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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

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...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Das praxes académicas: não são humilhação, vergonha, obrigação ou crime

   Este ano fará 11 anos que entrei para a universidade e 7 anos que de lá saí. Desses 4 anos de vida universitária, e embora o meu objectivo major sempre tenha sido o de tirar o meu cursinho o mais rapidamente e bem sucedido possível, as melhores recordações que guardo são as dos momentos de praxe académica. No meu ano de caloira não faltei a um dia de praxe e passei por todas as tradições. Vivi momentos verdadeiramente hilariantes, divertidos, loucos e inesquecíveis, que ainda hoje, quase 11 anos depois, ainda guardo claramente cá dentro. Nos anos seguintes mantive-me o mais academicamente activa possível e dei os meus toques na arte de praxar (apesar de não ter mesmo nascido para mandar). Nunca, em momento algum, me senti minimamento humilhada, envergonhada ou um "pau mandado" nas mãos de veteranos e doutores mauzões envoltos em capas negras e muito cheiro a álcool. Talvez porque a minha experiência foi muito positiva sempre aconselhei todos os caloiros a participarem nesta parte da vida académica, não tanto prque "é tradição", mas principalmente porque é uma excelente forma de nos enturmarmos, de criarmos relações, de conhecermos gente e de nos divertirmos, que torna toda a adaptação ao mundo académico muito mais simples e calorosa. Eu, que ingressei completamente sozinha naquela universidade, e que nos meus doces 17 anos caí de para quedas num local completamente desconhecido, considero que a praxe (mas não só, atenção!) foi fundamental para a minha integração e para o estabelecimento das primeiras relações que, directa ou indirectamente, me conduziram a relações de amizade mais profunda para os anos seguintes.

   É por tudo isto que sempre que ouço alguém, nomeadamente os órgãos de comunicação social, apontar um dedo acusatório e quase incriminatório a esta tradição académica, não consigo deixar de achar rídiculo e completamente sem fundamento tais acusações. O meu ponto de vista é muito simples: nisto das praxes, como em tudo na vida, cada um faz o que quer e vai até onde se sente à vontade para ir. Se algum "doutor" mais aparvalhado diz para fazer determinada coisa despropositada e inadequado e eu o faço, eu sou o único responsável por isso. O ser humano vai até onde o outro o deixa ir. Só sou um "pau-mandado" nas mãos de alguém, seja em praxes seja no que for, o defeito é meu e não de quem gosta de mandar e encontra quem lhe obedeça. Dizer "não, isso eu não faço" é talvez um dos maiores sinais de maturidade e personalidade e dizer "não" numa praxe académica é totalmente aceitável. No meu percurso não me recordo se alguma vez o fiz, pois não me recordo de algum momento mais embaraçoso ou em que me tenha sentido mal com o que se estava a passar (e acreditem, eu não sou aventureira). Não me recordo de ser obrigada a fazer seja o que for ou de alguma vez me terem faltado ao respeito ou ofendido...fiz o que quis, quando quis e como quis. Diverti-me. Aproveitei. E ganhei momentos que se transformaram em memórias significativas.

   Não apontem o dedo à praxe quando as coisas correm mal.Questionem antes a personalidade de cada, praxados e praxantes, e até que ponto esta as empurra para determinados comportamentos. Independentemente do que tenha acontecido naquela noite da tragédia do Meco, independentemente de as vítimas estarem ou não em praxe, independentemente de as coisas correrem mal ou bem, existe uma vontade individual que se transforma em realidade. E se alguém me diz "vai ali à beira-mar e molha-te" (é uma suposição, atenção!) e eu vou, a responsabilidade é toda minha. Mesmo que a "ordem" tenha sido inconveniente e arriscada, houve uma parte que obdeceu e que é a única que pode ser responsabilizada.

   Paz para quem partiu. Mas parem de apontar dedos acusatórios.

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