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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Das coisas que me irritam

 

   Há, realmente, por aí muito boa gente que simplesmente não quer trabalhar, apesar de se continuar a lamentar dos estrondosos números de desemprego nacional e de não se parar de falar dos milhares de desempregados que, coitadinhos, não arranjam trabalho nem a varrer ruas. Mas as coisas não são bem assim, pelo menos para alguns portugueses não são. Senão vejamos: depois de um longo período de redução de pessoal na nossa instituição para o realmente necessário (era mesmo demasiados colaboradores!), passamos agora por uma fase de contratação de novos colaboradores, de forma a compensar uma tremenda falta de pessoal causada por uma epidemia de baixas prolongadas (ainda hei-de conhecer médicos que passam este tipo de baixas!). Esta contratação é sobretudo de ajudantes de acção direta, ou seja, as ditas "domiciliárias", já que o serviço aperta e muito no que a apoio domiciliário diz respeito. Temos tido algumas contratações bem sucedidas, outras nem tanto e que continuam meias tremidas e depois temos aquelas contratações de pessoas super motivadas para trabalhar porque precisam mesmo muito de trabalhar e estão cheias de experiência na área e que ao fim de um dia ou uma semana se despedem porque "é trabalho a mais", "é um trabalho muito duro" ou simplesmente, "não me adaptei".

   O que pensar destes argumentos?

   É muito trabalho? Realmente para quem não gosta de trabalhar é muito trabalho, muito trabalho mesmo. Mas vejam lá a sorte: é trabalho! Pago! Sem falhas! Parece que não chega...

   É um trabalho duro? É sim senhora. Extremamente compensador, totalmente de louvar, de dar cabo das melhores costas, mas sim, é um trabalho muito duro. Mas vejam lá a sorte: é trabalho! Pago! Sem falhas! Parece que ainda não chega...

   Não se adaptaram (o meu argumento favorito, já que foi usado pela senhora que se despediu a meio do 2º dia de trabalho)? Ora bem, o período de adaptação seja a que for é variável de pessoa para pessoa, mas nunca ouvi dizer que 24h chegassem para nos sentrimos adaptados seja ao que for. É preciso dar tempo, minha gente! Dar oportunidade. Conhecer. Sentir receios, dificuldades, muitas dores de barriga para finalmente nos sentirmos um bocadinho inseridas numa nova situação. Ora um dia não chega para isto. Já para outras coisas é mais que suficiente...

   Até poderei estar a ser injusta, mas não consigo tolerar um país onde tanto gostam de se fazer de desgraçadinhos, onde tanto gostam de manifestações contra o desemprego, onde tanto gostam de apontar o dedo e culpar terceiros e que depois, quando chega a oportunidade, procura as desculpas mais esfarrapadas para evitar dizer que ordenado ao fim do mês sim, mas sem me matar muito, se fazem o favor. É que isto de trabalhar, cansa. E alguns não se conseguem adaptar...