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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Ler: O coração é o último a morrer, Margaret Atwood

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Charmaine e Stan estão desesperados: sobrevivem de pequenos trabalhos menores e vivem no carro. Portanto, quando veem um anúncio a Consiliência, uma «experiência social» que oferece empregos estáveis e casa própria, inscrevem-se imediatamente. A única coisa que têm de fazer em troca é ceder a sua liberdade mês sim, mês não, trocando a sua casa por uma cela da prisão. Não tarda, porém, que Stan e Charmaine, sem o saberem um do outro, comecem a desenvolver obsessões apaixonadas pelos seus «Alternantes», o casal que ocupa a sua casa quando estão na prisão. E assim mergulham num pesadelo de desconfiança, culpa e desejo.

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   Mais um livro que foi uma agradável surpresa para mim descobrir. Há aqui um cheirinho de George Orwell com a idealização/criação de um mundo alternativo e aparentemente perfeito, mas que como seria de esperar está carregadinho de imperfeições e terrores, fazendo-nos preferir a dureza do mundo real do que a ilusão deste mundo perfeitamente falso.

   Espreitem, que este é daqueles que vale bem a pena.

Ler: "Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum", Dulce Garcia

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Um homem, duas mulheres, uma criança. A história de um triângulo amoroso à luz do que são hoje as relações sentimentais, marcadas por separações e recomeços e jogos psicológicos variados. Um romance onde se fala de paixão, desejo, raiva e um medo incrível da loucura. Também tem ameaças, mentiras e sexo. E humor, esse lado cómico que existe em todos os episódios, até nos mais trágicos.
O que nos leva a apaixonarmo-nos e deixar tudo para trás? Como é possível mentirmos para obrigarmos alguém a ficar ao nosso lado. É normal um pai não gostar de um filho? E o amor, sempre o amor, é hoje uma doença ou a única terapia?
Isabel sempre disfarçou os seus sentimentos debaixo de uma capa de serenidade, sobretudo desde que o irmão enlouqueceu depois de assistir a uma autópsia. Mas apaixona-se.
Uma história de amor escandalosamente contemporânea, que fala de desejo e raiva, da violência do fim dos casamentos e da luta em torno da guarda dos filhos, da culpa de quem decide partir e de como isso pode arrasar o futuro.

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   O que me chamou a atenção neste livro foi o título e o facto de ser produção nacional (não sei quanto a vocês, mas eu sinto falta de ler bons livros portugueses). Trouxe-o completamente às escuras e com total desconhecimento da autora ou do que o livro tratava. Bastaram umas primeiras páginas para perceber que não iria arrepender desta compra impulsiva. Este é um livro português bom. Este é um livro português com uma história cinzenta, como a capa, com personagens pesadas e doentias. Este é um livro que tem tudo para ser gostado da primeira à última página. Não é um romance lamechas, mas é amor. Puro, verdadeiro e doentio, como as personagens. E como, por vezes, o próprio amor.

   Não hesitem em lê-lo!  

Ler: "Anna e o Homem Andorinha", Gavriel Savit

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Uma história sobre a perda da inocência perante a tragédia.
Ao longo da viagem, Anna e o Homem-Andorinha escaparão a bombas e a soldados e também farão amigos.
Mas, num mundo louco, tudo pode ser um perigo.
Também o Homem-Andorinha. «Este romance profundamente comovente une, de forma magistral, a doçura infantil com o fundo cruel e inumano da Segunda Guerra Mundial.»  

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   A história de uma menina a quem a guerra deixa só no mundo; a história de uma menina só que encontra um amigo, ou é encontrada por este, a história de uma menina e de um homem a quem a guerra deixou sós no mundo; a história de uma menina e de um homem que fazem da vida uma caminhada pela sobrevivência.

   Uma história de inocência cruelmente assassinada pela guerra. Ficção duramente inspirada na realidade.

De cada dia, para todas as noites

Normalmente, a sua mente era como uma praia apinhada de gente - durante todo o dia, andava a correr de um lado para o outro, deixando pegadas, construindo pequenos montes e castelos, anotando ideias e diagramas com os dedos na areia, mas, quando a maré da noite subia, ela fechava os olhos e permitia que cada onda de rítmica respiração lavasse a acumulação do seu dia e, em pouco tempo, a praia ficava limpa e vazia, e ela conseguia adormecer.

«Anna e o Homem - Andorinha», Gavriel Savit

Ler: «O Labirinto dos Espíritos», Carlos Ruiz Zafón

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Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.
Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível.
O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

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   Quarto e último livro da saga iniciada com A Sombra do Vento.

   São 850 páginas de história em volta de livros, autores, mistérios e uma Barcelona que dá muita vontade de conhecer. Apesar do assustador número de páginas, é um livro que não chega a aborrecer, pois vai sempre criando algum suspense relativamente ao que vai acontecer a seguir, mas sempre sem fantasiar.

   Foi uma história boa, esta que Záfon nos ofereceu ao longo de 4 livros e que demorou cerca de 15 anos a escrever. Este último volume dá continuidade à vida das personagens dos livros anteriores, obriga-nos a voltar a elas e ao passado e apresenta-nos novas histórias e novas personagens, para no final ficarmos finalmente a perceber a história da família Sempere. De resto, fica sobretudo uma grande celebração dos livros e uma vontade enorme de conhecer Barcelona!

Ler: "Destinos e Fúrias", Lauren Groff

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Todas as histórias têm duas versões.
Todas as relações têm dois pontos de vista.
Contudo, às vezes, a chave para um bom casamento não está na honestidade mas nos seus segredos.

Lotto e Mathilde, jovens altos e bonitos de 22 anos, estão perdidamente apaixonados e destinados aos maiores sucessos. Uma década mais tarde, o casamento ainda é alvo das invejas dos amigos, mas a realidade afigura-se mais complexa e extraordinária do que as aparências dão a entender. Destinos e Fúrias é o bestseller do New York Times que está a conquistar o mundo. 

Melhor Livro de 2015 da Amazon
Melhor Livro do Ano segundo Barack Obama
Finalista do National Book Award 2015

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Depois de ler críticas bastante positivas em relação a este livro, resolvi fazer uma pausa nas 800 e muitas páginas do Labirinto dos Espíritos, do Záfon e devorar este Destinos e Fúrias.

Sendo um livro bom não o achei nenhuma obra-prima. Aliás, a primeira parte do livro, a parte dos Destinos, chega a ser um pouco enfadonha. A segunda parte, a da Fúria é bastante melhor, bem mais intensa e fundamental para nos fazer voltar atrás na história e percebermos todas as páginas iniciais.

Trata-se de uma história de amor, sim, mas fica bem longe das histórias lamechas. A personagem feminina é uma personagem forte e que eu diria que assume o papel principal em todo o livro, dando-lhe toda a vida e intensidade que o poderão justificar todo o burburinho que se tem formado em volta deste livro.

Recomendo. Não fica na minha lista de favoritos, mas recomendo!

O último refúgio

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"Qualquer pessoa que queira conservar a sanidade de espírito precisa de ter um lugar no mundo onde possa e deseje perder-se. Esse lugar, o último refúgio, é um pequeno anexo da alma onde, quando o mundo naufraga na sua absurda comédia, podemos sempre esconder-nos, trancar a porta e perder a chave." [Carlos Ruiz Zafón, O Labirinto dos Espíritos]

Da vida

"Nesta vida, nada que valha a pena é fácil, Daniel. Quando era novo, acreditava que para navegar no mundo bastava aprender a fazer bem três coisas. Uma: apertar os atacadores dos sapatos. Duas: despir conscienciosamente uma mulher. E três: ler para saborear todos os dias algumas páginas compostas com inteligência e destreza. Parecia-me que um homem que pisa firme, sabe acariciar e sabe escutar a música das palavras vive mais e, sobretudo, vive melhor. Mas os anos ensinaram-me que isso não basta e que por vezes a vida nos oferece a oportunidade de aspirar a ser qualquer coisa mais do que um bípede que come, escreta e ocupa espaço temporal no planeta. E hoje o destino, na sua infinita inconsciência, quis oferecer-lhe a si essa oportunidade. " #CarlosRuizZafon, O Labirinto dos Espíritos

Segunda oportunidade...

"- Meu amigo - disse por fim - não perca a esperança. Se alguma coisa aprendi neste mundo cão é que o destino está sempre ao virar da esquina. Como se fosse um larápio, uma puta ou um cauteleiro, as três encarnações mais frequentes. E se algum dia decidir ir procurá-lo, porque o que o destino não faz é visitas ao domicílio, vera como ele lhe concede uma segunda oportunidade. " #CarlosRuizZafón, Labirinto dos Espíritos

«A Quinta dos Animais», George Orwell

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À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais.

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George Orwell era muito bom no que fazia. Ou no que escrevia. Ponto. 

Animais que pensam e agem como pessoas e pessoas que pensam e agem como animais. Há dezenas de anos atrás, como agora. Mais atual não podia ser. Mais simples também não. 

Ponto.