelo caminho e se esquecem disto e do que é viver, até ao dia em que vêem a vida fugir-lhes por entre os dedos. E é quando a conseguem agarrar de novo que sentem esta necessidade de gritar ao mundo "eu estou vivo. Obrigada!"

   Porque não agradecer todos os dias?

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