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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

As pessoas felizes lêem livros e bebem café (ou sobre a importância de sabermos o que nos faz felizes)

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Num mundo que corre cada vez mais rápido, saber abrandar é fundamental. Parar para apreciar o que de bom esta vida tem e saber reconhecer aquilo que nos preenche e reconforta a alma é cada vez mais um exercício obrigatório para mantermos os nossos níveis de energia e motivação em alta. 

Se falar é fácil e bonito, pôr isto em prática pode tornar-se um verdadeiro desafio. Julgo que facilmente todos nós somos capazes de identificar uma série de coisas que nos fazem realmente felizes, mas até que ponto somos capazes de realmente parar, desligar, para disfrutarmos dessas coisas? Até que ponto não estamos a fazer essas coisas felizes mas com a cabeça a fugir recorrentemente para lugares comuns e quotidianos? Milhentas vezes, certo? No que me diz respeito, certíssimo! 

Se a idade e a vida me têm ensinado a valorizar cada vez mais e melhor aqulo que realmente importa para mim e faz a diferença nos meus dias, a mesma idade e a mesma vida têm transformado a minha mente e as minhas entranhas numa garrafa de coca-cola que está constantemente a ser agitada. Desligar é para mim atualmente um exercício dificílimo! Pode parecer um contra senso; eu, psicóloga por formação e convicção, eu, que passo os meus dias a dizer "tenha calma, tudo se vai resolver"...mas já diz o ditado, em casa de ferreiro espeto de pau e é bem verdade. Aconselhar é fácil, saber o correto e o errado é possível, aconselhar é maravilhoso, mas quando viramos o espeto para nós é que conseguimos perceber que a teoria é realmente muito bonita. 

O meu esforço é constante e permanente, mas a minha ´ansiosa mente´ não tem remédio. Sou feliz a fazer uma série de coisas; tenho procurado rodear-me daquilo e daqueles que me fazem bem e me acalmam a alma; sei reconhecer quando estou a exagerar; sei que tenho de abrandar mental e fisicamente (a difuculdade que eu tenho e estar parada chega a ser assustadora!); sei isso tudinho, mas a garrafa de coca cola, que não bebo há séculos, continua a borbulhar cá dentro. Talvez também por isto, por reconhecer isto, cada vez valorizo mais a vida e cada vez me foco mais em aproveitar o meu tempo livre a fazer aquilo que mais gosto e me acalma. Dificilmente consigo desligar totalmente, mas algures lá pelo meio há momentos de calmaria! 

Se eu gostava de ser diferente? Gostava! Sou positiva, sou optimista, sei não dramatizar, sei gerir esta mixórdia toda que nos vai cá dentro. Mas também sei que esta minha característica me rouba anos de vida, me rouba sorrisos, me acelera os minutos e o metabolismo (é um facto!) e me faz descarregar muitas vezes em cima de quem não tem culpa nenhuma. Como positiva que sou resta-me acreditar que mais uma vez a vida, as pessoas e a experiência me vão ensinar a ser capaz de passar de garrafa de coca cola a garrafa de água. Entretanto vou continuando a tentar, sem nunca deixar de viver o que me faz feliz! Acima de tudo! O que quer que seja que nos faz felizes é o que tem de ser valorizado, é onde temos de investir o nosso tempo e o nosso dinheiro, se assim for necessário (e, venha quem vier, muitas vezes é necessário), seja em mais uma viagem de descoberta ou em 20 min sentada numa esplanada a beber um café e ler um livro.