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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Terminal de sorrisos e amor

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É mesmo verdade aquilo que se diz no já clássico do cinema "O amor acontece": nos terminais de chegadas dos aeroportos é sorrisos que se vêem. Por todo o lado. Em todos. Sorrisos dos que chegam, sorrisos dos que esperam, sorrisos do reencontro. Não importa de quanto tempo foi a ausência, não importa se a distância era muita ou pouca, há sorrisos e olhos a brilhar por todo o lado. 

Já diz o filme, na inconfundível voz britânica do Hugh Grant,  "love is everywhere". E se é verdade que por esse mundo fora o amor está por todo o lado, ali, naquele preciso espaço, num aparentemente frio e impessoal aeroporto, há amor a sair por todos os poros de quem por lá passa. Sentarmo-nos 20 minutos nas chegadas de um aeroporto a observar o que por ali se passa deveria ser quase uma terapia para os dias menos bons ou para quando nos sentimos deslocados neste mundo, porque é impossível sairmos de lá as mesmas pessoas se realmente nos deixarmos inundar por aqueles sorrisos tão puros que não são nada mais que amor, daquele puro e verdadeiro. 

Um manto branco de felicidade

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   Quando era miúda a viagem à Serra da Estrela era um daqueles programas anuais que não falhavam. Todos os Invernos lá ia eu e os meus pais, às vezes acompanhados de mais alguns familiares, passar um fim-de-semana à Serra da Estrela e eu sempre adorei ir à neve! Tenho memórias nítidas da maior parte dessas viagens, os locais onde dormimos, onde comemos, o que visitamos e até os cheiros a queijo e enchidos e peles das típicas lojas da zona.

    Mas o que eu mais recordo destes fins-de-semana em família é da alegria que era estar na neve, andar na neve e "brincar" na neve. Não só a minha alegria partilhada com os meus pais, mas também a alegria de todas as pessoas que lá estavam. Não sei se vocês que já foram à Serra da Estrela num dia de enchente de gentes e neve, pararam 1 minuto apenas para escutarem os sons à vossa volta. Se o fizeram, de certeza que se aperceberam que o som predominante é o de gargalhadas e gritinhos histéricos de miúdos e graúdos. Ali, naquele manto branco, enquanto escorregamos encosta abaixo em trenós, sacos plásticos ou boias de borracha e atiramos bolas de neve uns aos outros, parece que entramos todos numa realidade paralela, desligada de toda a outra realidade (a real mesmo!) e nos esquecemos que temos 20, 30, 40, 50 anos e despertamos a criança divertida e facilmente impressionável que há em nós, sem nos importarmos com o que quem está à volta vai pensar das figurass que ali estamos a fazer. Uma espécie de Disneyland monocromática, mais fria (ok, relativo aqui, se visitaram a Disneyland Paris no Inverno como eu, é bem relativo!), que escorrega e molha. 

   Este Domingo voltei à Serra da Estrela. Mais de 13 anos depois de lá ter ido a última vez (uma pessoa cresce e os fins-de-semana em família vão ficando pelo caminho) voltei à neve, desta vez na companhia do meu Mr. Big. Foi uma decisão de repentina e de última hora, Domingo de Páscoa, 1 de Abril, fizemo-nos à estrada e fomos passar o dia na Serra da Estrela. 

   Mais de 13 anos depois, nada mudou. Nada mudou na Serra e nada mudou no ambiente que se respira por lá. Fui carregada de memórias da minha infância, que despertaram ainda mais a cada quilómetro que percorriamos, e fui munida de um trenó de há 13 anos atrás, pronta a renovar essas memórias de felicidade, desta vez a dois! E querem saber? Missão cumprida! Naquelas horas que lá estivemos fomos crianças outra vez, fomos estupidamente felizes, fomos rídiculos, fomos parvos... fartamo-nos de escorregar encosta abaixo, fartamo-nos de dar gritinhos histéricos, fartamo-nos de cair, cansamo-nos de rir! No final do dia regressamos a casa carregados de coisas boas cá dentro, cheios de nódoas negras (não queiram ver as minhas pernas!) mas sobretudo cheios de felicidade, daquela tão simples que chega a ser rídicula, daquela que nos faz pensar "afinal, é preciso tão pouco para sermos felizes"... 

   E não foi preciso parar nem 1 minuto para escutar os sons à minha volta, porque eu sabia, pelas memórias felizes que guardo da minha infância, que todos os sons eram de felicidade plena. E eram. Era muito a felicidade que escorregava por aquela serra abaixo no Domingo de Pascoa, 1 de Abril. Parece realmente mentira que ser feliz, ainda que por 1h ou 2h, seja assim tão simples. Mas é. É simples assim: libertarmo-nos, ainda que por instantes, de tudo aquilo que nos pesa na vida e deixarmo-nos deslizar por aquele manto branco, num trenó de plástico ou numa saca plástica. Se pudermos largar umas gargalhadas e uns gritinhos pelo caminho ainda melhor. A alma e o coração alimentam-se e enchemos o saco das memórias felizes que nos fazem gostar de viver. 

Dia do Livro Português

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Hoje celebra-se o Dia do Livro Português, uma data criada pela Sociedade Portuguesa de Autores com o intuito de destacar a importância do livro, do saber e da língua portuguesa em todo o mundo. 

Se vos perguntassem quais os vossos livros portugueses de eleição, sem pensarem muito, quem estava na lista? Eu não precisei de pensar muito para criar a minha lista, excepto se me pedirem para destacar o meu Saramago preferido, coisa que sinceramente acho que não sou capaz de fazer (um só? Será possível?). 

Os meus eleitos são os da imagem acima. Os Mais não podiam faltar para arrancar as preferências, um livro escrito há 500 mil anos atrás mas com uma modernidade e atualidade, quer na história, quer na escrita, que tornaram Eça um dos maiores de sempre. Saramago junta-se aos que ficam para a história. Reconhecido com um Nobel, ele é muito mais que isso. Para mim, o melhor de sempre, o meu escritor de eleição para sempre. O melhor entre os melhores de todo o mundo. Todos os outros são "malta jovem", desta geração, curiosamente (ou não) muitos deles vencedores do prémio José Saramago e cuja escrita de fato segue as doutrinas do mestre em muitos dos seus livros. 

Destaco os livros que mais me disseram até hoje, mas destaco sobretudo as mentes prodigiosas que estão por detrás destes grandes livros. Porque são eles que fazem do Livro Português um livro do mundo! 

E vocês, já fizeram as vossas escolhas? 

Enciclopédia dos sentimentos e emoções

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A de Amor, que sempre seja aquilo que nos move, aquilo que tudo justifica, aquilo que mais importa, aquilo que nunca nos falte na vida. 

B de Bondade, daquela que nos permite dar ao outro aquilo que afinal mais falta lhe faz.

C de Convicção, aquela que nos faz saber o que queremos, quando queremos e como queremos; daquela que nos dá certezas.

D de Determinação, porque o nosso caminho será sempre em frente e para cima. 

E de Empatia, para que nunca nos falhe a capacidade de nos pormos no lugar do outro.

F de Fé, no que quer que seja ou em quem quer que seja; simplesmente aquela força de acreditar.

G de gratidão, à vida, sobretudo à vida, por nos permitir andar por cá e sorrir.

H de Harmonia, porque mais importante do que nos sentirmos felizes é sentirmo-nos em harmona connosco, com as nossas vontades, com os nossos desejos, com as nossas convicções. 

I de Inveja, daquela positiva, que também a há e é saudável, aquela que sentimos pelos outros e nos faz querer ir mais longe e aquela que despertamos nos outros e os faz querer ir mais longe. 

J de Justiça, ainda que tantas vezes a vida pareça injusta, ainda que tantas vezes nos questionemos porquê. 

L de Liberdade, que nos parece um bem adquirido mas que tantos seres humanos como nós não sabem o que é. 

M de Melancolia, porque às vezes é preciso parar para refletir e pensar nos momentos menos bons da nossa existência. 

N de "nunca digas nunca", porque nada, NADA, é uma certeza nesta vida. 

O de Orgulho, em nós, nos nossos feitos, nas nossas conquistas, nas nossas batalhas vencidas, e nas perdidas e nas lições que tiramos daí. 

P de Positividade, porque o caminho do negativismo nunca nos há-de levar a lado nenhum, porque "always look to the bright side of life", por mais difícil que às vezes pareça é um dos maiores motes desta vida. 

Q de Querer, sempre mais, sempre melhor.

R de Resiliência, da que nos faz aguentar tudo e persistir, persistir, persistir...

S de Serenidade, a cada inspiração, a cada expiração...

T de Tranquilidade, que sempre encontremos alguma todas as noites, ao deitar a cabeça na almofada e apagar a luz. 

U de União, já que dizem que faz a força, porque não tentar?

V de Vontade, de viver, de sonhar, de ambicionar, de concretizar, de conquistar, de sorrir. 

X de Xalupa, aquela qualidade dos momentos de loucura que se tornam para a vida toda. 

Z de "Zimbora viver" que o futuro é já amanhã e isto é bom demais para perdermos tempo com lamechices de glossários da tretas das emoções e mimimi...

 

Que a felicidade nunca precise de um dia

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"Eu não gosto de falar de felicidade, mas sim de harmonia: viver em harmonia com a nossa consciência, com o nosso meio envolvente, com a pessoa de quem se gosta, com os amigos. A harmonia é compatível com a indignação e a luta, a felicidade não, a felicidade é egoísta."  (José Saramago) 

 

Que nunca seja preciso uma data para nos lembrarmos de sermos felizes, para sabermos o que nos faz felizes, para querermos a felicidade na nossa vida e na dos nossos, para nunca nos esquecermos que a felicidade, como nós, é uma soma de instantes e não um estado permanente  

 

E já agora, "façam o favor de serem felizes". 

 

 

Pai

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 Hoje, ao festejarmos o dia do pai na instituição pude ver os sorrisos rasgados e os olhares a brilhar das nossas crianças que receberam os seus papás nas salinhas. Pude ver que, independentemente de serem modelos parentais ou não, o afeto está lá e a alegria que a presença do pai ali, na escolinha deles, causou naquelas crianças é daquelas coisas que sabemos que ficam para sempre. 

Eu não me recordo de festejar o dia do pai na escola. Mas recordo-me de preparar as prendinhas que lhe dava. A da escola e a que fazia em casa. Na verdade, o meu pai ainda guarda todas essas prendinhas, a maioria desenhos sem arte nenhuma (sempre fui uma nódoa a desenhar!), prendinhas sem valor monetário mas que para mim eram o maior dos presentes, que eu fazia às escondidas com não sei quantos dias de antecedência e que colocava no lugar do meu pai à mesa de jantar para quando ele chegasse do trabalho  

Esta é apenas uma das milhentas memórias que tenho do meu crescimento com o meu pai. Muito se fala daquela ligação especial entre os pais e as filhas... provavelmente é uma realidade.  Eu sou menina do papá. Orgulhosamente. Não sei se o meu pai alguma vez desejou que eu tivesse saído rapaz em vez de princesinha, mas sei que sempre fui muito feliz com o meu pai. Até hoje. E espero eu por muitos e muitos anos. 

O meu pai não é especial, não é o melhor pai do mundo (apesar de isso estar escrito nuns quantos desenhos da infância) e não é a melhor pessoa do universo. Na verdade, o meu pai tem um feitio que me tira do sério, mas nisso, como em muitas outras coisas, puxei ao pai! Tirando isso, é o meu pai e é o melhor que eu podia a ter. É o meu modelo, cheio de imperfeições como toda a gente de carne e osso e aquela pessoa que eu admiro sem ser preciso dizê-lo. É o meu exemplo de garra e de determinação profissional, é aquela pessoa que eu vou querer agradar até ao fim dos nossos dias e que eu sei que me irá apoiar seja qual for o passo seguinte. 

Eu sou a menina do meu papá. Sou a menina que eu sei que ele admira sem ser preciso dizê-lo, sou aquela que ele vai querer proteger até ao fim dos nossos dias. Não sou a melhor filha do mundo. O meu pai não é o meu melhor amigo. O meu pai é o meu pai. Para sempre. Com toda a certeza. E de quantas coisas podemos ter assim tanta certeza nesta vida? Só isto, só isto tudo, chega para ser...tudo! 

Doentio é não viver

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Ben Stiller já nos fez rir muito, já foi engraçado, já foi rídiculo, já foi palerma. Hoje Ben Stiller cresceu e percebeu que a vida não é so sorrisos. Em "Brad`s Status" Ben Stiller até poderia estar numa espécie de "crise de meia idade" ou a entrar num quadro depressivo... mas não. Neste filme, Ben Stiller está simplesmente a ser (um ser) humano.

Acho que todos nós, a dada altura da nossa vida, ou em várias alturas da nossa vida, nos questionamos sobre o que andamos aqui a fazer e se as escolhemos que fizemos até à data foram realmente as melhores. Parece-me legítimo pararmos para pensar e questionar se é este o nosso caminho ou onde estariamos agora se tivessemos optado por aquilo em vez disto. Ben Stiller está, neste filme, insatisfeito. Ou pensa que está. Ou questiona se, afinal, está ou não satisfeito com o que tem e o que é. Ben Stiller sente-se em eterna competição com os seus amigos de infância no concurso do "quem se deu melhor nesta vida", mas na verdade, Ben Stiller está em competição, constante e permanente (e eterna!), consigo próprio, com os seus sonhos, com os seus objetivos, com aquilo que idealizou para si e para a sua vida, o que muitas vezes difere bastante da realidade.

Ben Stiller é neste filme uma personagem sem o ser, porque todos nós, seres humanos, somos aquele Ben Stiller do filme. Todos nós, eternos insatisfeitos, vivemos com o peso das nossas escolhas; todos nós nos questionamos, constantemente, o que é que poderiamos ter feito diferente, onde é que poderiamos estar que não aqui e, provavelmente o mais assustador, todos nós tentamos visualizar o nosso futuro, sem nunca sabermos realmente o que nos espera ao virar da esquina.

"De tudo o que fizeste, o que tornou a tua vida melhor?".

Viver com este ponto de interrogação na nossa vida não é doentio. Fazer esta pergunta diariamente não é sinal de episódio depressivo. Pensar sobre a vida não é maníaco. Pensar no que é e no que poderia ter sido também não. Doentio é não viver. E para se viver vida com vida há que questioná-la; há que competir com o que somos e com o que gostariamos de ser; há que estar insatisfeito e querer mais; há que chorar pelo que perdemos; há que invejar as conquistas dos outros e alimentar a nossa motivação; há que sonhar com o futuro; há que temer a incerteza; mas acima de tudo, há que sentir que estamos vivos, que estamos cá, e que não estamos sozinhos.