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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A melancolia

A melancolia é impossível de combater porque, a partir do momento em que nos aventuramos no mundo, teremos sempre saudades de tudo. De tudo. Do que fizemos e do que não fizemos, de quem se cruzou no nosso caminho e de quem jamais conseguiremos encontrar. Cuidar das plantas no nosso jardim é prolongar a existência a criaturas que hão-de morrer quando nos esqeucermos delas; é querer fazer com que o amor dure mais tempo para, quando nos virmos livres desta vida de uma vez por todas, partirmos de coração a trasnbordar de tudo o que deixamos para trás. 

"Biografia Involuntária dos Amantes", João Tordo

«Biografia Involuntária dos Amantes», João Tordo

Numa estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles — Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos — a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem — um professor universitário divorciado — irá tentar descobrir o que está por trás da persistente melancolia de Saldaña Paris. A viagem de descoberta começa com a leitura de um manuscrito da autoria da ex-mulher do mexicano, Teresa, que morreu há pouco tempo e marcou a vida do poeta como um ferro em brasa. O narrador não poderia adivinhar (porque nunca podemos saber as verdadeiras consequências dos nossos actos) que a leitura desse manuscrito teria o mesmo efeito sobre a sua vida.As páginas escritas por Teresa revelam a sua adolescência no seio de uma família portuguesa contaminada pela desilusão: um pai ausente e alcoólico, um tio aventureiro e misterioso, uma mãe demasiado protectora. Mas o que ressalta com maior vivacidade daquelas páginas é o relato enternecedor do seu primeiro amor, ao mesmo tempo que começam a insinuar-se na sua vida realidades grotescas e brutais. Confrontado pela primeira vez com a suspeita dessa terrível possibilidade, Saldaña Paris mergulha numa depressão profunda. Determinado em libertar o amigo do poder corrosivo do mal, o nosso narrador compõe então, peça a peça, a biografia involuntária dos dois amantes. Uma biografia que passa pelo desvelar do passado, para que este não contamine irremediavelmente o futuro. Oferta Exclusiva Fnac Oferta de um livro com dois contos de João Tordo relacionados com a obra: Biografia Involuntária dos Amantes (Oferta limitada ao stock existente - Válido para as primeiras encomendas pagas) No primeiro destes contos, que antecede a escrita do romance, encontramos João Tordo num registo confessional e conhecemos também Saldaña Paris, um dos protagonistas de Biografia Involuntária dos Amantes. O segundo conto foi escrito depois de terminado o romance e fantasia sobre a adolescência de uma das suas personagens. Juntos, abrem diferentes perspectivas sobre o novo livro, o sétimo da sua carreira e aquele que mais o apaixonou escrever.
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   Melancolia é a palavra chave deste livro. É um livro emocionalmente pesado e bastante rico e fácil de digerir página a página. Parece que não há um momento de alegria ou felicidade nas personagens e talvez seja isso que o torna um bom livro. 
   Apesar de não ter ficado particularmente impressionada com o "Bom Inverno", o único que li até à data, João Tordo surpreendeu-me bastante com esta "biografia". Devorei-o em 2 dias e fiquei com vontade de ler mais João Tordo.