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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Para todas e cada uma de nós, mulheres

Comandamos o mundo porque sabemos fingir tudo: que amamos quando sentimos asco, que não amamos quando ardemos em desejo, que temos prazer sem ter, que sofremos quando estamos a ser abusadas, mesmo que daí tiremos algum prazer. Conseguimos fazer crer que estamos prenhas sem estar, sabemos como nos livrar dos filhos indesejados e fazer com que isso pareça um acidente, sabemos calar-nos quando a sensatez o manda e espalhar as intrigas quando é do nosso proveito.

Somos nós que costuramos e que cozinhamos e, por isso, se quisermos envenenar alguém, sabemos como fazê-lo através da comida ou dos panos. Somos nós que amamentamos os homens quando eles nascem e eles precisam de nós para sobreviver. E somos nós que os geramos, que os parimos, que damos seguimento aos seus sonhos e ambições de sucessão. Somos as rainhas dos nossos lares, as senhoras dos nossos catres e dos nossos castelos. Sabemos agradar tão bem quanto desprezar. Conhecemos as fraquezas dos homens e fazemo-nos tontas perante eles para que os possamos manobrar melhor, como se manobra o boi no arado ou o cavalo montado. 

Sabemos em que dias podemos emprenhar e como contar as luas para enganar quem pretendemos. E quando ficamos à espera de um filho, apenas nós sabemos quem é o pai. Não admira por isto tudo que os homens mais astutos e mais sábios nos temam tanto. Nós somos as grandes feiticeiras do mundo, as senhoras do poder mais forte que é o poder do desejo, comandado pelo pecado mais perigoso, o da luxúria. Os filhos respeitam-nos e os homens temem-nos, mas ninguém nos entende, porque somos seres complexos, dúbios, dissimulados. Numa palavra, somos mulheres. 

"Minha Querida Inês", Margarida Rebelo Pinto

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