Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O olhar de uma psi sobre o Robocop

 

   Robocop não é, de todo, o tipo de filme que eu escolheria para ver, mas as tardes de Domingo em casa têm destas coisas e curiosamente tenho de admitir que achei o filme interessante. Não pela parte do enredo ou do tipo de filme em si, mas pela "filosofia" que lhe está subjacente: num futuro próximo (2019 é já ali ao lado) as máquinas substituirão o homem em larga massa, até aqui nada de novo; mas e se essas máquinas não fossem completamente máquinas, mas sim robôs com cabeça, cérebro, coração e pulmões de gente que, se não fosse "robotizada" acabaria por morrer? Mais que isso, e se nos tornassemos em robôs humanos, com uma carapaça de aço e emoções de gente? E se alguém, ainda completamente humano, fosse capaz de nos comandar, ao ponto de controlar o tipo e quantidade de neurotransmissores que se passeiam pelo nosso cérebro, transformando-nos em mais ou menos máquinas ou mais ou menos humanos? Quanto sofrimento evitariamos, quanta coisa boa perderiamos, quantas memórias não iriam ser construidas? Quantas lágrimas ficariam por chorar e quantos sorrisos não iluminariam vidas? Se perdessemos o livre-arbítrio e esta nossa natureza imprevisível e inexplicável, mas naturalmente humana, será que nos continuariamos a chamar gente e a chamar de vida esta coisa assustadora mas magnífica que é andar por cá?

O outro lado da princesa do povo

 

   A Princesa Diana é, provavelmente, uma das maiores figuras da história moderna. Eu não me recordo particularmente da vida dela, até porque nunca me interessaram muito estas histórias de princesas e palácios, mas todos nós julgamos saber de trás para a frente a história de amor infeliz com o Príncipe Carlos (nunca percebi o que uma mulher tão bonita viu nele, para além do facto de ser príncipe e de, para algumas, isso poder significar muito), da Camila e de como todo o mundo parecia venerar esta mulher, a Princesa do Povo, como lhe chamavam, que era tão boa pessoa... como disse, nunca tive opinião formada sobre ela, mas sempre a achei com ar de "sonsa" e com um discurso demasiado "coitadinha" para alguém tão adorado e, aparentemente, cheia de coragem e boas intenções. Era só uma impressãozita que me ficava sempre que a via na televisão ou em revistas...

   O filme "Diana" oferece-nos uma perspectiva da pessoa que a Diana era um pouco diferente da que habitualmente nos têm vendido. Primeiro dá-nos a conhecer uma história de amor por um médico que eu desconhecia completamente e desmistifica completamente o suposto romance com Dody. Mas acima de tudo mostra-nos uma Diana sedutora, manipuladora até, com extrema necessidade de atenção, que implorava amor, que chegava a alertar os fotografos sobre os locais onde se encontrava e com muita dificuldade em deixar de viver (e de ser) como uma princesa.

   Uma perspectiva, cuja fundamentação real não conheço bem, mas que me pareceu muito curiosa e interessante.

"Her" e a solidão

 

   Solidão. É disto que fala este filme. É isto que é este filme.

   Numa época em que vivemos cada vez mais conectados virtualmente mas totalmente desconectados das relações humanas reais, este é um filme que, passado num futuro ainda mais virtual que o nosso presente (está visto que isto tem tendência para piorar), nos mostra que o ser humano vai sempre procurar incansavelmente estabelecer relações com alguém, chegando mesmo a contentar-se com relações virtuais, não-humanas diria mesmo. Relações sem corpo, sem toque, sem cheiro, sem olhos nos olhos, mas com uma voz que nos diz tudo aquilo que nós queremos (ou precisamos de) ouvir. Neste mundo completamente virtual que é o filme e para o qual caminhamos a passos largos e assustadores, perdeu-se a capacidade de estar com o outro real. Tudo está à distância de um chamamento dirigido a uma máquina, o mundo parece uma realidade fácil e as relações assumem uma nova dimensão de "operating system". Relamente, tudo parece fácil. Mas a solidão é tanta, que chega a doer pensar que um dia nós, que hoje somos espectadores, podemos ser as personagens principais de uma realidade que facilmente deixa de ser real de tão virtual que é.

   Solidão. É isso que está neste filme.

   E é isto que vai estar nestas vidas quando deixarmos de abraçar as pessoas para passarmos a abraçar vozes.

 

Nota final: ainda assim, tenho de dizer que este filme não me encheu as medidas...

Looking for connections

   Está na essência do ser humano esta busca constante por ligações... O ser humano precisa de se sentir e de se saber ligado a algo ou, principalmente, a alguém. Precisa, acima de tudo, de saber que existe alguém, ainda que não sempre presente, que estará sempre lá. 
   No mundo actual as relações são cada vez mais frias e distantes. Vivemos numa sociedade em que tudo está à distância de um click, incluindo as relações. É por isso normal para algumas pessoas que esta busca por ligações/relações seja também ela virtual e se sintam confortáveis com tal. A imensidão de redes sociais que hoje existem ajudam em muito nisto, ou serão mesmo as responsáveis. Tudo se tornou artificial e o homem está de tal forma corrompido por estas visões da modernidade que já se acomodou a relações virtuais. Se antes não passava sem estar com os amigos, hoje não passa sem lhes cuscar o perfil no Facebook. Se antes sentia necessidade de ligar a alguém para lhe contar istou ou aquilo, hoje tudo se resolve em 150 caracteres ou menos. Se antes chorava no ombro de um amigo, hoje os ombros são frases escritas num ecrã de computador partilhadas em grupos de ajuda online...and so on and so on...resumindo, se antes estavamos cá uns para os outros, hoje estamos online/offline. E isto parece que nos basta, embora esteja totalmente errado e seja completamente não-humano. 
   Tudo era bem mais simples e verdadeiro e intenso e sincero (e humano) quando as pessoas sabiam estar umas com as outras e as redes sociais não nos facilitavam a socialização. De repente, desaprendemos a estar com alguém real e passamos a perder horas em frente a ecrãs que nos mostram apenas aquilo que alguém quer mostrar e nunca a realidade. Se perdemos a nossa essência? Talvez. Não perdemos a essência da busca por ligações; não perdemos a necessidade de aceitação social, a necessidade do contacto social, a necessidade de ter um outro para além de nós. Simplesmente deixamos de saber procurar o outro de carne e osso e de saber estar em relações "à moda antiga", que era a verdadeira e única forma de se fazerem estas coisas de estabelecer relações entre pessoas tão diferentes mas que se precisam tanto. Afinal, já dizia o livro, ninguém morre sozinho. Mas as relações dos tempos modernos são cada vez mais solitárias...
 Quanto ao filme, vale a mesmo a pena. Uma agradável surpresa e um abanão nesta história da procura de ligações, virtuais ou não, o do que daí pode resultar. 

"Before Midnight"

   Finalmente consegui ver este filme. Já por cá disse que sou completamente apaixonada por estes dois e "Before Sunset" é, de loooonge, o meu filme favorito de todos os tempos. Nunca vi mais nenhum filme com diálogos tão ricos, que surgissem de forma tão espontânea e natural como acontece neste filme, que não precisa de mais nada para além destas duas personagens para encher o ecrã e os nossos corações. Por isso mesmo, estava ansiosa para ver este filme e perceber o que aconteceu a estes dois.
   Para começar tenho já de dizer que me desiludiu o facto de existirem filhos...que querem, é esta minha veia anti maternidade que pensa que todos os casais dão felizes a dois. Fiquei logo com um pé atrás...hum...ele tem um filho da ex que deixou para ficar com o grande amor da sua vida (outra coisa não seria possível), com quem teve gémeas...hum...mas felizmente o filme coloca pouco ênfase na canalha, o que bastou para quase me esquecer que existiam crianças no meio. Depois achei completamente desnecessários aqueles diálogos dos e com os amigos. Não trazem nada de importante para a história do casal, que é o que realmente nos interessa no filme. E, tal como disse anteriormente, os dois bastam-se, os dois sós, e mais as suas conversas, são mais que suficientes para fazer um filme inesquecível.
   Outra surpresa: ela está completamente impossível de aturar. Mesquinha, despropositada, inconveniente, mázinha q.b. para o pobre rapaz que se transformou em homem. Assustador pensar que há tanto de nós, mulheres apaixonadas, naquela personagem. E ele está como sempre foi, completamente rendido a ela, capaz de tolerar todas as suas birras e ainda brincar com a situação, cheio de amor pela pessoa cheia de defeitos que ela é, pleno retrato de todos os homens que amam as suas mulheres incondicionalmente, que é a única forma de amor mas a mais difícil de encontrar.
   E lá estão eles os dois, com os seus mundos completamente diferentes, um racional outro emocional, mas perfeitamente encaixados nas particularidades de cada um.
   Não posso dizer que gostei mais deste filme que dos anteriores, especialmente do penúltimo, que acho impossível de superar, mas gostei de rever este casal, até porque poucos "casais" encaixam tão bem, enquanto personagens, quanto estes dois o fazem.

 

 

Os óscares

É a altura perfeita para falarmos dos óscares, mais propriamente dos nomeados para melhor filme. Este ano consegui ver todos os nomeados antes da cerimónio e por isso, posso escolher os meus favoritos. Comecemos então:

   Lincoln - para mim, a grande desilusão. Estamos a falar de Spielberg e isso basta para esperarmos um grande filme. Eu achei-o apenas uma grande seca. Demasiado politico, demasiado parado...Já Daniel Day Lewis está fabuloso no papel principal e por isso a estatueta de melhor actor poderia muito bem ir para ele.

   Guia para um final feliz - mais uma desilusão. Para mim, não passa de uma comédia romântica com um final completamente previsível desde o início. Não lhe percebo a nomeação para melhor filme, nem aplaudo os seus actores principais como favoritos.

   00.30, A Hora Negra - gostei deste filme, embora perceba que não é o típico filme que venceria o óscar. E uma salva de palmas para a actriz principal.

   Os Miseráveis - tinha tudo para ser aquele filme que nos faz chorar baba e ranho, mas o facto de ser totalmente cantado tornou-o muito difícil de ver para mim. E eu até aprecio musicais, mas este torna-se maçador de tão grande que é. Uma boa produção, sem dúvida, que bons cantores nos mostra, mas not my kind.

   Bestas do Sul Selvagem - gostei deste filme, mas do que eu gostei mesmo foi do desempenho da pequena grande actriz principal, que merecia, de longe, a estatueta para melhor actriz. 9 anos? Really? 

   Django - o nosso amigo Tarantino...gostei do filme, é um facto. Grandes actores, outro facto. Mas depois há a questão Tarantino que a determinada altura torna aquilo um bocadinho irreal demais a roçar o fantasioso e é aí que, para mim, o filme perde, e para os Tarantino aholics o filme ganha.

   Argo - ganhou os prémios de cinema até agora e de forma bem justa. Para mim, o melhor filme da lista e um Ben Affleck que está cada vez mellhor actor. Num frente a frente como Lincoln, esta história prende muito msis ao ecrã.

   A vida de Pi- vejam o filme apenas pelo início...que belas imagens!! Não me parece  suficiente para óscar, mas ainda assim argumento interessante e um Richard Parker muito fofo.

   Amour - mais uma vez, não vejo que possa ser o típico filme de öscar, mas que é um grande filme, não há dúvidas. Assustadoramente real e puro, desempenhos magníficos e uma história que facilmente sai da tela para a vida real. Um dos melhores dos eleitos. 

 

   Agora é aguardar.

A caminhada para os óscares

 

 Estes estão vistos. Devo dizer que o Lincoln e o Guia para um final feliz foram duas desilusões para mim, especialmente este último. Demasiado banal, demasiado sem momentos de cortar a respiração, sem nada que fique quando o filme termina, final esse que é totalmente previsível.

   Dois grandes favoritos para já: Argo e Zero Dark Thirty.

Dos bons filmes: «The Impossible»

   Baseado em factos verídicos, este filme retrata a história de uma família apanhada por aquela que foi uma das maiores catástrofes naturais do nosso tempo e do impacto que isso teve nas suas vidas.
   Sempre que vejo imagens do tsunami penso nos milagres que foram necessários para que aquelas pessoas conseguissem sobreviver a tamanha onda de destruição. Este filme tem algumas imagens perturbadoras que nos deixam ainda mais impressionados e crentes nos milagres que aí aconteceram. E milagre maior talvez seja aquele que permitiu que algumas famílias se reencontrassem no meio de tanta destruição e dor. E é uma dor que nunca se irá curar que vemos nos rostos daqueles que perderam alguém num sítio que era suposto ser paradisíaco e repleto de boas recordações e não de destruição.
   Talvez por saber que este filme não é ficção e que toda aquela dor e sofrimento existiram mesmo. Talvez porque a realidade foi exactamente como a ficção...é um filme que vale mesmo a pena ver. Quanto mais não seja para nos fazer acreditar que vale sempre a pena acreditar e que não somos nada, absolutamente nada, perante esse monstro que é a vida.

O globo de Argo

   

Há muito tempo que um filme não me punha tão nervosa como os 15 minutos finais deste. 

   Não conheço toda a concorrência, mas o globo de ouro fica-lhe bem, pelo menos comparado com o Lincoln, que me desiludiu bastante. 

   E o Ben Affleck está cada vez melhor nestes papéis de homem tristonho e revoltado com a vida.