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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Os velhinhos...(provavelmente, o melhor testemunho brutal da velhice)

«Como faria falta ferrarmos toda a gente e vingarmo-nos do mundo por manter as primaveras e a subitamente estúpida variedade das espécies e as manifestações do mar e a expectativa do calor e a extensão dos campos e as putas das flores e das arvorezinhas cheias de passarinhos cantantes aos quais deviamos torcer o pescoço para nunca mais interferirem com as nossas feridas profundas. Que se fodam. Que se fodam os discursos de falsa preocupação dessa gente que sorri diante de nós mas que pensa que é assim mesmo, afinal estamos velhos e temos de morrer, um primeiro e o outro depois e está tudo muito bem. Sorriem, umas palmadinhas nas costas, devagar que é velhinho, e depois vão-se embora para casa a esquecerem as coisas mais aborrecidas dos dias. Onde ficamos nós, os velhinhos, uma gelatina de carne a amargar como para lá dos prazos. Que ódio tão profundo nos nasce. Como incrivelmente nos nasce alguma coisa num tempo que já supúnhamos tão estéril.»

"A máquina de fazer espanhóis", Valter Hugo Mãe