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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Há dias assim...

   Nos quais sinto uma desejo TERRÍVEL de comer doces e mais doces - o que no meu caso se resume a bolachas e gelados, dado o meu gosto limitado por este tipo de alimentos.
   Felizmente, já aprendi o melhor dos truques: se não os trouxeres do supermercado, não vão parar às tuas coxas.
   Aguardam-se melhores dias...

Uma pessoa vai caminhar e ainda se sujeita a estas coisas

 

   Lá vamos nós, pouco motivadas para uma caminhada matinal (sempre fui bicho de exercício pré-nocturno), em passo certeiro por essas ruas fora, quando nos deparamos com duas mini criancinhas sentadas no banco de trás de um carro, sozinhas (não vamos tecer julgamentos acerca deste comportamento paternal). No exacto momento em que passamos ao lado da janela, que está totalmente aberta, uma das criancinhas ergue-se do seu palanca, coloca as patorras de fora e toma lá:

"Xua badelhoca!"

 (e gargalhadas, muitas gargalhadas de criança satisfeita)

Se há razões para sorrirmos?

 

   Iuppi, iuppi, muitas, muitas! Parece que as escolas do Concelho são das mais inovadoras, vai daí toca a alargar os horários dos piquenos do 1º ciclo e temos aulinhas até às 17h30, o que é uma maravilha para gente como eu que trabalha precisamente com os piquenos do 1º ciclo...num Centro de Estudos. A quantidade de horas que trabalho assustaria qualquer um e é maravilhoso recebê-los TODOS ao mesmo tempo, depois de uma maratona na escola. E o salário?? Ui, ui, não vão por aí. Seria um susto demasiado forte.

   Portanto, sorrir parece ser um desafio por estes dias.

Acerca da minha tal futilidade (ou então é só um desabafo)

 

 

 

   Sim, eu tenho um carro novo e SIM, os meus pais deram-me O carro novo e NÃO, não me sinto nada envergonhada ou especial com isso.

   Sou filha única e, por isso, não me livrarei do estigma de "menina dos papás". Se ser menina do papá é ser super-protegida e muito ligada a eles, a tal ponto de eles, muito mais do que eu, não serem capazes de viver longe de mim, então sou totalmente menina do papá. Já se ser menina do papá é ter tudo o que quero e quando quero, então, lamento desiludir-vos, mas não o sou, nem nunca o fui e devo isso aos meus pais e à educação que me deram. É verdade que NUNCA me faltou absolutamente nada, desde brinquedos a tecnologias, actividades e oportunidades de formação, passando pelos carros (digo "pelos", porque este é o meu segundo carro). Tudo o que tenho e sou a eles o devo. Ainda assim, nunca tive uns pais que me estragassem e nunca fui uma criança mimada.

   Se eu me orgulho de os meus pais me terem dado um carro? Sim e não. Sim, porque se o fizeram é sinal que o devo merecer. Não, porque se não o tivessem feito, nunca poderia ser eu a fazê-lo, dado o meu maravilhoso estado profissional, que será partilhado por muitos jovens deste país. É verdade que ganho mal, e nem vou falar dos recibos verdes, não tenho horário completo, não tenho a miníma segurança na marcação de consultas e, o mais grave de tudo, pelo menos para mim, não gosto minimamente da minha principal "fonte de rendimento", já que nem sequer exerço enquanto psicóloga. Se fosse "menina do papá", provavelmente já teria desistido e ficava-me por casa à espera da minha oportunidade e de uma ou outra consulta. Sim, porque eu poderia fazê-lo. Poderia mas não era capaz. A inércia nunca foi uma característica minha e estar sem nada fazer mata-me mais rapidamente do que fazer algo que todos os dias me desmoraliza um pouco mais. Nesta fase, e 3 anos depois de concluir a minha licenciatura, e depois de lhe ter acrescentado uma especialização e um mestrado, desmotivação e desilusão é a palavra de ordem. Se ao passar um recibo sobre algo que não gosto minimamente vou ganhar dinheiro certo ao final do mês, então vou continuar a fazê-lo, porque, neste momento, é precisamente o dinheiro que me move, já que tudo o resto teima em não chegar.

   Se sou feliz? Não sou, nem posso ser. Falta-me a realização profissional e sem ela não há realização pessoal. Sem elas, não há espaço para ser feliz. Se vou continuar assim por muito mais tempo? Não. Não vou, porque não posso, nem consigo. Estou à beira do limite da normalidade e da tolerância. Todos os dias me sinto um bocadinho menos "valiosa" e isso mostra-me que não posso continuar nesta situação. Não eu, que sempre acreditei no meu valor, nas minhas potencialidades, nas minhas capacidades e nas minhas ambições. A 3 meses dos 25 anos começo a perceber que a minha vida tem de mudar de alguma maneira. Com ou sem psicologia. Ou corro o risco de me ver totalmente mudada e irreconhecível, com todos os riscos que isso acarreta para mim e para os que gostam de mim.

   Se isto é uma atitude de vitimização? Não o é e ninguém precisa de acreditar em mim, porque quem me conhece sabe disto sem que eu tenha de o dizer. Há imensa gente na mesma situação que eu, e ainda mais gente em situações bem piores. Não precisam de me dizer "mas tu nem tens responsabilidades, nem contas para pagar ao final do mês". Têm toda a razão. Mas a principal e mais importantes responsabilidade é para comigo mesmo e eu tenho a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que há a fazer por mim, pelo meu bem-estar e pela minha realização pessoal. Só assim poderei mudar aquele bocadinho à minha volta e fazer a diferença nesta vida e na vida dos outros.

   Por último, só para sossegar os mais preocupados com as minhas finanças, a grande revelação: sim, eu tenho dinheiro na conta; sim, sobra-me muito dinheiro ao final do mês; e NÃO, eu não gasto tudo em roupas e sapatos; e se o fizesse a única vítima seria apenas eu, por isso relaxem que não vos peço nada. Se eu gosto de comprar roupa e sapatos e, já agora se me permitem um pouco de intelectualidade, livros, sim, gosto. Gosto MuuuiiiiTO! So what??? Se não tenho quase nenhuma conta para pagar, se não tenho responsabilidades financeiras, e se ainda por cima não gosto do que faço, não me posso mimar? E poupanças, não fazes? Faço. Bastantes até. Aliás, a minha conta à ordem está sempre num estado vergonhoso, não porque gaste tudo em vestidos, mas porque mais de metade do meu dinheiro vai para a minha "conta poupança". O que fica, fica para ser gasto naquilo que realmente gosto. E, pasmem-se, eu até sou forreta! Desde que comecei a ganhar o meu dinheiro que fiquei 10 mil vezes mais "agarrada". Não, eu nunca dei 50 euros por um vestido ou por um par de sapatos (por isso é que os saldos são a minha época favorita do ano). Espero um dia poder dar, isso e muito mais. Hoje não dou, porque, embora tenha casa, cama, roupa lavada e frigorífico cheio (e um carro novo a custo zero!), gosto de gerir a minha vida a pensar no futuro e seria inconcebível para mim gastar fortunas em bens materiais tão passageiros. Se gostar de compras é ser fútil, então sou fútil. E sou-o orgulhosamente. Porque o faço com conta, peso e muitas medidas. Porque o faço com muita cabecinha. Porque nunca ninguém me disse que eu "esbanjo dinheiro" (pelo contrário) e porque me deito todas as noites de consciência tranquila pela pessoa que sou.

   Se isto foi um desabafo ou uma tentativa de "limpar o meu nome" não sei. Seja o que vocês quiserem. Para mim são coisitas que passeiam cá por dentro juntinho a muitas outras coisitas que me roubam o brilho do olhar e que ficaram cá dentro a incomodar-me desde que ele me perguntou "não estás feliz por ir ter um carro novo?" e eu respondi, sem pensar "não, estava feliz se eu a comprá-lo, porque era sinal que o podia fazer".

Afinal sempre temos uma actualização de reentré

 

   Estou num novo (ou será que devo dizer "em mais um"?) local a fazer consultas. Desta vez fora do Porto e integrada numa equipa dedicada às medicinas alternativas, pelas quais tenho um imenso respeito e uma enorme curiosidade, principalmente por depois de ter assistido à sua eficácia.

   O primeiro passo está dado, agora vem o mais difícil: aguardar pelas marcações, sem desesperar, pois há muito que me consciencializei que ir ao psicólogo ainda não é uma prioridade, mesmo que seja fundamental.

   Veremos. Nos entretantos, sempre tenho as "minhas pestinhas" (sem sorrisos).

Crónica de uma (provável) gripe a

  

  Ontem à noite fui à urgência de um hospital privado, que isto de pagar um seguro de saúde todos os meses é para ser aproveitado. E porquê que fui? Ora bem, febre, dores no corpo, dores de ouvido, dores de garganta, arrepios de frio, vómitos, diarreia (uma coisa nada bonita de se escrever. Sorry!). Não preciso de dizer mais nada, certo?

  Lá fui eu, de fato de treino (calças a não combinar com a camisola!), sapatilhas, casaco comprido, luvas, chapéu, cachecol...(quase ditei uma nova tendência Inverno 09, tal era o sortido de peças). Não me senti nunca num hospital, o que me tranquilizou logo à partida. Não vi macas, não vi agulhas, não me cheirou a hospital e, principalmente, não vi uma sala de espera a abarrotar de gente. Aguardei uns 2 minutos, se tanto. Fui bem atendida, expus o meu caso e ganhei um belo atestado para 7 dias de "clausura" e uma bonita máscara da moda.

    Gripe A, perguntam vocês assustados. E eu respondo: provavelmente. Posso colocar um visto em todos os sintomas daqueles avisos "se tem/sente isto, isto, isto e isto...", daí que o mais sensato me pareceu saltar a Saúde 24 e uma provável longa espera nos centros de atendimento à gripe, tomar todas as precauções e deslocar-me ao hospital. A Sra. Dra. parecia um tanto atrapalhada com o computador e até se esqueceu de registar as tensões, a temperatura, a oxigenação e essas coisas bonitas que o nosso corpo traduz em números. No final, foi clara. "Está com uma faringite, mas dado os sintomas, é um provável caso de gripe A. Se for, os pais já estão infectados, por isso máscara em casa dispensa-se. Sair de casa, nem pensar. E não se preocupe que o curso da gripe A é o de uma gripe normal, desde que não passe para os pulmões. Até porque morrem todos os dias 2 milhões de pessoas no mundo com gripe e parece que ninguém se lembra disso agora. Por dia! Por isso, muito descanso, chás, leite, mel e atenção aos pulmões. Se sentir alguma alteração respiratória tem de voltar".

  E lá vim eu, de máscara, com os olhares desconfiados das gentes, e uma tristeza muito grande por ir faltar ao meu primeiro jantar de Natal de trabalho (hoje), por a minha "amiga secreta" ficar sem prenda, por eu ficar sem prenda da minha amiga secreta, por faltar ao trabalho (não é que sinta falta dele, mas quando se trabalha a recibos verdes as faltas ganham uma nova dimensão) e por ter de passar um fim-de-semana pré-natalício fechada em casa, no quarto, a receber o meu Mr. Big de máscara verde (uma daquelas da imagem sempre dava um toque fashion qualquer)! Qualquer semelhança com um ogre é mera coincidência natalícia.

   Conclusão: estou como a canta a música que tanto gozei "Sem beijinhos, nem abraços, nem apertos de mão...não é desprezo é apenas protecção".

 

Nota: a máscara é uma coisa muito desconfortável de se usar. Parece que não nos deixa respirar e se juntarem a isso uma cara a ferver de febre, a coisa piora significativamente, porque aquilo sobe-nos a temperatura a uma velocidade estrondosa. Ou pelo menos assim parece.

Sunday night

 

É o momento de recolher os sorrisos, a boa disposição, a força, a auto-estima, o bom humor, o espirito positivo e tudo aquilo que nos faz sentir uma pessoa realizada.

Começa mais uma semana de vazio profissional que se torna cada vez mais pessoal.

 

O meu belo trabalho

E quanto menos eu gosto do que faço, mais trabalho de professora me dão. Depois de ter sido "promovida" ao cargo extra de explicadora individual de português, ciências, filosofia e psicologia (euros extra? Zero! Mesmo que isso implica trabalhar aos sábados) eis que chegam os relatórios mensais de avaliação de todas as minhas pestinhas. E os do mês de Outubro já estão em falta e serão entregues até 2ªfeira.

Fazem mesmo tudo para eu querer sair dali, mais do que qualquer outra coisa, não fazem? Dica: não precisam de mais. Já há muito tempo que tudo o que eu mais quero é sair daquele ATL. Get it? Fico a aguardar o brilho da minha estrela.