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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Have a lovely week

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Porra, disse eu, quase a gritar, e que tal para poderes respirar? E sentires o calor do sol, e o frio da noite, e saboreares um fruto, e poderes olhar para as estrelas e perguntares-te que raio andamos aqui a fazer, e sentires medo e dúvida e esperança e aquelas coisas todas que as pessoas que as pessoas sentem quando não estão fechadas nas suas cabeças a tentar resolver uma equação impossível? E que tal isto tudo? Não te serve? Nada disto te chega?

João Tordo, «Ensina-me a voar sobre os telhados»

Quem és tu?

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Quem és Tu, aí pendurado nessa cruz, e porque nos olhas assim, tão piedoso, de esguelha, as sombras descendo sobre o teu corpo raquítico? E quando precisamos de Ti, porque ficas em silêncio, calado como um ratinho, esperando que sejamos nós, meros homens, vulgar gente, que nos salvemos sozinhos, que nos ajudemos uns aos outros e depois Te dêmos graças? Tu, que morreste uma vez, podes morrer outra. Tu fazes milagres, Tu serenas as tempestades, dás de comer a milhares, caminhas sobre as águas, pões moedas na boca dos peixes, definhas as figueiras porque não dão frutos, transformas a água em vinho, curas os leprosos e o servo do Centurião e os possuídos do demónio e os cegos. (...) Nós, meros humanos, morremos tantas vezes, e todos os dias, morremos pelos outros, com misericórdia abnegamos, dizemos que a morte não é o fim, a morte é o caminho, e acontece aqui, a cada instante, debaixo dos nossos olhos, perante tudo, perante Ti, somos indefesos e incapazes.

João Tordo, "O luto de Elias Gro"

«O Luto de Elias Gro», João Tordo

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Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.
A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.
O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza - e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.
O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.

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   Primeira leitura das férias.

   João Tordo é um grande escritor, nisso não existem dúvidas. Nas férias de verão do ano passado deliciei-me com aquele que para mim é o seu melhor livro, Biografia Involuntária dos Amantes e este ano quis repetir a companhia e começar as minhas férias com o seu último livro. Não posso dizer que adorei. É demasiado melancólico, deprimente, cinzento, frio...ao ponto de por vezes se tornar difícil de ler de tão pesada que é a história. Confesso que tive momentos em que tive de me obrigar a continuar porque a leitura estava a ir por um caminho que não me prendia às páginas. Ainda assim, reconheço-lhe o génio e a maravilha da sua escrita, ma s não é um livro que combine com verão.

 

«O Ano Sabático», João Tordo

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Depois de treze anos de vida desregrada no Québec, Hugo, um contrabaixista de jazz, decide tirar um «ano sabático» e regressar a Lisboa, onde espera reencontrar o equilíbrio junto da família. Porém, logo numa das primeiras noites, assiste ao concerto de Luís Stockman - um pianista que se tornou recentemente famoso -, e a almejada paz transforma-se no pior dos pesadelos: Stockman toca um tema inédito que Hugo conhece bem demais, pois é o mesmo que vem escrevendo há anos na sua cabeça…
Quando o começam a confundir na rua com o pianista - e a própria mãe lança a dúvida sobre a sua identidade -, Hugo encetará uma busca obsessiva da verdade e do seu duplo, entrando num labirinto de memórias e contradições que o conduzirá a um destino muito mais funesto do que imaginara ao deixar Montreal. É nessa mesma cidade que Stockman desaparecerá, curiosamente, mais tarde, segundo nos conta o seu melhor amigo - o narrador deste romance - a quem cabe agora desmontar os acontecimentos, destrinçar fantasia e realidade e enfrentar as assustadoras e macabras coincidências que unem, como num espelho, a vida dos dois músicos.

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   Depois de um mês agarrada ao Limiar da Eternidade e de estar apenas a meio do livro, precisei de uma pausa naquelas mais de 1000 páginas de história. João Tordo foi o eleito. 

   Ao quarto livro de João Tordo livro começo a reconhecer-lhe um padrão de escrita. Um pouco esquizofrénico, diria eu... Não é propriamente um estilo que me agrade, mas tem aquele je ne sais quois que nos prende da primeira à última página. 

   Claramente, a Biografia Involuntária dos Amantes é, de longe, o seu melhor livro, mas vale a pena conhecermos toda a sua obra. 

«As Três Vidas», João Tordo

 

Romance vencedor do Prémio Literário José Saramago 2009 e finalista do Prémio Portugal Telecom 2011. Que segredos rodeiam a vida de António Augusto Millhouse Pascal, um velho senhor que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e um rol de clientes tão abastados e influentes como perigosos e loucos? São estes mistérios que o narrador – um rapaz de família modesta – procurará desvendar durante mais de um quarto de século, não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por aquela estranha personagem se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida. Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta – época de todas as ganâncias – e cruzando a história sangrenta do século XX com a das personagens, As Três Vidas é, simultaneamente, uma viagem de autodescoberta através do «outro» e a história da paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Millhouse Pascal, e do destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do avô, inexoravelmente ligado à sorte de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da corda bamba em que se sustém.

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   Segunda leitura das férias.

   João Tordo, que tenho andado a descobrir. Depois da sua Biografia Involuntária dos Amantes, que adorei, fica difícil gostar tanto de um livro como gostei daquele. Este é um pouco ao género de "O Bom Inverno", personagens misteriosas e o enigma do que irá acontecer a seguir que fica no final de cada capítulo, misturado com momentos de total ficção que nos põem a pensar "mas alguma vez isto era possível?".

   É um livro que prende, é certo. Mas não uma grande obra literária, porque essas, para mim, estão carregadas de sentimentos, como a "Biografia". Ainda asssim, continuo a querer ocnhecer mais deste autor. O próximo está escolhido: "O ano sabático", ainda este ano!

A melancolia

A melancolia é impossível de combater porque, a partir do momento em que nos aventuramos no mundo, teremos sempre saudades de tudo. De tudo. Do que fizemos e do que não fizemos, de quem se cruzou no nosso caminho e de quem jamais conseguiremos encontrar. Cuidar das plantas no nosso jardim é prolongar a existência a criaturas que hão-de morrer quando nos esqeucermos delas; é querer fazer com que o amor dure mais tempo para, quando nos virmos livres desta vida de uma vez por todas, partirmos de coração a trasnbordar de tudo o que deixamos para trás. 

"Biografia Involuntária dos Amantes", João Tordo

«Biografia Involuntária dos Amantes», João Tordo

Numa estrada adormecida da Galiza, dois homens atropelam um javali. A visão do animal morto na estrada levará um deles — Saldaña Paris, um jovem poeta mexicano de olhos azuis inquietos — a puxar o primeiro fio do novelo da sua vida. Instigado pelas confissões desconjuntadas do poeta, o seu companheiro de viagem — um professor universitário divorciado — irá tentar descobrir o que está por trás da persistente melancolia de Saldaña Paris. A viagem de descoberta começa com a leitura de um manuscrito da autoria da ex-mulher do mexicano, Teresa, que morreu há pouco tempo e marcou a vida do poeta como um ferro em brasa. O narrador não poderia adivinhar (porque nunca podemos saber as verdadeiras consequências dos nossos actos) que a leitura desse manuscrito teria o mesmo efeito sobre a sua vida.As páginas escritas por Teresa revelam a sua adolescência no seio de uma família portuguesa contaminada pela desilusão: um pai ausente e alcoólico, um tio aventureiro e misterioso, uma mãe demasiado protectora. Mas o que ressalta com maior vivacidade daquelas páginas é o relato enternecedor do seu primeiro amor, ao mesmo tempo que começam a insinuar-se na sua vida realidades grotescas e brutais. Confrontado pela primeira vez com a suspeita dessa terrível possibilidade, Saldaña Paris mergulha numa depressão profunda. Determinado em libertar o amigo do poder corrosivo do mal, o nosso narrador compõe então, peça a peça, a biografia involuntária dos dois amantes. Uma biografia que passa pelo desvelar do passado, para que este não contamine irremediavelmente o futuro. Oferta Exclusiva Fnac Oferta de um livro com dois contos de João Tordo relacionados com a obra: Biografia Involuntária dos Amantes (Oferta limitada ao stock existente - Válido para as primeiras encomendas pagas) No primeiro destes contos, que antecede a escrita do romance, encontramos João Tordo num registo confessional e conhecemos também Saldaña Paris, um dos protagonistas de Biografia Involuntária dos Amantes. O segundo conto foi escrito depois de terminado o romance e fantasia sobre a adolescência de uma das suas personagens. Juntos, abrem diferentes perspectivas sobre o novo livro, o sétimo da sua carreira e aquele que mais o apaixonou escrever.
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   Melancolia é a palavra chave deste livro. É um livro emocionalmente pesado e bastante rico e fácil de digerir página a página. Parece que não há um momento de alegria ou felicidade nas personagens e talvez seja isso que o torna um bom livro. 
   Apesar de não ter ficado particularmente impressionada com o "Bom Inverno", o único que li até à data, João Tordo surpreendeu-me bastante com esta "biografia". Devorei-o em 2 dias e fiquei com vontade de ler mais João Tordo. 

«O Bom Inverno», João Tordo

Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.

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   Mais um primeiro livro de um escritor português cuja obra era desconhecida para mim. Confesso que escolho um pouco estes autores pela atribuição dos prémios, especialmente quando se tratam de prémio literário José Saramago. Se Saramago acha que merece um prémio, então merece, com certeza, ser lido.

   Quanto a este livro, estava à espera de uma coisa menos thriller e menos tragédia e mais emocional e humano. Ainda assim, e mesmo estando bem longe de um Valter HUgo Mãe ou do José Luis Peixoto (pelo menos neste livro), fica o bichinho de querer conhecer um pouco mais da obra deste autor.

   Quem conhece?