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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Das coisas que me irritam

   São várias, mas hoje o que aqui me traz é uma coisa chamada "emergência alimentar" ou "cantina social".

   A nossa instituição está incluida neste programa de emergência alimentar, que basicamente consiste em proporcionar refeições a famílias carenciadas a um custo minímo, que muitas vezes é de zero cêntimos, 25 cêntimos, 50 cêntimos, um euro e poucas vezes mais do que isso, recebendo a instituição uma comparticipação da Segurança Social para ajudar a cobrir as despesas com a confeção das ditas refeições.

   Atualmente, prestamos este tipo de apoio a centenas de famílias do grande porto e o número continua a crescer. Como podem calcular, chegam-nos pessoas que já foram de todos os estratos sociais mas que hoje vivem nos limiares da probreza, muitas vezes envergonhada ao ponto de não quererem ser vistos a recolher as suas refeições num dos nossos centros, pedindo para marcarmos pontos de encontro em locais onde não serão reconhecidas. Um pequeno retrato do país que temos...mas não é isto que hoje me interessa.

   Claro que no meio de muita boa gente desesperada há aqueles que não poderemos chamar de nada mais do que "pobres e mal agradecidos". Estes senhores e senhoras são aqueles que recebem o nosso apoio, a maior parte totalmente gratuito, e que diariamente reclamam da qualidade e quantidade da comida. Mas ainda há mais! Aos fins-de-semana e feriados, como muitos dos nossos centros estão fechados, nós, instituição, entregamos as refeições nas casas das famílias, tal e qual como fazemos com os nossos utentes de apoio domiciliário. Pois estas criaturas (desculpem, mas merecem) conseguem reclamar semanalmente da hora a que as refeições são entregues! Minha gente, vocês comem de graça (ou quase), comem exatamente a mesma comida que todos os nossos utentes "normais" comem e pela qual pagam um preço bastante superior, têm direito exatamente às mesmas quantidades (que chegam a ser ridiculamente exageradas), aos fins-de-semana e feriados nem sequer precisam de se deslocar para receberem uma refeição completa e mesmo assim conseguem ter coragem de reclamar por tudo e por nada!!! Saberão por acaso que, por vocês estarem a ser ajudados por este programa estão outras pessoas em lista de espera e quem sabe a passar fome?

   Felizmente eu não mando neste país e nestas coisas, caso contrário, era uma queixinha destas e eram imediatamente excluidos do programa, acompanhados por aqueles que recebem o RSI e o gastam nos pequenos almoços no café e nas unhas de gel...mas isso contas para outro rosário.

   Há gente que realmente não merece ser ajudada. E o que me parece é que essa gente não precisa de ser ajudada. Nunca deve sequer ter sentido verdadeiras necessidades, caso contrário até um pão lhes saberia a caviar, quanto mais dois pães, sopa, refeição e fruta...

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