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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

«O Prisioneiro do Céu», Carlos Ruiz Zafón

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Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.


Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

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Não dei por este livro ser editado, a verdade é esta. Li os dois primeiros e no Natal ofereceram-me o último (O Labirinto dos Espíritos, que comecei agora), comigo convencidíssima de que se tratava do fim de uma trilogia. Qual o meu espanto quando ia começar a ler o dito último e descubro que era o quarto livro? Faltava-me um pelo meio, que era este Prisioneiro do Céu, que li em 4 ou 5 dias, pois é um livro mais pequeno que o habitual neste escritor e que se lê muito bem. 

Já li os dois primeiros livros há alguns anos (parece que o escritor demorou mais de 15 anos a escrever os 4 volumes!) mas recordava-me de todas as personagens e sobretudo daquele ambiente de livros e algum suspense. Este terceiro volume continua a história das personagens principais da trama e deixa-nos curiosos para o grande desfecho (que é literalmente grande, atendendo à quantidade de páginas que me esperam!). 

 

Boas leituras!

«Arranha - Céus», J. G. Ballard

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«Mais tarde, sentado na varanda a comer o cão, o Dr. Robert Laing refletiu sobre os estranhos acontecimentos que nos últimos três meses tinham ocorrido no interior do prédio enorme.»
Num imponente edifício de quarenta andares, o último grito da arquitetura contemporânea, vive Robert Laing, um bem-sucedido professor de medicina, mais duas mil pessoas. Para desfrutarem desta vida luxuosa, não precisam sequer de sair à rua: ginásio, piscina, supermercado, tudo se encontra à distância de um elevador. Mas alguma coisa estranha borbulha por baixo desta superfície de rotina.
Primeiro atacam-se os automóveis na garagem, depois os moradores. Um incidente conduz a outro e, acossados, os vizinhos agrupam-se por pisos. Quando aparecem as primeiras vítimas, a festa mal começou. É então que o realizador de documentários Richard Wilder resolve avançar, de câmara em punho, numa viagem por esta inexplicável orgia de destruição, testemunhando o colapso do que nos torna humanos.
Entre a alucinação e a anarquia, a visão nunca ultrapassada de J. G. Ballard oferece-nos um retrato demencial de como a vida moderna nos pode empurrar, não para um estádio mais avançado na evolução, mas para as mais primitivas formas de sociedade.

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   Autor desconhecido, mas a sinopse deixou-me curiosa e efetivamente o livro não desilude. 

   Um arranha-céus com mais de 2 mil pessoas a habitá-lo, com todos os luxos que qualquer ser humano poderia desejar mas que, de repente, se começa a desmoronar, metaforicamente falando. São os seus habitantes que se começam a desmoronar e desumanizar, assumindo comportamentos irracionais e inexplicáveis, alguns a roçar o rídiculo. É o colapso daquilo que nos torna humanos, sem sair das quatro paredes daquele arranha-céus. Uma clara metáfora da sociedade atual, apesar de ter sido escrito há mais de duas décadas. 

   Um livro de Ballard mas que podia ter sido facilmente escrito por Saramago...ou Kafka... já dá para perceber do que estamos a falar, certo? 

   Boas leituras! 

 

«Kafka à beira mar», Haruki Murakami

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Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa - procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

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De Murakami li apenas a trilogia 1Q84, mas atendendo ao tanto que se diz e escreve sobre este senhor, um dos meus objetivos para 2017 é sem dúvida construir uma bela biblioteca de Murakami. 

Sobre este livro, que dizem ser dos melhores dele, não posso dizer que adorei, mas gostei. É exatamente o estilo que estava à espera de encontrar, com algo de mágico, espiritual e "histórias do outro mundo". Demorei um pouco a entrar no ritmo da história mas a dada altura já só queria ler mais e mais para saber o final. Personagem adorável aquele Nakata! 

E o próximo Murakami já está escolhido. Não é para já, mas será Norwegian Wood. Quem recomenda? 

Em frente, até ao fim do mundo

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"Sentes o peso do tempo como um velho sonho ambíguo. Continuas sempre em movimento, tentando arranjar maneira de te esquivares. Porém, mesmo que vás até aos confins do mundo não lograrás escapar-lhe. Mesmo assim, não tens outro remédio senão seguir em frente, até esse fim do mundo. Há algo que não se consegue fazer, sem lá chegar. " (Haruki Murakami, "Kafka à beira mar")

«1984», George Orwell

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1984 oferece hoje uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas. A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. O Big Brother já não é uma figura de estilo - converteu-se numa vulgaridade quotidiana.

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Este livro dispensa qualquer tipo de apresentação. Quem não o conhece? Intemporal e eterno, talvez um dos maiores clássicos da literatura. Andou a escapar-me durante muito tempo, pelo simples motivo de que tinha receio que fosse uma espécie de lição filosófica e demasiado descritiva/política sobre um mundo utópico. Como eu estava enganada! E como eu gostei disto!

Como é possível que em 1948 se escrevesse assim? Como é possível que em 1948 alguém idiealizasse o mundo de 1984, que afinal é tão semelhante ao mundo de 2016? Este entrou diretamente para a minha lista de "livros de uma vida". 

«A Gorda», Isabela Figueiredo

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Maria Luísa, a heroína deste romance, é uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, voluntariosa e com uma forte personalidade. Mas é gorda. E isto, esta característica física, incomoda-a de tal modo que coloca tudo o resto em causa. Na adolescência sofre, e aguenta em silêncio, as piadas e os insultos dos colegas, fica esquecida, ao lado da mais feia das suas colegas, no baile dos finalistas do colégio. Mas não desiste, não se verga, e vai em frente, gorda, à procura de uma vida que valha a pena viver.

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Um dos melhores livros que li este ano. Começo já assim e podia terminar por aqui, porque já disse tudo o que importa! 

Descobri este livro por acaso, primeiro através da rádio (foi sugestão de livro de dia na TSF num final de tarde de trânsito caótico por causa da Black Friday e da chuva) e no dia seguinte estava em destaque na FNAC. Foi o suficiente para lhe dar uma oportunidade e acabar por descobrir um dos melhores livros que se escreveu em Portugal nos últimos tempos. 

"A Gorda" está cheio de vida, de vida de gente normal e humana, na pele "da gorda", narradora de toda a história e personagem pela qual é impossível não nos apaixonar-mos. É a vida dela que preenche estas páginas e é uma vida que facilmente imaginamos como real (autobiográfica, será?). Este é um daqueles livros que nos enche as medidas todas e ainda transborda. Daqueles que nos deixam muitas saudades ainda no último parágrafo. Este é daqueles que vale a pena ler e que um dia vamos querer reler. Entretanto, vamos reomendando-o a toda a gente que gosta de ler bons livros!

Autora totalmente desconhecida para mim, mas tenho de lhe deixar aqui uma palavra de agradecimento por nos oferecer um livro tão bom! 

Juntamo-nos

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Juntamo-nos porque há a simpatia inicial, depois o enamoramento, mas também para que olhem por nós, nos tragam um chá ou um cobertor. Sabe bem haver quem se preocupe connosco, nos toque no braço, nos cabelos e nas mãos. Juntamo-nos porque é o que se faz há milhares de anos e o que se espera que façamos. Juntamo-nos para que as vidas se justifuiquem e legitimem, ao assemelharem-se a todas as outras. É assim que se faz. Juntamo-nos e ficamos nivelados e amparados. Juntamo-nos porque acreditamos amar-nos. Temos filhos. Entremos para esse exército, que é também um corpo diplomático. Habituamo-nos. (...) Amamos aquele com quem estamos juntos? Estamos juntos, não estamos? Chega de pormenores. Que interessa o resto? Que interessa quem amei mais? A minha mãe casou para se amparar, o tio Alberto amou toda a vida a cunhada e nem no leito de morte lho revelou, e a minha tia Inês negou-se ao rapaz por quem se apaixonou por estar prometida ao tio Alberto. Todos cumpriram as suas obrigações. Não terem acordado ao lado do objecto amado, não terem iniciado os gestos ou as palavras do amor não amputou a paixão. Amaram na presença e na ausência. É assim que se faz. O amor não anda ao nosso lado, o amor anda à solta nos peitos, como um pássaro engaiolado. Adormece-nos. Desperta-nos. Faz-nos sair e voltar a casa. Chorar. Rir. E se isto não é viver, o que é a vida?

"A Gorda", Isabela Figueiredo

«Nem todas as baleias voam», Afonso Cruz

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Em plena Guerra Fria, a CIA engendrou um plano, baptizado Jazz Ambassadors, para cativar a juventude de Leste para a causa americana. É neste pano de fundo que conhecemos Erik Gould, pianista exímio, apaixonado, capaz de visualizar sons e de pintar retratos nas teclas do piano. A música está-lhe tão entranhada no corpo como o amor pela única mulher da sua vida, que desapareceu de um dia para o outro. Será o filho de ambos, Tristan, cansado de procurar a mãe entre as páginas de um atlas, que encontrará dentro de uma caixa de sapatos um caminho para recuperar a alegria.

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   São as personagens, e as suas características e particularidades, que fazem a maravilha deste livro. Tristan é o meu preferido, o menino que "vê coisas", ou sentimentos, ou emoções, personificando (e humanizando) conceitos como a morte, a tristeza, a mágoa...depois há o pai deste menino, uma personagem pesada, melancólica, deprimida e apaixonada, há os amigos deste pai, há a mãe desparecida e os agentes da CIA, que serão secundários em toda a história... todos juntos fazem deste livro uma referência absolutamente obrigatória na literatura nacional, confirmando mais uma vez Afonso Cruz como um dos nossos melhores escritores.

   Prenda de Natal perfeita, acreditem! Tão cheio de vida e sentimentos. Tão bom!  

 

«O Projeto Rosie», Graeme Simsion

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Don Tillman está noivo. Mas ainda não sabe de quem.
Professor de Genética e pouco sociável, decide que chegou o momento de arranjar uma companheira, e elabora um questionário que irá ajudá-lo a encontrar a mulher perfeita.
Quando Rosie Jarman aparece no seu gabinete, Don assume que ela pretende concorrer ao "Projeto Esposa" e penaliza-a por fumar, beber, não comer carne e ser pouco pontual.
Mas Rosie não ambiciona tornar-se a Sra. Tillman. O seu objectivo é recorrer ao profissionalismo de Don, para que ele a ajude a encontrar o seu pai verdadeiro.

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   Um livro bastante engraçado e muito levezinho, óptimo para quebrar leituras mais pesadonas e exigentes. A história em si não traz nada de novo ou marcante, mas está bem escrito e a personagem principal, Don Tillman, é suficientemente engraçado e bem escrita para nos fazer gostar dele e querermos saber como tudo vai terminar. 

    Parece que é um livro que estará a ser adaptado ao cinema e, de facto, parece-me claramente aquele tipo de livro que poderá resultar em cinema americano para massas/juventude. 

   Não é um grande livro, está bem longe disso, mas é uma leitura bastante agradável. 

«O Pavilhão Púrpura», José Rodrigues dos Santos

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Nova Iorque, 1929. A bolsa entra em colapso, milhares de empresas fecham, milhões de pessoas vão para o desemprego. A crise instala-se no planeta.
Salazar é o ministro das Finanças em Portugal e a forma como lida com a Grande Depressão granjeia-lhe crescentes apoios. Conta com Artur Teixeira para subir a chefe de governo, mas primeiro terá de neutralizar a ameaça fascista.
O desemprego lança o Japão no desespero. Satake Fukui vê o seu país embarcar numa grande aventura militarista, a invasão da Manchúria, na mesma altura em que tem de escolher entre a bela Harumi e a doce Ren.
Lian-hua escapa a Mao Tse-tung e vai para Peiping. É aí que a jovem chinesa e a sua família enfrentam as terríveis consequências da invasão japonesa da Manchúria.
A crise mundial convence os bolcheviques de que o capitalismo acabou. Estaline intensifica as coletivizações na União Soviética e o preço, em mortes e fome, é pago por milhões de pessoas. Incluindo Nadezhda.

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Continuação do anterior "Flor de Lótus", continuamos a descobrir a vida e o destino das personagens centrais desta trilogia. À semelhança do que aconteceu com o primeiro livro, cheguei a um ponto em que tive de fazer uma pausa, pegar noutro livro e depois voltar a este. Não é que seja um mau livro, simplesmente é muito grande (quase 700 páginas) e por vezes torna-se demasiado teórico e político, o que tem a parte boa de nos ensinar imenso, mas que ao fim de umas quantas páginas se torna maçador. 

Agora é aguardar pelo desfecho desta história, que acontecerá apenas no próximo ano.