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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Eles são os tais

 

Quem diria que iamos chegar aqui
E ter uma vida séria como eu nunca previ
E é tão bom acordar de manhã olhar para ti
Antes de ir bulir naquilo que eu sempre curti

Ai há bebé
Somos os tais
Ai há bebé
Que viraram pais
Ai há bebé
Firmes e constantes
Ai há bebé
Produzimos diamantes
E a nossa filha já vai ter um mano ou mana
Ainda ontem mal abria a pestana
Quero uma ilha catita com uma cabana
Porque amor já tenho a montes o algodão não engana
Foi contigo que eu matei tantos demónios
Foi contigo que salvei tantos neurónios
Vejo-nos felizes citadinos ou campónios
Não fiques muito triste por não gostar de matrimónios
Tens o anel não precisas do papel
Fazemos nós a festa até te canto o Bo Te Mel
Desta vez eu tiro a carta nem que leve um ano ou dois
Por enquanto continuas conduzes pelos dois

 

   Duas coisas sobre esta música: uma bela declaração de amor e uma valente chapada na dita sociedade responsável. 

   Passo a explicar rapidamente: é fácil apontar o dedo aos jovens irresponsáveis, que querem é fumar umas ganzas e curtir um som e que pensam que a vida vai ser sempre isto, ou seja, nada! É fácil pensar que nunca sairão daquilo, que nunca serão ninguém, que são a "geração rasca" (quando ainda não pensava nisso de estar à rasca), que serão sempre yas e yos de boxers à mostra e boné na cabeça. É mais fácil pensarmos assim que acreditarmos que essa forma de vida poderá ser apenas uma fase, que poderá ser crescimento, independentemente de concordarmos com ele ou não, já que não precisamos de nos identificar com ele, pois o que não é a nossa vida não é para ser tomado como nosso numa perspectiva de gosto/não gosto. É difícil acreditar que aquela cambada de irresponsáveis, hoje, seja quanto tempo depois for, se tornaram adultos responsáveis, que souberam juntar a cabeça ao corpo e membros. Que ganharam juízo, encontraram o caminho, aprenderam o que tinham a aprender com as eventuais asneiras que fizeram (ainda que possam ser asneiras apenas para nós). 

   O ser humano tem uma incrível capacidade de mudança. E de aprendizagem. Sobretudo de aprendizagem. Ninguém é um jogo com uma só solução. Ninguém tem um caminho traçado, um final inevitável, um destino inalterado. E acima de tudo, ninguem, ninguém é, eternamente, aquilo que hoje é ou aquilo que os outros julgam que ele é. 

   Eu gosto destas mudanças radicais, destes "abrir a pestana", destas chapadas que deixam marcadas na cara a frase "eu posso ser mais do que aquilo de que me julgas capaz". E a declaração de amor onde fica? Fica bem clara:  Foi contigo que eu matei tantos demónios/Foi contigo que salvei tantos neurónios/Vejo-nos felizes citadinos ou campónios. Porque muitas vezes o amor pode mesmo salvar-nos, ser a solução, ser o caminho, ser o abre-olhos, ser aquilo que nos faz mudar e nos torna aquilo que hoje somos. 

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