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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

"All I wanna say is that They don`t really care about us..."

   Não percebo muito bem esse velho hábito de homenagear os grandes feitos e/ou os grandes heróis apenas e só depois de mortos. Enquanto vivas, as ditas "estrelas" (as verdadeiras, que brilham por valor próprio) enchem páginas de revistas e jornais pelos piores motivos. Gerar polémica é o objectivo-mor. Valorizar o trabalho individual? Uma ou duas páginas de longe a longe, nada de mais, não vá o artista habituar-se a tanto mimo e desmazelar-se no seu trabalho ou ver o ego aumentar para dimensões fora do real. E as homenagens, os tributos, a valorização, ficam para o post mortem, quando o homenageado não está mais presente para ver, para sentir, para agradecer, para se orgulhar, merecedoramente, do seu trabalho. Mas assim que morre torna-se o melhor do mundo, um ser único e impossível de igualar.

   Tudo isto acontece sempre que alguém "importante" morre. Tudo isto está a acontecer com a morte de Michael Jackson. Aqueles que lhe infernizavam a vida, hoje dedicam-lhe edições completas de revistas e jornais. As rádios que o ignoravam quase totalmente passam as suas músicas incessantemente, repetindo que "nunca se fez nada assim". As televisões oferecem documentários comprados e atirados para o fundo da prateleira, porque "o Jackson já era" e agora que ele se foi mesmo são noites consecutivas com reportagens e mais reportagens. Os canais de música passam os seus video clips durante dias seguidos. As lojas põe os seus dvd`s ou cd`s a tocar e todos param para ver ou ouvir o Rei da Pop. Até as revistas de moda relembram o seu estilo muito particular, os seus chapéus, os seus sapatos, a sua imagem. As vendas de tudo o que esteja associado ao seu nome disparam a 210% (dados oficiais)...não tarda muito choveram livros sobre a vida (e a morte) de Michael Jackson e inúmeros artistas se reunirão em um qualquer palco para o homenagear com aquilo que deu sentido à sua vida: a música e a dança. Não será de estranhar até a produção de um filme em torno de tudo o que este homem com voz e espírito de menino representava. Inegavelmente, Michael Jackson irá "renascer das cinzas" e a sua morte irá projectá-lo para onde ele nunca conseguiu chegar em vida, graças a tantas polémicas, histórias e momentos bizarros.

   É o espírito do "só dar valor depois de perder" levado ao extremo. É o rídiculo da valorização do corpo ausente, tantas vezes ignorado enquanto presente. Até quando?