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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Anos entre livros

   Todas as quintas-feiras à noite quando regresso das sessões de orientação da tese o meu pensamento foge sempre para o mesmo lugar: desde os 5 anos a estudar e ainda não parei....Foi a escola primária, a escola secundária, a faculdade, a especialização e agora o mestrado, tudo isto intercalado com cursinhos e formações. Em tudo bem sucedida. E depois questiono-me onde vamos buscar as forças para tanta dedicação, tanto empenho, tanto redefinir de prioridades.

   Retrospectivando, nunca me queixei por ter de estudar. Ok! Dias houve em que a vontade não era muita e posso te lançado uma ou outra palavra menos simpática aos livros, mas lamentar-me por ter de estudar, isso não. A explicação poderá estar na ambição, nos sonhos, nos desejos de realização. Sempre vi os estudos como forma de chegar onde queria, de ser quem queria, de ter o que queria. Investir na minha formação sempre foi uma prioridade. Dar o máximo e ser boa nisso era a palavra de ordem. Eu, que chorava quando, na escola primária, faltava às aulas por doença. Talvez seja obsessiva. Talvez. Ou talvez goste de desafios, de ser desafiada e vencer esses desafios.

   Gosto de livros. De estar rodeada deles. De aprender com eles. Embora seja muito selectiva nas aprendizagens que faço. Se gosto, óptimo, se não gosto, não há forma de manter a informação na minha cabeça. E por isso, todas as quintas-feiras, regresso a casa cansada, com a cabeça no trabalho que já fiz e no muito que ainda tenho para fazer. São desafios. Mãos à obra! Mas terminada esta batalha, considero seriamente fazer uma pausa nos estudos. Pelo menos estes grandes estudos. Já preciso. Eu, a minha cabeça, o meu espírito e as pessoas que me rodeiam que já estão fartas de ouvir sempre a mesma resposta: "Tenho trabalho para fazer".

Portugueses sorriem menos

   Os portugueses estão a sorrir cada vez menos desde 2003, conclui um estudo do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, o que pode estar relacionado com o agravamento da situação económica e social em Portugal. Segundo os especialistas, "está comprovado que um dos moderadores da frequência e intensidade da exibição do sorriso é o contexto social".

   Ora muito bem, Portugueses, toca a sorrir prá vida, porque a crise pode levar-nos tudo, mais não nos levará nunca o sorriso! 

   Um sorriso não custa nada e enriquece muito. 

Aprendizagem para reciclar

   Em dia de início de ano lectivo e resultados do ingresso (ou não) no ensino superior dediquei-me à "reciclagem" de muitas horas de estudo e resiliência. Foi dia de arrumações do material escolar / universitário e disso resultou uma boa quantidade de folhinhas e folinhas que a partir de amanhã passarão a residir num ecoponto perto de mim.

   Eram capas e capas de aulas, apontamentos, resumos, fotocópias e afins à mistura com uma quantidade significativa de pó e recordações. Um ano depois de terminar o meu percurso académico chegou a hora de terminar com uma boa parte da "palha" com que nos vão enchendo os ouvidos e o cérebro (ao mesmo tempo que nos esvaziam os bolsos). Um ano depois, o balanço é...duvidoso. O desanimo provocado pelas 1001 barreiras que colocam aos jovens licenciados é exarcebado pela certeza cada vez mais "certa" de que a minha licenciatura em Psicologia me ofereceu muita teoria e pouca psicologia (daí a bela quantidade de papel com destino ao ecoponto). Ao olhar para aquelas folhas carregadas de horas de dedicação perguntava-me constantemente: "Mas para que é que isto me serviu? Nunca mais vou ler nada disto ou utilizar qualquer uma destas supostas teorias...", enquanto pronunciava a alto e bom som: "Lixo...lixo...lixo...".

   E assim, em dia de início para muitos, pus um fim a uma parcela da minha vida. O que ficou, acompanhar-me-á naquele que será o meu verdadeiro percurso de aprendizagem: a experiência, o "trabalho de campo". Quanto aos estudos, esses prosseguirão e cada vez mais enriquecedores e menos teóricos. Sim, porque embora enviar para a reciclagem uma parcela da minha vida com o sentimento de missão cumprida com sucesso me deixe bastante satisfeita, aprender é para mim essencial e igualmente satisfatório. Depois de uma licenciatura de 4 anos e uma pós graduação de 2, vejo e planeio mais desafios a iniciar brevemente.

    "Parar é morrer". Aprender é crescer. E os desafios adoçam a vida.