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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Ler: Filho Único, Rhiannon Navin

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Este foi um dos melhores livros que li este ano. Nunca será um grande clássico da literatura mas é um livro com uma brutalidade emocional que não nos deixa indiferentes. O enredo é simples e até tinha tudo para ser só mais um livro de ficção baseado na realidade: um maluco entra numa escola armado e começa a disparar em todas as direcções, ferindo e assasinando diversas pessoas, crianças incluídas. Zach Taylor tem 6 anos e estava na escola nesse dia, viveu este pesadelo e o seu irmão mais velho é morto no atentado. A partir daqui temos o relato do episódio por esta criança de 6 anos, o trauma que esta vivência lhe deixou e a forma como a família gere o luto de um filho perdido de uma forma tão brutal, alienando-se do filho que sobreviveu. Podia ser só mais um livro, como disse, mas tem relatos tão emocionais e brutais na voz deste menino de 6 anos, que passou de só mais um livro para um grande livro! 

 

O homem armado apareceu e a vida real desapareceu, e agora era como se vivêssemos numa nova vida falsa. (...)

Fora da nossa casa, parecia que tudo o resto estava normal e igual. quando olhei pela janela do meu quarto reparei que a vida continuava na nossa rua, e era como antes. O senhor Johnson continuava a levar o Otto a passear pelo bairro, o camião do lixo ainda veio, e o carteiro trouxe na mesma o correio às 4 da tarde, sempre quase à mesm hora. Todas as pessoas que não pertenciam à nossa casa faziam o seu dia normal, e perguntava-me se saberiam que dentro da nossa casa tudo tinha mudado. 

A única coisa do exterior que era igual ao interior da nossa casa era a chuva. Chovia e chovia sem parar, e era como se nunca fosse parar, tal como a mamã, que chorava e chorava e nunca parava. 

Ais estavam a passar as mesmas coisas de sempre na televisão, e os anúncios ainda falavam dos mesmos assuntos, como, por exemplo, do quão maravilhosos eram os cereais Frooot Loops, como se tudo fosse como antes e como se isso ainda tivesse importância. Achei que, se visse os programas que normalmente vejo, talvez me fizessem sentir menos esta nova vida falsa, mas agora as piadas do Phineas e Ferb já não pareciam tão divertidas, e mesmo quando aparecia uma engraçada não me ria. Porque sentia que quase tudo no meu interior era o oposto de rir.

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