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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

«A Gorda», Isabela Figueiredo

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Maria Luísa, a heroína deste romance, é uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, voluntariosa e com uma forte personalidade. Mas é gorda. E isto, esta característica física, incomoda-a de tal modo que coloca tudo o resto em causa. Na adolescência sofre, e aguenta em silêncio, as piadas e os insultos dos colegas, fica esquecida, ao lado da mais feia das suas colegas, no baile dos finalistas do colégio. Mas não desiste, não se verga, e vai em frente, gorda, à procura de uma vida que valha a pena viver.

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Um dos melhores livros que li este ano. Começo já assim e podia terminar por aqui, porque já disse tudo o que importa! 

Descobri este livro por acaso, primeiro através da rádio (foi sugestão de livro de dia na TSF num final de tarde de trânsito caótico por causa da Black Friday e da chuva) e no dia seguinte estava em destaque na FNAC. Foi o suficiente para lhe dar uma oportunidade e acabar por descobrir um dos melhores livros que se escreveu em Portugal nos últimos tempos. 

"A Gorda" está cheio de vida, de vida de gente normal e humana, na pele "da gorda", narradora de toda a história e personagem pela qual é impossível não nos apaixonar-mos. É a vida dela que preenche estas páginas e é uma vida que facilmente imaginamos como real (autobiográfica, será?). Este é um daqueles livros que nos enche as medidas todas e ainda transborda. Daqueles que nos deixam muitas saudades ainda no último parágrafo. Este é daqueles que vale a pena ler e que um dia vamos querer reler. Entretanto, vamos reomendando-o a toda a gente que gosta de ler bons livros!

Autora totalmente desconhecida para mim, mas tenho de lhe deixar aqui uma palavra de agradecimento por nos oferecer um livro tão bom! 

Juntamo-nos

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Juntamo-nos porque há a simpatia inicial, depois o enamoramento, mas também para que olhem por nós, nos tragam um chá ou um cobertor. Sabe bem haver quem se preocupe connosco, nos toque no braço, nos cabelos e nas mãos. Juntamo-nos porque é o que se faz há milhares de anos e o que se espera que façamos. Juntamo-nos para que as vidas se justifuiquem e legitimem, ao assemelharem-se a todas as outras. É assim que se faz. Juntamo-nos e ficamos nivelados e amparados. Juntamo-nos porque acreditamos amar-nos. Temos filhos. Entremos para esse exército, que é também um corpo diplomático. Habituamo-nos. (...) Amamos aquele com quem estamos juntos? Estamos juntos, não estamos? Chega de pormenores. Que interessa o resto? Que interessa quem amei mais? A minha mãe casou para se amparar, o tio Alberto amou toda a vida a cunhada e nem no leito de morte lho revelou, e a minha tia Inês negou-se ao rapaz por quem se apaixonou por estar prometida ao tio Alberto. Todos cumpriram as suas obrigações. Não terem acordado ao lado do objecto amado, não terem iniciado os gestos ou as palavras do amor não amputou a paixão. Amaram na presença e na ausência. É assim que se faz. O amor não anda ao nosso lado, o amor anda à solta nos peitos, como um pássaro engaiolado. Adormece-nos. Desperta-nos. Faz-nos sair e voltar a casa. Chorar. Rir. E se isto não é viver, o que é a vida?

"A Gorda", Isabela Figueiredo