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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Palavras de uma ex-romântica

  

   Se há época de romantismos, é esta que antecede o famoso dia de S. Valentim. Pessoalmente, não me lembro de alguma vez ter gostado deste dia ou sequer o ter comemorado ou sonhado com comemorações e prendas e surpresas românticas. Isto não invalida que eu não tenha sido, em tempos, uma menina dada a estas coisas do amor e de viver num mundo carregadinho de corações e I love you. Há uns anos atrás, e não são assim tantos quanto isso (podemos facilmente contá-los pelos dedos de uma mão...), eu derretia-me por ou com uma bela história de amor, ao jeito dos livros de Nicholas Sparks e adaptações dos mesmos ao cinema. Há uns anos atrás, quando já tinha este hábito de sublinhar passagens de livros que me agradavam, todas essas passagens eram do género lamecho-romântico. Há uns anos atrás, perdia-me com baladas de fazer chorar as pedras da calçada, que ouvia vezes e vezes sem conta num volume bem exagerado, enquanto sofria aquelas dores todas de amor que ali se cantavam. Há uns anos atrás, eu gostava de chamar nomes fofinhos ao meu namorado e de dizer "gosto muito de ti". Há uns anos atrás, cada "amo-te" era subir aos céus e voltar e facilmente criava ilusões sobre o futuro, que era sempre muito cor-de-rosa ou cheio de corações vermelhos e até, sim é mesmo verdade, peluches amorosos com corações nas mãos.

   E depois mudei.

   Ou fui mudando...

   Inevitavelmente, ponho-me a indagar sobre os motivos para tamanha mudança (acreditem que foi gigantesca) e não consigo chegar, sozinha, a uma explicação. Aqeuilo que mais rapidamente me vem à cabeça é a certeza de que hoje não preciso de provas de nada ou de pequenos gestos, materiais ou imateriais, que me mostrem o significado ou o tamanho dos sentimentos. Há determinadas coisas que hoje tomo como certas. Estou numa relação (já parece uma actualização de estado do facebook) há mais de 7 anos, relação essa em que, para mim, hoje, tudo é certo e seguro. Se há uma pessoa que está comigo há 7 anos, com todos os meus defeitos, o meu mau feitio e esta minha tendência para o não romantismo, só pode gostar muuuuiiittto de mim. Eu sei disso. Sem necessidade de palavras bonitas, de gestos românticos ou prendas inesquecíveis. Na verdade, eu dispenso tudo isso e valorizo o dia-a-dia normal e a forma completamente natural como conseguimos 8ou não) "encaixar" a outra pessoa nesse dia-a-dia.

   Sei que muitos não concordam comigo e que ainda mais seriam incapazes de viver com alguém como eu, but guess what? That´s me! Para o bem e para o mal, absolutamente racional, muitas vezes excessivamente fria e dura e completamente sem paciência para filmes ou livros românticos, músicas lamechas, bonitas histórias de amor e dias cheios de corações e I love you.

   Um dia vou perceber se é isto que me faz feliz.

Carnaval vs Dia dos Namorados

  

Realmente não há mix mais perfeito do que juntar na mesma semana o Carnaval e o Dia dos Namorados. Não que tenha algo contra qualquer um desses dias, simplesmente não os "festejo". Ok! O Carnaval tem muita graça enquanto somos pequenos inocentes que acreditamos que uma máscara nos pode dar super-poderes ou alterar completamente aquilo que somos, quando tudo é uma festa de serpentinas e confetis. Depois crescemos e percebemos que, apesar de o Carnaval serem 3 dias, a vida ainda são só 2 e máscaras é o que não nos vamos cansar de encontrar por esta vida fora, tamanha é a quantidade de pessoas pouco transparentes e puras com que nos vamos cruzando (viram como fui fofinha e não utilizei as palavras tamanha-é-a-quantidade-de-pessoas-falsas?). Mas muito bem, o mundo está em crise, a nossa vida está em crise e todos os motivos são bons para lhe darmos um bocadinho mais de cor e alegria, por isso, amantes do Carnaval, mascarai-vos e animai-vos. Os outros, como eu, aproveitai para descansar.

   Quanto ao Dia dos Namorados, God save us all, que esta é a minha embirração pessoal. Um dia para festejar o amor e nos lembrarmos do amor e que temos um amor (ou assim o parece) e que esse amor é tão rico e tão grande que se envaidece com rosas vermelhas, ursinhos de peluche branquinhos com corações e que mandam beijinhos enquanto dizem I love numa voz demasiadamente infantil, perfumes de marcas da moda, postaizinhos cheios de coisas fofinhas e dizeres universais e jantares à luz das velas. E pronto, basicamente é isto o dia dos namorados - 150 caracteres ao acordar, outros 150 na hora de almoço e mais 150 durante a tarde, palavras não são precisas porque os postais já trazem o trabalho feito, um jantarzinho mais ou menos saboroso mas sempre ocm muitas velas e corações, um ramo, um peluche ou para as mais afortunadas um perfumito ou, até quem sabe, uma jóiazita e está feito, vamos lá para casa despachar isto que amanhã é dia de trabalho e amanhã já nos é permitido desinvestir na relação e esquecer-mos tudo isto que não é o amor.

   Desculpem lá eu ser assim tão un-romantic e tão un-party....na verdade, até vejo uma coisa boa nestes dois dias: são os dias ideais para fazermos palhaçadas!

O dia dos namorados - um (o) filme

   O dia em si já dá um belo filme: havia fila para comprar bilhetes, fila para entrar no cinema, fila para entrar na sala, fila para comprar pipocas (vício, vício!), fila para jantar o que quer que fosse, na florista não havia nem uma rosa e era quem mais exibia uma saquinha de prenda ou uma florzita enquanto passeavam de mão dada com o mais que tudo.

   Agora temos o filme. A ficção que tenta retratar a realidade. O filme pareceu-me um pouco exagerado no espírito "valentimnesco". Muito Good morning, good morning, it`s valentine`s day. As histórias não são muito diferentes das que por aí se vê: O pedido de casamento que acaba com uma relação, o medo do compromisso, os affairs, os melhores amigos que descobrem que são mais que isso, a solidão de uma vida dedicado à carreira, os tabus e o amor que tudo vence e tudo une no final. Atendendo à época, adequa-se. Não é um filme que apele ao sentimento profundo, porque roça o previsível. Está lá o amor, nas suas mais variadas formas, sem atingir os picos da lamechice.  Digere-se bem toda a acção, a história é light, até rimos em alguns momentos e percebemos o romantismo de outros, tudo isto misturado com umas boas pipocas e a companhia perfeita. 

O dia dos namorados

   Não gosto. Insultem-me, acusem-me, batam-me. Mas não gosto. É só mais um dia de e para consumistas, no qual todos e todas passeiam de mãos dadas, oferecem flores, peças e de roupa, perfumes, jóias e afins e terminam num suposto jantar romântico. E aqui encontramos dois tipos de "namorados": os que se derretem em doçuras e gestos de amor, qual chocolate quente a escorregar pelos morangos fora de época mas partilhados a uma só taça, um só garfo e ora comes tu, ora como eu, e os que entram no restaurante, sentam-se e as únicas palavras que partilham são:"o que vais querer para jantar?".

   Mas porquê que tem de existir um dia para festejar o amor? Todos os dias são dias de amor e de ser amado. Todos os dias são dias para festejar, para passear de mãos dadas à beira mar, para oferecer uma flor ou uma prenda. Porquê que só uma vez por ano vemos corações por tudo quanto é lado, acompanhados de frases do tipo "14 de Fevereiro. Celebre o seu amor"? Quanto ao resto dos dias, continuem com a vossa vidinha, cada um para seu lado, as prendas voltarão no dia de anos e no Natal e o amor esse vai andando por aí, perdido entre uma chamada e outra, um passeio apressado e a correria do dia-a-dia.

   Não gosto do dia dos namorados. Não ofereço prendas no dia dos namorados. Não recebo prendas (ai dele que se atrevesse!). Se festejo? Festejo-o com o mesmo entusiasmo que festejo cada dia passado ao seu lado.

   Hoje foi um bonito dia. Não por ser dia dos namorados. Foi mais um dia nosso. Fartei-me de rir, de amar e ser amada. Repete-se diariamente. Porque haveria de querer um dia para celebrar o amor quando o posso celebrar todos os dias?

 

(Não sou assim tão má pessoa ao ponto de não ter ido jantar fora com coraçõezinhos pendurados por cima da minha cabeça. Mas não houve cadeiras puxadas para me sentar, nem comida partilhada pelo mesmo garfo. Muito menos morangos com chocalate quente. E quero acreditar que aquele acto de me abrir a porta do carro para eu sair foi só mesmo um gesto provocador. Porque romântico, romântico é eu chegar ao carro, descalçar os sapatos e tu dizeres "Podes pôr os pés aí em cima" (leia-se tablier). E ele é assim todos os dias.)