E acha que a conversa cura alguma coisa?

Ele é marido de uma doente Bipolar, tardiamente diagnosticada. Eles correram uma enorme quantidade de psiquiatras da zona Norte, em busca de respostas para as suas dúvidas e de qualidade de vida para a mulher. Num desses consultórios o marido sugere:
- "A minha esposa não deveria ser também acompanhada por um psicólogo, que lhe ajudasse a enfrentar o problema?"
Ao que o excelentíssimo senhor doutor psiquiatra (está em letra minúscula propositadamente) responde, entre uma receita e outra:
- "E acha que a conversa cura alguma coisa?"
(subiu-me literalmente todo o sangue à cabeça)
Ironicamente, foi um Psicólogo a primeira pessoa a explicar ao senhor que a esposa era doente Bipolar, a esclarecer-lhe todas as dúvidas, a ajudá-lo a lidar com a situação e a indicar-lhe a existência de uma associação de doentes bipolares.
Sim. Atingiu o meu ego de psicóloga. Julguei que em pleno século XXI não existiam fundamentalismos como o acima referido, ainda para mais vindo de um "colega" que de profissional de saúde mental só deve ter mesmo o diploma.
Não. A medicação não é a solução (embora fundamental em nuitos casos), muito menos a cura.
E SIM! A "conversa" cura (os bons profissionais sabe disso...)