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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Gosto de ti, mas não todos os dias

retirado integralmente do artigo com o mesmo título publicado na Elle de Nov.2012
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   Como vivemos o amor aos 20 anos? Com a intensidade própria da idade: borboletas no estômago, falta de apetite, um sorriso apalermando. Como o vivemos depois dos 30? "Adoro-o. Faz-me rir, mas..." Há outra frase recorrente: "Hoje apetece-me estar sozinha". Di-la para si própria enquanto tira os sapatos e ocupa por inteiro o seu sofá, com o comando na mão. Isto depois de ele ter telefonado a convidá-la para ir jantar a um restaurante que você adora... Disse que não. E não se arrepende. O problema é que não consegue evitar uma sensação de culpa, como se fosse errado não querer estar sempre com ele.

   A culpa não é sua mas sim dos contos de fada da infância, das novelas da noite, das comédias românticas. A verdade é que o amor tem altos e baixos. Se assim não fosse, não dormiríamos, não comeríamos, perderíamos o nosso espaço. Seria um pesadelo.

   Com o passar dos anos (leia-se maturidade) os nervos da paixão dão lugar a outros sentimentos: compromisso, interesses comuns, individualidade, respeito, companheirismo e, claro, amor. "Passada a turbulência hormonal da adolescência, compreendemos que podemos estar apaixonadas sem ter de amar o outro o tempo todo", confirma a socióloga Ana Lecumbe. A conta é 1+1=1+1!

   A mar é complicado. Ter uma vida em comum, é um milagre. É sempre mais fácil destruir do que construir. Mas, à medida que crescemos emocionalmente, conseguimos criar uma distância saudável.

   (...) "Fazer questão de manter o nosso próprio espaço é muito importante para construir um vínculo saudável", explica Marta Méndez, terapeuta de casais. E acrescenta: "Uma relação implica, mais do que estar sempre colado ao outro, um pacto que define os tempos e os espaços de cada um. Implica ter confiança em nós mesmas e conseguir desfrutar da vida sem a necessiadade da presença constante do outro. Se precisamos de estar sozinhas, temos de aceitar que eles também tenham essa necessidade", remata a terapeuta.  (...) "É preciso manter a individualidade para não nos perdermos na relação", recomenda Méndez. A simbiose permanente mata o que nos torna únicas, o que fez com que ele se apaixonasse por nós.  

A saúde mental dos portugueses, segundo Pedro Afonso, psiquiatra

   Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

   Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida. 
   Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

   Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos. 
   Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos. 
   Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

   Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria. 
   Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais. 
   E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente. 
 

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

Se todo o mundo fosse indiano

- 90% teriam um trabalho informal.

- 70 anos seria a esperança média de vida.

- 61% das pessoas saberiam ler.

- 1 em cada 27 pessoas moraria numa barraca.

- 1 em cada 9500 pessoa seria milionária.

- 2% teriam carro, os restantes viajariam de autocarro, comboio, a pé ou em qualquer animal.

- 60% das pessoas trabalhariam na agricultura.

- 2% teriam acesso à internet.

- 34% teriam telemóvel.

- 31% das pessoas seriam vegetarianas.

- 21% dos homens e 2% das mulheres consumiriam bebidas alcoólicas.

(Dados da revista Super Interessante)

 

   Ando à descoberta de estes e outros segredos da cultura indiana. Fascinante, por sinal!

Emoção na ponta do nariz

   «Imagine uma vida sem o aroma de uns lencóis lavados, de um bolo de chocolate a cozer no forno, do perfume do seu pai (...). Consegue? Um mundo sem cheiro, como um mundo sem cor, é como uma música com um só acorde: existe na mesma, mas não tem a beleza que ganha com as restantes notas.»

   O poder dos aromas é muito maior do que pensamos. Eles, tal como as cores, chegam-nos para nos darem informações sobre o meio ambiente que nos rodeia. Tanto nos pode dar uma sensação imediata de prazer ou nostalgia, como nos pode causar aversão. Isto porque assim que os cílios captam os cheiros, reconhecem-nos e enviam a informação para as regiões límbicas do cérebro, as principais responsáveis pelas questões emocionais e de memória.

   É como se a emoção estivesse na ponta do nosso nariz. E é  devido a esta estreita ligação entre o olfacto e a emoção que sentimos que um aroma do passado equivale a uma viagem no tempo que nos transporta mentalmente para o lugar ou situação em que o sentimos pela primeira vez. E, mesmo sem memórias, há odores que têm o poder de nos deixar bem-dispostos quando os sentimos. Tudo por causa do significado que têm em nós e para nós. Uns despoletam memórias contidas em nós, outros carregam moléculas que são captadas pelos receptores sensoriais e que o cérebro traduz como amistosos e prazerosos.

   Os cheiros (e as cores) transportam-nosp ara momentos bem passados, criam memórias e conseguem, só por si, alterar o humor. São a nossa ligação directa ao mundo. Uma ligação bem cheirosa e bem positiva.

  

A Alegria pega-se...

Heidi Klum

...é este o titulo de um artigo que nos diz que a capacidade de encarar a vida com optimismo é transmissível.

   Segundo um estudo realizado por investigadores norte-americanos, o responsável pelo nosso estado de espírito radiante pode ser um amigo, um amigo de um amigo ou até mesmo um amigo de um amigo de um amigo. Pode até ser um perfeito desconhecido, alguém que nunca vimos na vida. Estes investigadores acompanharam cerca de 5000pessoas ao longo de 20 anos e descobriram que o sentimento se propaga através das redes sociais, ou seja, a Felicidade é contagiosa!

   É como se as redes sociais fossem uma imensa manta de patcwork. Ligamo-nos a outras pessoas, que se ligam a outras, que se ligam a outras e assim sucessivamente. As pessoas a quem nos ligamos têm um impacto na maneira como nos sentimos. Assim, quantas mais pessoas felizes conhecermos, mais felizes seremos. Isto significa que somos centrais na nossa rede social, por isso, estar junto daqueles que nos fazem sentir bem, fazendo-os sentir bem também, parece que é coisa séria e importante. Se assim é e se a felicidade é mesmo contagiosa, podia que bem tornar-se endémica.

   Que alegria seria!

Fórmula da Longevidade

   A revista LuxWoman deste mês presenteia-nos com um artigo carregado de esperanças e boas intenções. Intitula-se "Para uma vida mais longa" e mostra-nos como pequenos gestos contribuem para somar anos à nossa vida. A saber:

   - Felicidade: +9 anos (começamos logo pelo mais complicado e mais relativo também)

   - Optimismo: +8anos (aqui está um que me agrada particularmente)

   - Casamento: +7anos e Divórcio: - 3anos (a meu ver, tudo dependerá do casamento, do significado deste e do sginificado do próprio divórcio, que muitas vezes até pode acrescentar anos de vida a uma pessoa)

   - Stress: - 2anos (e agora ficámos a saber que estamos TODOS condenados a -2anos de existência)

   - Riso: +1ano (assim tão simples? Afinal rir é mesmo o melhor remédio)

   - Animais de companhia: +2anos (e aqui está a desculpa que faltava para trazer um gatinho cá para casa).

   - Filho único: -5anos (5 anos??? Será castigo pelo mimo, pela atenção única? Eih!!Euñão pedi para ser filha única!Ou se calhar até pedi...)

  - Ser baixo: +5anos (e aqui compenso os 5 anos perdidos no ponto anterior. eu sabia que ser baixa haveria de ter as suas vantagens)

   - Fazer alongamentos: +1ano (alonga-se o corpo e vai que não vai, alonga-se a vida também)

   - Ser activa: +4anos (e quem não o é na sociedade actual?)

   - Excesso de exercício: -2anos (por aqui também não me apanham de certezinha)

   - Não dormir o suficiente: -5anos (foi por isso que hoje acordei ao meio dia...)

   - Bom Sexo: +4anos (e não é que só traz benefícios?)

   - Vida citadina: -3anos (são 3 anos a menos, mas não os trocava por nenhuma terrinha no meio do nada)

   - Quarto com vista: +2anos (com vista para onde? O meu tem vista para a rua e para as árvores, Serve?)

   - Sol: +2anos (e que bem me vão saber estes 2 aninhos extra,,,de sol, muito sol)

   - Lavar as mãos: +2anos (já era viciada, então agora...são 2 anos minha gente!)

   - Desportos radicais: -5anos (andar de salto alto na calçada portuguesa é desporto radical, certo?)

segredos do consumo

   Paco Underhill, antropólogo que há 25 anos estuda as pessoas enquanto fazem compras, revela factos interessantes em entrevista à revista Sábado.

   Acerca da crise financeira, diz que a recessão se reflecte no facto de as pessoas passarem mais tempo nos corredores, a analisar os produtos e os preços, abandonando a compra de muitos dos artigos escolhidos, motivo pelo qual as lojas se encontram mais desarrumadas.

   Numa altura em que comprar deixou de ser uma actividade lúdica, uma atenção especial deve ser dispensada às mulheres, afinal são elas quem mais consome. As mulheres da actualidade, mulheres de carreira e mulheres de família, têm horários apertados, precisam de entrar e sair muito mais rapidamente, por isso é preciso prestar atenção ao design dos carrinhos de compras, à maneira como são planeados os provadores, os espelhos e as próprias lojas.

   Também nas compras as diferenças de géneros se reflectem. Segundo o antropólogo, os homens compram como caçadores: querem encontrar o alvo e sair porta fora o mais depressa possível. Já as mulheres conseguem passar uma tarde inteira num shopping e regressar sem comprar nada, pois têm prazer só no acto de olhar. E o olhar parece ter uma influência crítica no processo de compra: olhamos em frente e virar a cara para o lado já implica esforço, por isso os expositores que se encontram ao fundo dos corredores são sempre os mais eficazes.

   Fundamental também é o toque. As pessoas têm necessidade de tocar em tudo, daí que manter os artigos dentro de embalagens e sacos, que muitas vezes são abertas pelos consumidores, pode prejudicar as vendas. A existência de exemplares de experimentação é a melhor solução.

   Curioso neste antropólogo é a sua ideia de que as zonas comerciais deveriam ter "estacionamento para maridos": locais onde estes se pudessem sentar a ler o jornal ou falar ao telemóvel, enquanto esperam pelas mulheres que andam às compras.

   Por fim, deixa-nos as 5 coisas mais odiadas pelos consumidores: mau atendimento no momento do pagamento, sujidade nas lojas, falhas de stock, lojas muito grandes onde se perdem e a falta de empregados ou empregados mal-educados.

Pensar é esquecer

 

 

  Michael Anderson, especialista em investigação sobre a memória da Universidade de Oregon, tentou calcular o custo da "evaporação" de memórias. Segundo os resultados de uma década de "diários de esquecimentos" elaborados pelos seus alunos de licenciatura (a quantidade de tempo perdida à procura das chaves do carro, por exemplo), o perito calculou que os seres humanos desperdiçam mais de um mês em cada ano para compensar coisas de que se esqueceram. 

(...)

   Encontramos na evolução boas explicações para a razão pela qual a nossa memória nos falha da maneira específica que o faz. Se tudo aquilo que vemos, cheiramos, ouvimos ou pensamos fosse imediatamente armazenado nessa enorme base de dados que é a nossa memória de longa duração, ficaríamos submersos em informação irrelevante. 

(...)

   ...talvez seja o esquecimento, e não a memorização, que constitui a essência daquilo que nos torna humanos. "Pensar é esquecer", escreveu [Jorge Luís Borges].

 

(Extractos da repostagem «A memória - Porque lembramos, porque esquecemos», publicada na revista National Geographic, Outubro 2008)