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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O amor depois do amor

   Nuno Markl e Ana Galvão vão se separar. O que é isto me interessa, perguntam vocês e muito bem. Pouco ou nada. É a vida deles, é a decisão deles, são mais um dos muitos casais que um dia percebem que, afinal, acabou. 

   O que me chamou a atenção nesta história foram as palavras dos próprios relativamente a este fim de história. Que afinal nem será um fim de história. 

"Nestes oito incríveis anos, fizemos das nossas diferenças união, rimo-nos das mesmas coisas, lemos frequentemente o pensamento um do outro. Talvez por isso tenhamos conseguido perceber que, a dada altura, pode acontecer que aquilo que nos separa, acabe por, de facto, nos separar. E sentimos que a nossa relação era preciosa demais para ser sepultada nas infelizmente habituais muralhas de não-comunicação em que tantos casamentos descambam. É uma decisão dos dois. Desculpem, senhores da imprensa cor-de-rosa: não houve discussões, não houve acontecimentos mirabolantes. Apenas o final de uma história de duas pessoas que sempre se respeitaram, continuam a respeitar-se a admirar-se mutuamente.(...) Que nunca se acabe a comunicação entre quem ama. Mesmo quando o amor acaba. Ou se transforma noutra coisa."

  Ora a isto eu só consigo chamar amor. Amor puro. E uma enorme maturidade e inteligência emocional que só pode existir em pessoas que realmente sabem o que querem e o que sentem. Porque isto também pode ser um happy ending. Porque isto é amor. É o amor. Construído a dois, vivido a dois; amor que foram alimentando e que um dia perceberam que deixou de fazer sentido daquela forma que anteriormente fazia. Para quê discutir, para quê barafustar, para quê dramatizar? Porque não tomar apenas consciência e assumir que o amor é eterno, sim, mas muitas vezes deixa de fazer sentido a dois, com aqueles dois? E é nessa altura que ele deve demonstrar toda a sua força, em palavras como estas, em finais como estes. 

 Todos os amores deviam ser assim. Vividos enquanto fazem sentido e transformados noutra coisa, igualmente boa, igualmente eterna, quando deixam de fazer sentido. Provavelmente há sofrimento na mesma, e tem de o haver, mas com certeza também haverá muita paz de alma e de coração para seguirem em frente, com respeito, com amor e com um filho traquilizado. E felizes. 

   Porque as boas palavras nunca são demais: 

Que nunca se acabe a comunicação entre quem ama. Mesmo quando o amor acaba. Ou se transforma noutra coisa."