Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Então e o espírito natalício?

  Gosto do Natal. Adoro a época natalícia. Pela magia, pela cor, pelos cheiros, pelas músicas, pela árvore de Natal, pelas decorações, pelas luzinhas a piscar, pelas prendas (dar e receber), pelos desenhos animados de natal (que são cada vez menos), pela noite de Natal, pela família...Em Novembro já penso como vou decorar a casa e o pinheiro este ano. Fazem-se comprinhas de novos elementos decorativos e espera-se o feriado de 1 de Dezembro para encher a casa de Natal.

  Hoje é dia 2 de Dezembro e não podia estar mais triste. O Natal ainda não chegou e não vejo quando vá chegar. E porquê? Porque a mummy se lembrou de remodelar a casa precisamente nesta altura, nomeadamente a sala de jantar, e a nova mobília teima em não chegar, de maneira que fui proibida de abrir as portas ao Natal até à chegada da dita. Fazem ideia da tristeza que me assalta, agora que já vejo tanto pisca-pisca por esses lares todos? 

   Quero o meu Natal!!! 

No meu deserto - dia 2

   Foi mesmo verdade. Às 4h em ponto ligaram para o quarto. Time to go!

   Depois de um pequeno-almoço ligeiro, dada hora demasiado prematura e ainda noite, o confronto com o já habitual calor e os nossos meios de transporte para esta primeira fase do dia. Uns confortáveis 4x4...

 

    Reunidos os grupos para cada veículo, de novo o deserto. Mas antes as pequenas povoações que àquela hora já andavam na rua, já compravam pão, já estavam sentadas no café, já viviam, quando todos nós sonhavamos ainda com uma caminha fresquinha.

   A viagem decorre naturalmente. Primeira paragem. No deserto. Noite ainda. Nada a ver...mas eis que...

   O Sol começa a nascer. Foi por isso que parámos, foi por isso que acordámos tão cedo. Para termos o timing perfeito. E abençoado guia que nos fez saltar da cama ainda noite assistirmos a um fenómeno único: o nascer do Sol, em pleno deserto do Sahara. Magnífico!!! Sem palavras. Uma agradável surpresa. Ninguém conseguia tirar os olhos do astro rei. Da sua força, do seu calor, da sua cor e da rapidez com que apareceu. Escusado será dizer que, assim que apareceu, a temperatura subiu uns 20 graus. 5h30 da manhã e um sol como nem os melhores dias de Verão nos oferecem neste nosso cantinho à beira mar plantado.

   Hora de prosseguir a viagem, agora já dia, com o sol como companheiro. Destino: TAMERZA, CHEBIKA, onde se situam as maiores montanhas de deserto da Tunísia, montanhas essas que atravessam todo o deserto, passando por Marrocos, Argélia e Tunísia.

   Hora de uma bela caminhada por entre os trilhos das montanhas, por onde ainda se encontram vestígios de casas antigas, desfiladeiros e paisagens de cortar a respiração. Ao fundo, uma das duas famosas cascatas da zona. Estamos a esta altura, a 16Km da fronteira com a Argélia.

   Uns quilómetros mais à frente, desta vez a 4km da fronteira com a Argélia, nova paragem, nova cascata, novas montanhas.

  

   Uma imensidão que nos faz querer abrir os braços e gritar com todas as nossas forças...(não fosse o facto de o relógio não marcar ainda nem 7h da manhã e certamente tal teria acontecido). 

   Agora, de volta ao autocarro e por esse deserto fora, rumo a um dos maiores oásis do Norte de África.  A paisagem não muda: areia e rocha, areia e rocha.

 

   Eis-nos chegados ao nosso destino, uma pequena povoação da qual não me recordo o nome, onde nos espera uma visita ao oásis, numa espécie de "carroça", puxada por um lindo cavalo.

Foto retirada da internet

   Ali pudemos ver plantações de tudo e aprender um pouco mais sobre este país. Houve até tempo para ver um senhor local, de 65 anos, a trepar uma palmeira, enquanto proferiu o seu já característico "grito de guerra": uh uh.

   A próxima paragem será para almoçar...às 11h30m (maravilhas de quem toma o pequeno-almoço às 4h20m). Desta vez fomos surpreendidos com um verdadeiro almoço, totalmente ocidentalizado, num hotel 5*****, às "portas de saída" do sul tunisino, ou seja, do deserto.

   A última paragem será em KAIROUAN, no interior da Tunísia, a 4ª cidade santa do mundo Islâmico, onde iremos visitar a mesquita.

   Aqui sim encontrámos um calor insuportável. No deserto, o calor, embora imenso, é muito mais suportável e é até muito raro alguém transpirar. Aqui, no interior, era o calor mesmo calor, o calor que queima a pele, que incomoda, que derrete.

   Mais uma vez um ambiente impressionante. Por ser 6ªf, era dia santo, ou seja, o dia em que todos se deslocam à Mesquita da sua terra para rezarem, sempre em determinadas horas. O momento da nossa visita (exterior apenas, por ser dia santo) coincidiu com um dos períodos de reza. E é no mínimo estranho passear por aquelas ruas e de repente ouvir aquelas espécies de cantos expelidas pelos altifalantes que circundam a Mesquita e que chamam o povo para a oração. E depois é vê-los "vestidos a rigor" a encaminharem-se para o interior da Mesquita, homens por uma  porta, mulheres por outra, sem nunca se verem, se nunca se olharem, deixam os sapatinhos à porta e sentam-se no chão, iniciando as suas orações. Tanta devoção, impressiona.

Foto retirada da internet

 

   Em 45minutos estaremos de regresso aos nossos hotéis. Exaustos. Mas satisfeitos e com a sensação de que todo o esforço, todo o calor, todos os Km (mais de 1000, segundo o guia) foi recompensado a cada olhar, a cada fotografia, a cada experiência e a cada memória que guardamos bem cá dentro.

   À chegada aos hóteis, hora das despedidas. Bateu uma saudadezinha instantânea daqueles momentos, de todas as "aventuras" que partilhámos. Era, de facto, um excelente grupo. Amistoso, divertido, simpático, conversador, brincalhão (só assim as eternas horas de viagem no autocarro poderiam ser animadas). Ficaram contactos, laços. Partilha. Foi comum passear nos dias seguintes pela Medina da zona e ouvir "Oláaa amigo português!", ou encontrar "os vizinhos do lado do autocarro" numa loja e ficar à conversa com eles. A componente humana valorizou ainda mais esta já por si magnífica excursão.

   Nos dias seguintes, as conversas giram em torno da viagem. Quem foi quer contar tudo o que viu e não encontra palavras. Quem não foi quer saber o que perdeu e fica com vontade de ir.  Eu recomendo vivamente. Cansativo? É, e muito! Mas tudo é esquecido perante tamanha beleza. É um mundo de contrastes, é a diferença, e é isso que nos marca, o diferente de nós, o que nos põe a pensar em tudo o que temos ao pé daquelas gentes, o que nos faz dizer "Uau!" perante tanta beleza, tanta imensidão, tanta quase-perfeição.

   Estou, oficialmente, rendida ao deserto, ao vazio. Àquele nada, que é tanto, que é tudo!

  

 

Este blog vai de férias

  

   As malas estão prontas (alguém sabe um modo prático de fazer malas? Um verdadeiro sacrifício para mim! Como posso deixar tanta roupinha e tanta sandália triste, só e abandonada aqui em casa?), os livros estão escolhidos, as revistas de moda compradas, a máquina fotográfica pronta, os bilhetes estão em cima da mesa, o passaporte está guardado, o corpinho pronto para entrar num avião (depois dos últimos acidentes, os bichinhos da cabecinha entraram ao serviço e não me deixam em pleno estado de sossego) e o comprimido do enjoo pronto a ser tomado (sim, eu também enjoo ao andar de avião. A vantagem? O comprimido dá um sono terrível, de maneira que nem dou pelo tempo de viagem passar).

   O destino: TUNÍSIA, mais propriamente Hammammet. Destino repetido pela 2ª vez e com vontade de o conhecer mais e melhor, pois fiquei apaixonada por aquela cultura, aquelas cores, aqueles cheiros, aqueles sons, aquelas pessoas...

   Durante os próximos 9 dias, repousarei algures numa destas cadeiritas da praia ou da piscina, do Hotel Iberostar Averroes****, este sim uma estreia (dá última vez fiquei no Iberostar Solaria*****).

 

   Desde já a certeza de que estas férias não significarão nem metade do que a anterior visita significou, uma vez que o namorado fica por cá, agarrado aos livros e às matemáticas, pois há um curso para acabar e essa é a nossa prioridade neste momento. Sigo para uns dias de pleno descanso com os meus papás (uma das muitas vantagens de se morar com os pais é que para onde eles vão, eu posso sempre ir atrás, e nada os deixa mais felizes!).

   Espero regressar de baterias carregadas, coração calmo e mente relaxada.

 

   ATÉ JÁ