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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

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...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Morte em directo luso-hollywodesca

   Ontem, 5f, 7 de Agosto de 2008, Portugal viveu um momento hollywodesco digno de filme de acção com balas à mistura, reféns, mortos e feridos (dos graves como nos verdadeiros filmes de acção). Uma agência bancária foi assaltada por dois indivíduos que ao se aperceberem da inutilidade do seu acto que iria resultar em nada e mãos a abanar, resolveram fazer reféns e exigências e recusar negociações. Mais de oito horas depois do início desta aventura e antes do The End aparecer, houve espaço para 3 tiros certeiros que atingiram os dois assaltantes, matando automaticamente um deles e ferindo com gravidade o outro. A polícia diz que esta era a única solução e todos elogiam o sangue frio do atirar a matar. Para mim, não sei se era a única ou a melhor solução. Sou contra o crime mas a favor da vida humana e, criminosos ou não,  experientes ou inexperientes, tendo eles planeado ao mais pequeno pormenor todo o filme ou tendo simplesmente agido ao sabor das emoções e da surpresa do inesperado, foi um final trágico e triste, até porque a morte nunca é a melhor forma de pagarmos pelos nossos erros. Não há dor, não há sofrimento, não há remorso, não há um cérebro a trabalhar nas recordações dos nossos actos, não há, e se não há nada não há castigo. 

   Final feliz tiveram os reféns e isso sim deixa-me satisfeita. Quanto às nossas forças policiais, tratou-se de um dos momentos altos das suas carreiras, no qual poderam mostrar aquilo para que foram treinados e para que são pagos, o que, felizmente, não têm muita oportunidade de mostrar. Uma última palavra para os meios de comunicação social, esses sim os mais vencedores dos óscares deste filme luso-hollywodesco. Era ver quem tinha a melhor fonte, a melhor notícia em primeira mão confirmada por fonte segura, a melhor imagem. Emissões interrompidas para imagens e mais imagens da desgraça alheia, e o português agradece, porque a vida real é bem melhor que as 50 telenovelas transmitidas todas as noites e o que ele gosta é de espiar a vida dos outros, que parece sempre bem mais interessante que a sua. Hoje não se fala de outra coisa nas televisões, nos jornais, nas conversas de café. Portugal esteve ao nível de Hollywood e não foram precisos actores, argumentos ou realizadores. Bastaram 2 seres humanos reais, armados e abatidos.

  É este o nosso mundo.