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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Da vida

"Nesta vida, nada que valha a pena é fácil, Daniel. Quando era novo, acreditava que para navegar no mundo bastava aprender a fazer bem três coisas. Uma: apertar os atacadores dos sapatos. Duas: despir conscienciosamente uma mulher. E três: ler para saborear todos os dias algumas páginas compostas com inteligência e destreza. Parecia-me que um homem que pisa firme, sabe acariciar e sabe escutar a música das palavras vive mais e, sobretudo, vive melhor. Mas os anos ensinaram-me que isso não basta e que por vezes a vida nos oferece a oportunidade de aspirar a ser qualquer coisa mais do que um bípede que come, escreta e ocupa espaço temporal no planeta. E hoje o destino, na sua infinita inconsciência, quis oferecer-lhe a si essa oportunidade. " #CarlosRuizZafon, O Labirinto dos Espíritos

Segunda oportunidade...

"- Meu amigo - disse por fim - não perca a esperança. Se alguma coisa aprendi neste mundo cão é que o destino está sempre ao virar da esquina. Como se fosse um larápio, uma puta ou um cauteleiro, as três encarnações mais frequentes. E se algum dia decidir ir procurá-lo, porque o que o destino não faz é visitas ao domicílio, vera como ele lhe concede uma segunda oportunidade. " #CarlosRuizZafón, Labirinto dos Espíritos

Em frente, até ao fim do mundo

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"Sentes o peso do tempo como um velho sonho ambíguo. Continuas sempre em movimento, tentando arranjar maneira de te esquivares. Porém, mesmo que vás até aos confins do mundo não lograrás escapar-lhe. Mesmo assim, não tens outro remédio senão seguir em frente, até esse fim do mundo. Há algo que não se consegue fazer, sem lá chegar. " (Haruki Murakami, "Kafka à beira mar")

Juntamo-nos

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Juntamo-nos porque há a simpatia inicial, depois o enamoramento, mas também para que olhem por nós, nos tragam um chá ou um cobertor. Sabe bem haver quem se preocupe connosco, nos toque no braço, nos cabelos e nas mãos. Juntamo-nos porque é o que se faz há milhares de anos e o que se espera que façamos. Juntamo-nos para que as vidas se justifuiquem e legitimem, ao assemelharem-se a todas as outras. É assim que se faz. Juntamo-nos e ficamos nivelados e amparados. Juntamo-nos porque acreditamos amar-nos. Temos filhos. Entremos para esse exército, que é também um corpo diplomático. Habituamo-nos. (...) Amamos aquele com quem estamos juntos? Estamos juntos, não estamos? Chega de pormenores. Que interessa o resto? Que interessa quem amei mais? A minha mãe casou para se amparar, o tio Alberto amou toda a vida a cunhada e nem no leito de morte lho revelou, e a minha tia Inês negou-se ao rapaz por quem se apaixonou por estar prometida ao tio Alberto. Todos cumpriram as suas obrigações. Não terem acordado ao lado do objecto amado, não terem iniciado os gestos ou as palavras do amor não amputou a paixão. Amaram na presença e na ausência. É assim que se faz. O amor não anda ao nosso lado, o amor anda à solta nos peitos, como um pássaro engaiolado. Adormece-nos. Desperta-nos. Faz-nos sair e voltar a casa. Chorar. Rir. E se isto não é viver, o que é a vida?

"A Gorda", Isabela Figueiredo

Até ao fim...

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"É isso, Natasha, temos de ser até ao fim. Não somos seres humanos de desistir num caixão, somos muito mais longe, somos até ao fim. Quando o Universo deixar de existir, nós manteremos a vida, somos nós que fazemos a eternidade. O universo não acaba enquanto nós formos."

[Valter Hugo Mãe, "Nem todas as baleias voam"]

Portugal de paradoxos

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Em 2015, Portugal não é um país para velhos: pelo menos seis em cada dez pensionistas por velhice recebem valores inferiores ao salário mínimo nacional. A população continua a envelhecer e o número de idosos isolados aumenta. Também não é país para jovens; cerca de um terço dos portugueses entre os 18 e os 24 anos não está a estudar nem possui o secundário completo (mais do dobro da média europeia) e a taxa de desemprego jovem é uma das mais altas da OCDE. 

Há capitais de distrito sem cinemas, cidades sem maternidades, vilas sem centros de saúde. Há autoestradas desertas, vias «sem custo para os utilizadores» cobradas com sistemas inexplicáveis, estradas com várias designações e falta de amnutenção. No Porto, a TAP tem cada vez menos ligações de longo curso: se não fosse pelas companhias de baixo custo, o Norte estaria praticamente desabastecido.

A deslocalização para o litoral é imparável e a falta de oportunidades de trabalho empurra os mais novos para outras paragens: na última legislatura, saíram do país cerca de 300 mil portugueses, uma vaga de emigração que ameaça reinstalar a sensação de atraso em relação à Europa das gerações anteriores.

Não é país para portugueses, mas é um destino cada vez mais apetecido. Portugal está na moda e bate, todos os anos, recordes de turistas, de receitas e até de crescimento no setor. Em paralelo, as oportunidades no mercado imobiliário e as vantagens fiscais atraem um número crescente de investidores e novos residentes - estrangeiros ou emigrantes que decidem regressar, simples reformados ou interessados nos vistos gold.

Viver

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VIVER* [É estar com quem a gente gosta. É trocar mensagens. É viajar por entre cidades e abraços. É um festival de música. É a sensação de fazer valer cada segundo. É quando a gente aprende a existir do jeito certo. É criar passados, viver presentes e inspirar futuros. É não sentir em vão.] *produto com prazo de validade. Aproveite. #João Doederlein

É a vida que segue e não espera pela gente

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"A vida está confinada a limites, apenas se dispõe de um tempo determinado, em suma, vive cortada em fatias sem ligação entre si, a não ser aquelas que o homem arrasta consigo de uma ponta à outra do seu percurso, lembranças incertas do que foi e esperanças vagas do que será. A passagem de uma a outra não é clara, trata-se de um mistério, um dia o belo bébe dorminhoco inveterado desaparece, coisa que não assusta ninguém, é uma criança turbulenta e curiosa, um lego, surge no seu lugar, o que não surpreende a mãe que dá por si com dois seios pesados e inúteis. Mais à frente, têm lugar outras substituições igualmente sub reptícias, um homem bem fornido e ansioso substituirá repentinamente o jovem esbelto e sorridente que ocupava o seu lugar e, por sua vez, não se sabe por que passe de mágica, o varão enfermiço cederá o lugar a um homem curvado e taciturno. É no final que nos espantamos, quando um morto ainda quente substitui repentinamente o velho mudo e frio colado a uma cadeira em frente a uma janela. É uma transformação que está a mais, mas que é por vezes bem-vinda. A vida passa tão depressa que não se vê nada, diremos a caminho do cemitério. " ("2084", Boualem Sansal)

Peste

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"Nós somos governados por Wall Street - mas esse sistema totalitário que esmagou todas as culturas encontrou no seu caminho qualquer coisa realmente inesperada: a ressurreição do Islão. É o totalitarismo islâmico que vai dominar, porque se apoia sobre uma divindade e uma juventude que não tem medo da morte, enquanto a globalização se apoia no dinheiro, no conforto das coisas fúteis e perecíveis. [...] A peste islâmica propaga-se a todo o planeta; onde há uma fragilidade, onde há uma brecha, essa peste instala-se e enraíza-se."

Em mim, podes confiar...

Disseste que passas tempo sozinho, não é o mesmo que saber que essa solidão te mete medo. Eu sei que acordas com medo, que te levantas com medo. Há uma razão para a vida ser feita de inúmeros seres e criaturas: quando tudo nos parece um túnel escuro e sem saída, os outros são amparos de luz, são lanternas brilhantes dentro dessa escuridão que nos assola. Eu sei, meu marido, que aprendeste, desde muito novo, a não dar a mão a ninguém; aprendeste os perigos de confiar nas pessoas, porque elas deixam-nos, abandonam-nos, desiludem-nos. São um rasgão por dentro, tu próprio o escreveste. Mas, em mim, podes confiar. Estou aqui, tantos anos depois.

"O paraíso segundo Lars D.", João Tordo