Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Não gostasse o povo português de falar sobre a vida alheia...

   O que me parece a mim é que temos na Assembleia da Républica um número significativo de cobardes que quando a questão não lhes agrada ou "pode dar para o torto" gostam de passar a batata quente para o povo numa de "vós decidis e se correr mal não reclamais porque foi o que vós descidistes".

   Sinceramente acho que é vergonhoso e uma clara forma de discriminação o simples facto de se colocar a hipótese de um referendo para determinar liberdades em questões como esta da adopção por casais homossexuais, do casamento homossexual ou até da interrupção voluntária da gravidez. Se pararmos um segundinho para pensar vamos perceber que o que nos estão a pedir, em todas estas situações, é para sermos nós a decidirmos sobre a vida privada de cada um, sobre questões pessoais de gente que nem sequer conhecemos. Não há liberdade nisto, não há democracia, não há cidadania, não há século XXI. Há pessoas primitivas que julgam que a melhor solução passa por acabar com a liberdade individual de cada um e passar a gestão da vida pessoal, intíma, sentimental, familiar...de cada um para o domínio geral, para o povo. "Eu só caso se o meu povo achar que eu posso casar". "Nós só vamos ser pais/mães se o meu povo achar que nós o podemos ser", "eu só vou poder decidir sobre o que fazer com o meu corpo e com a minha vida se o meu povo me der essa liberdade de decisão"...REsumindo: "Eu só vou poder viver uma vida plena, realizada e feliz se o país achar que eu o posso fazer".  

   Não, eu não me sinto feliz por o meu país me "dar ouvidos", porque o que o meu país quer é que eu decida, determine, sobre vidas privadas que não a minha. E o que eu gostava é que todos nós, que somos chamados a decidir, passassemos um dia pela experiência de ver a nossa vida em suspenso pela decisão de um povo. Quantos de nós iriam aguentar?