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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Porque ser healthy também cansa

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Ter um estilo de vida saudável, nomeadamente uma alimentação o mais saudável possível é muito bom e bonito, mas, para além de por vezes ser financeiramente pouco animador, é cansativo e rouba-nos algum do nosso tempo livre, no qual cada segundo é precioso.

   Comer bem e bom dá trabalho, pelo menos se somos daquelas pessoas que diariamente sai de casa com a marmita atrás de nós carregada com lanches, snacks e almoço. Quantas vezes eu não chego a casa depois de um dia em que saio mais tarde do trabalho ou até mesmo depois do ginásio e tudo o que realmente não me apetece é pensar no que vou fazer para o almoço do dia seguinte e prepará-lo. É certo que, como ainda vivo em casa dos pais, por vezes a tarefa é facilitada pois consigo aproveitar alguma coisa do jantar. Mas quase diariamente tenho de lhe acrescentar ou modificar algo, para tornar a refeição mais saudável. As minhas manhãs de Domingo são muitas vezes passadas na cozinha a adiantar minimamente as refeições da semana, e diariamente há que pensar em almoços, lanches para meio da manhã, lanches para meio da tarde, lanches para antes do treino e ainda o pequeno-almoço do dia seguinte que sempre que possível deixo adiantado de véspera. Se bem que na altura de comer todo este esforço compensa, porque sabemos o que estamos a comer e que estamos a fazer as melhores opções, há alturas em que sinto algum desgaste e até mesmo saturação, especialmente porque, e de certeza que vocês também já sentiram isto, fico com a sensação de que a minha alimentação é "vira o disco e toca o mesmo". De tão regrada e saudável que tento ser, acabo por esgotar as ideias, especialmente para o pequeno-almoço. Já sentiram o mesmo?

   É certo que quem corre por gosto não cansa e que prefiro ter todo este desgaste e comer aquilo que gosto e não me faz mal do que estar dependente de refeições de terceiros (sempre fui muito anti comer comida que não a de minha casa) ou de opções forçadas porque não há mais nada. Mas que há dias em que ser healthy cansa e não apetece mesmo nada, lá isso há.

Acerca da minha tal futilidade (ou então é só um desabafo)

 

 

 

   Sim, eu tenho um carro novo e SIM, os meus pais deram-me O carro novo e NÃO, não me sinto nada envergonhada ou especial com isso.

   Sou filha única e, por isso, não me livrarei do estigma de "menina dos papás". Se ser menina do papá é ser super-protegida e muito ligada a eles, a tal ponto de eles, muito mais do que eu, não serem capazes de viver longe de mim, então sou totalmente menina do papá. Já se ser menina do papá é ter tudo o que quero e quando quero, então, lamento desiludir-vos, mas não o sou, nem nunca o fui e devo isso aos meus pais e à educação que me deram. É verdade que NUNCA me faltou absolutamente nada, desde brinquedos a tecnologias, actividades e oportunidades de formação, passando pelos carros (digo "pelos", porque este é o meu segundo carro). Tudo o que tenho e sou a eles o devo. Ainda assim, nunca tive uns pais que me estragassem e nunca fui uma criança mimada.

   Se eu me orgulho de os meus pais me terem dado um carro? Sim e não. Sim, porque se o fizeram é sinal que o devo merecer. Não, porque se não o tivessem feito, nunca poderia ser eu a fazê-lo, dado o meu maravilhoso estado profissional, que será partilhado por muitos jovens deste país. É verdade que ganho mal, e nem vou falar dos recibos verdes, não tenho horário completo, não tenho a miníma segurança na marcação de consultas e, o mais grave de tudo, pelo menos para mim, não gosto minimamente da minha principal "fonte de rendimento", já que nem sequer exerço enquanto psicóloga. Se fosse "menina do papá", provavelmente já teria desistido e ficava-me por casa à espera da minha oportunidade e de uma ou outra consulta. Sim, porque eu poderia fazê-lo. Poderia mas não era capaz. A inércia nunca foi uma característica minha e estar sem nada fazer mata-me mais rapidamente do que fazer algo que todos os dias me desmoraliza um pouco mais. Nesta fase, e 3 anos depois de concluir a minha licenciatura, e depois de lhe ter acrescentado uma especialização e um mestrado, desmotivação e desilusão é a palavra de ordem. Se ao passar um recibo sobre algo que não gosto minimamente vou ganhar dinheiro certo ao final do mês, então vou continuar a fazê-lo, porque, neste momento, é precisamente o dinheiro que me move, já que tudo o resto teima em não chegar.

   Se sou feliz? Não sou, nem posso ser. Falta-me a realização profissional e sem ela não há realização pessoal. Sem elas, não há espaço para ser feliz. Se vou continuar assim por muito mais tempo? Não. Não vou, porque não posso, nem consigo. Estou à beira do limite da normalidade e da tolerância. Todos os dias me sinto um bocadinho menos "valiosa" e isso mostra-me que não posso continuar nesta situação. Não eu, que sempre acreditei no meu valor, nas minhas potencialidades, nas minhas capacidades e nas minhas ambições. A 3 meses dos 25 anos começo a perceber que a minha vida tem de mudar de alguma maneira. Com ou sem psicologia. Ou corro o risco de me ver totalmente mudada e irreconhecível, com todos os riscos que isso acarreta para mim e para os que gostam de mim.

   Se isto é uma atitude de vitimização? Não o é e ninguém precisa de acreditar em mim, porque quem me conhece sabe disto sem que eu tenha de o dizer. Há imensa gente na mesma situação que eu, e ainda mais gente em situações bem piores. Não precisam de me dizer "mas tu nem tens responsabilidades, nem contas para pagar ao final do mês". Têm toda a razão. Mas a principal e mais importantes responsabilidade é para comigo mesmo e eu tenho a responsabilidade e a obrigação de fazer tudo o que há a fazer por mim, pelo meu bem-estar e pela minha realização pessoal. Só assim poderei mudar aquele bocadinho à minha volta e fazer a diferença nesta vida e na vida dos outros.

   Por último, só para sossegar os mais preocupados com as minhas finanças, a grande revelação: sim, eu tenho dinheiro na conta; sim, sobra-me muito dinheiro ao final do mês; e NÃO, eu não gasto tudo em roupas e sapatos; e se o fizesse a única vítima seria apenas eu, por isso relaxem que não vos peço nada. Se eu gosto de comprar roupa e sapatos e, já agora se me permitem um pouco de intelectualidade, livros, sim, gosto. Gosto MuuuiiiiTO! So what??? Se não tenho quase nenhuma conta para pagar, se não tenho responsabilidades financeiras, e se ainda por cima não gosto do que faço, não me posso mimar? E poupanças, não fazes? Faço. Bastantes até. Aliás, a minha conta à ordem está sempre num estado vergonhoso, não porque gaste tudo em vestidos, mas porque mais de metade do meu dinheiro vai para a minha "conta poupança". O que fica, fica para ser gasto naquilo que realmente gosto. E, pasmem-se, eu até sou forreta! Desde que comecei a ganhar o meu dinheiro que fiquei 10 mil vezes mais "agarrada". Não, eu nunca dei 50 euros por um vestido ou por um par de sapatos (por isso é que os saldos são a minha época favorita do ano). Espero um dia poder dar, isso e muito mais. Hoje não dou, porque, embora tenha casa, cama, roupa lavada e frigorífico cheio (e um carro novo a custo zero!), gosto de gerir a minha vida a pensar no futuro e seria inconcebível para mim gastar fortunas em bens materiais tão passageiros. Se gostar de compras é ser fútil, então sou fútil. E sou-o orgulhosamente. Porque o faço com conta, peso e muitas medidas. Porque o faço com muita cabecinha. Porque nunca ninguém me disse que eu "esbanjo dinheiro" (pelo contrário) e porque me deito todas as noites de consciência tranquila pela pessoa que sou.

   Se isto foi um desabafo ou uma tentativa de "limpar o meu nome" não sei. Seja o que vocês quiserem. Para mim são coisitas que passeiam cá por dentro juntinho a muitas outras coisitas que me roubam o brilho do olhar e que ficaram cá dentro a incomodar-me desde que ele me perguntou "não estás feliz por ir ter um carro novo?" e eu respondi, sem pensar "não, estava feliz se eu a comprá-lo, porque era sinal que o podia fazer".