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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Histórias com gente dentro

   Conheci hoje a primeira mulher cujo marido está preso por violência doméstica. Não sei descrever de forma fiel a confusão de sentimentos que vai cá dentro por lidar directamente, mais uma vez, com uma realidade humana vergonhosa e causadora de um sofrimento indescritível. A vítima em causa, que hoje tem 64 anos e não está já capaz de perceber a gravidade da sua história de vida (provavelmente devido a essa mesma história e tudo o que dela resultou, incluindo internamentos, medicação e comportamentos de risco que tentavam sobretudo ser uma escapatória) conheceu um homem que não lhe deu outra vida que não a da pancada e que só foi preso quando atirou com a esposa para o hospital, no qual esteve internada e a fazer fisioterapia de recuperação durante meses. 

   Nós sabemos que estas coisas acontecem, mas quando elas nos aparecem à frente não há forma de ficarmos indiferentes e encararmos isto como "mais um caso". E apesar de esta vítima estar hoje num estado mental e cognitivo que se calhar torna todo este fardo um pouquinho mais leve, a sua história e a sua dor, que os olhos já não transparecem mas que as palavras denunciam, vêm connosco para casa. E pesam. Porque magoam. Porque a maldade do ser humano magoa sempre. Sempre.