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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Helen (ou de como a tirsteza não é depressão)

   Aqui está um filme que deveria ser de visualização obrigatória para TO-DO o ser humano.
  Quando fortunas são gastas em anti-depressivos e ansiolíticos e quando meio mundo parece sofrer de depressão, vale a pena saber um pouco mais acerca dessa doença. Sim, porque depressão não é tristeza; depressão é doença. Não se vê chegar, não se sente, nunca se compreende e nunca se explica. Quando se sente, já o mundo ruiu, já a vontade se foi e já a vida perdeu todo o sentido. Todo mesmo, durante dias e dias, meses e até anos. Não fica nada, a não ser a loucura e uma dor tão profunda, que já nem da morte se tem medo. É a dor, ou nada.
  
   Talvez os primeiros a ser sensibilizados para estas diferenças deveriam ser os profissionais de saúde, já que grande parte da prescrição de antidepressivos e ansiolíticos é feita pelos médicos de família, que não serão de todo as pessoas mais indicadas para perceber estas pequenas grandes diferenças. Depois surgem os rótulos e depressa nos tornamos "depressivos", até porque isso de "ser doente da cabeça" parece ser moda, quando o que verdadeiramente nos falta são recursos internos que nos permitam lidar de forma adequada com as diversas adversidades da vida. E, de repente, não existem mais pessoas tristes, mas apenas e só pessoas co o rótulo de deprimidas, que se agarram a esse rótulo como se de um barco salva vidas no meio de um mar revolto se tratasse, esquecendo-se que, mesmo no meio de uma grande tempestade, continuam a ter braços que lhe permitem nadar para um porto seguro.
   Tristeza todos sentimos. Mesmo uma tristeza profunda que nos parece corroer por dentro. Mas essa tristeza nunca nos arranca os braços.  
   A verdadeira depressão, felizmente, poucos conhecerão. E essa não corrói, mata emocionalmente e, a partir daí, tudo é possível. Essa já arrancou os braços mesmo antes de ser sentida e é precisa muita, muita coragem, para aceitar ser salvo pelos braços de outra pessoa.

Mp3 deprimente

  

   Numa noite de sono difícil vou buscar o meu MP3, carrego no "play" e deixo-me levar. Deixo-me levar para locais bem longínquos da minha cama quentinha e bem menos agradáveis. Então não é que o meu MP3 está carregadinho de músicas deprimentes, daquelas de fazer chorar as pedras da calçada? Não há espírito positivo que se aguente com tanta música virada para a reflexão. 

   Mas pensando bem, este humor deprimido é muito característico dos "best sellers musicais"...amores e desamores, perdas e abandonos, solidão, dúvida, traição, tristeza, morte... tudo isto é traduzido para linguagem musical e invade-nos os ouvidos e a alma levando-nos a pensar "Caramba, mas eu também já me senti assim...", e então carregamos no play sucessivas vezes até que aquela música apague todas as nossas mágoas, não sem antes nos sentirmos bem infelizes, muito mais do que o responsável por todas aquelas palavras. 

    Num mundo já por si virado para a depressão (não, não vou falar da crise económica!), não deixa de ser curioso constatar que aquilo de que mais gostamos é exactamente aquilo que nos faz sentir ainda mais coitadinhos.  

   

   Felizmente no meu MP3 existe um rasto de bom senso sempre que toca ABBA. Ok é seculo passado, mas eleva-nos a moral e é disso que o nosso povo precisa!