Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A psicologia e a fé de cada um

   Apesar de a instituição onde trabalho ser completamente católica-apostólica-românica e a maioria dos nossos idosos serem católicos, temos uma minoria que professa outras religiões.

  Esta semana, em visita domiciliária a uma utente e à sua filha, ambas testemunhas de Jeová, cruzei-me com dois dos seus "irmãos", que é a forma como se tratam as pessoas que têm aquela crença em comum. Não sei se foi propositado ou não, até porque desconhecia completamente as pessoas que lá estavam, mas assim que me sentei, enquanto aguardava que os "irmãos" terminassem a sua visita (parece que é algo muito comum nesta religião, o visitarem-se uns aos outros, especialmente em tempos de maior necessidade ou dificuldade, o que eu acho fantástico), fiquei com a sensação que o discurso daqueles dois senhores tentava pura e simplesmente "vender-me" a sua religião, já que cada simples frase era acompanhada de uma longa teoria acerca dos princípios da religião. A dada altura começaram mesmo a dirigir demasiado o olhar para mim. Claro que não faltaram as acusações à igreja catolica, que a dada altura se tornaram mesmo insultuosas, o que me pareceu completamente desnecessário e de lamentar. Provavelmente a minha postura refletiu essa minha sensação, já que um deles acabou por dizer "peço desculpa se a ofendi e não sei qual é a sua religião...". Não sei se terão percebido a mensagem com a minha resposta seca de "acima de tudo respeito todas as crenças", mas imediatamente ripostaram com um rude "vocês das psicologias não ligam nenhuma estas coisas da religião, são mais de outras áreas...".

   Meus senhores e minhas senhoras, nós, os das psicologias, ligamos e muito a essas coisas da religião, simplesmente porque a religião é um dos principais pilares da personalidade de muita gente, especialmente dos idosos. Eu valorizo, e muito, a fé e as crenças de cada um, já que é isso que explica, justifica, fundamenta, estrutura, muitos dos comportamentos, pensamentos e ideias das pessoas. A crença religiosa de cada idoso é uma das perguntas que fazemos logo nas nossas fichas de inscrição e no nosso diagnóstico mais "psicológico" exploramos a forma como cada um vive a religião e quais os hábitos que tem. Por isso, minhas gentes com pensamentos retrogados, a psicologia e qualquer trabalho psicológico é inseparável das questões religiosas. Eu preocupo-me em conhecê-las, expolorá-las e saber um pouco do fundamento teórico de casa religião dos nossos idosos. Mas acima de tudo, e psicologias à parte, eu respeito todas as crenças, e respeito foi aquilo que me pareceu faltar a estes dois "irmãos".