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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Dos limites do sofrimento humano

Não sei o que se passou verdadeiramente. Não conhecemos os factos, não conhecemos a história real, não conhecemos os verdadeiros motivos. Mas sabemos que existe uma mulher que se atirou ao mar com os dois filhos. Parece que há suspeitas de violência doméstica e abuso sexual. Sem certezas até à data, até porque não é ao público em geral que estas satisfações têm de ser dadas. O que é verdadeiramente importante e grave nesta história é que houve alguém que achou que o fundo do mar era o melhor futuro para si e para os seus filhos. Atendendo ao desfecho coloca-se a dúvida se esta mãe se queria realmente matar; será que se arrependeu; será que lhe faltou a coragem quando já era tarde demais para salvar os filhos; será, será, será... O que será certo é que havia desespero nesta mulher, um desespero tão grande e imensurável que não queremos acreditar que seja humanamente possível. E sofrimento. Muito sofrimento. Daquele que não conseguimos mais tolerar. Daquele que não se explica e só se compreende quando se passa por ele, muitas vezes sem retorno. Quando eu chego ao ponto de acreditar que matar os meus filhos é o melhor para eles algo de muito errado se passa com o mundo, com a vida e connosco, ser humanos. Faz-nos pensar que somos realmente capazes de tudo, até quem sabe matar por amor, por proteção... Não vou fazer julgamentos enquanto não se conhecer a verdadeira história. Porque tem de existir uma história por trás é uma história que precisa de ser contada, não para satisfazer a curiosidade mesquinha do povo mas para alertar para uma realidade dura que pode estar por trás de um sorriso de uma qualquer pessoa: o sofrimento emocional, mata. O sistema falhou? Esta família já estava sinalizada? As respostas demoraram tempo demais? A sociedade ignorou mais uma vez? Mais do que as respostas, é importante percebermos que estas coisas podem acontecer e não ser sinónimo de loucura. E que por mais que se esteja em alerta, por mais que se diga que é importante estar atento aos sinais e avisos, estas coisas vão continuar a acontecer, porque o verdadeiro sofrimento é silencioso; porque quem tem a coragem (ou covardia) de tomar uma decisão destas não o faz com avisos prévios. Porque todo o ser humano tem limites. Todo. E há coisas que nunca, nunca, se conseguirão evitar. Que nos fique na memória. Que aquelas crianças estejam agora em paz. E que aquela mãe algum dia recupere de algo com que dificilmente conseguirá alguma vez viver.

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