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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

"Her" e a solidão

 

   Solidão. É disto que fala este filme. É isto que é este filme.

   Numa época em que vivemos cada vez mais conectados virtualmente mas totalmente desconectados das relações humanas reais, este é um filme que, passado num futuro ainda mais virtual que o nosso presente (está visto que isto tem tendência para piorar), nos mostra que o ser humano vai sempre procurar incansavelmente estabelecer relações com alguém, chegando mesmo a contentar-se com relações virtuais, não-humanas diria mesmo. Relações sem corpo, sem toque, sem cheiro, sem olhos nos olhos, mas com uma voz que nos diz tudo aquilo que nós queremos (ou precisamos de) ouvir. Neste mundo completamente virtual que é o filme e para o qual caminhamos a passos largos e assustadores, perdeu-se a capacidade de estar com o outro real. Tudo está à distância de um chamamento dirigido a uma máquina, o mundo parece uma realidade fácil e as relações assumem uma nova dimensão de "operating system". Relamente, tudo parece fácil. Mas a solidão é tanta, que chega a doer pensar que um dia nós, que hoje somos espectadores, podemos ser as personagens principais de uma realidade que facilmente deixa de ser real de tão virtual que é.

   Solidão. É isso que está neste filme.

   E é isto que vai estar nestas vidas quando deixarmos de abraçar as pessoas para passarmos a abraçar vozes.

 

Nota final: ainda assim, tenho de dizer que este filme não me encheu as medidas...