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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Salário emocional

  Não vem espelhado no recibo ao final do mês e pode assumir as mais diversas formas, mas este tipo de "pagamento" poderá bem ser aquele que mais diferença faz na saúde do nosso local de trabalho e no bem estar dos colaboradores. Desconhecia a expressão, mas rendi-me a ela à primeira leitura, talvez porque me tenha identificado imediatamente com ela. 

   Há coisa que não têm preço na vida: gestos, palavras, sorrisos, toques, palavras... No nosso emprego também! Se o ordenado ao final do mês na nossa conta sabe bem, são os pequenos gestos diários que fazem de cada colaborador aquilo que ele é e aquilo que ele ainda poderá ser. O salário emocional não se reflete em números, mas reflete-se com toda a certeza em produtividade, motivação e satisfação com o trabalho diário. Mais do que o verdadeiro salário, é este salário emocional que nos arranca da cama todos os dias para irmos trabalhar e é este que trazemos diariamente para casa quando saimos com aquela magnífica sensação de "missão cumprida". 

   O desafio da coordenação, de serviços, espaços e equipas, foi provavelmente dos maiores desafios que recebi até hoje e aquele que mais me surpreendeu pela forma como me foi cativando dia após dia. Se chefiar pessoas inicialmente me causou a maior das confusões, atualmente é das coisas que mais prazer me dá. E a justificação é simples: eu aprendi, com as minhas equipas, que o segredo não é saber mandar e controlar e impôr. O segredo é ir conquistando o nosso lugar de topo indo lado a lado com a equipa. O segredo é estar lá, para chefiar e para brincar, para trabalhar e para a vida pessoal. O segredo é pedir justificando e explicando em vez de mandar. O segredo é dedicar tempoa a conhecer cada um dos nossos colaboradores, até chegarmos aquele ponto em que conseguimos conviver pacificamente e espontaneamente com todos eles, sem a pressão do "ela é a minha chefe". O segredo é não esquecer que todos são pessoas como nós, que todos têm os seus dias, as suas qualidades e os seus defeitos e que todos, todos, gostam de ser valorizados, ouvidos, estimados e que não podemos esperar que se entreguem a nós (ou ao trabalho) sem retorno. E o melhor retorno é, sem sombra de dúvida, o retorno diário, o retorno das pequenas coisas, o salário emocional. 

   Se são a emoções que nos guiam, se são elas que nos alimentam, que nos constroem e nos destroem, porquê ignorá-las no local de trabalho? Valorizem-nas! E terão colaboradores que não só se valorizam, como saberão valorizar todos os esforços de quem chefia! 

1 de Setembro de 2016 - um ano depois

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Há um ano atrás iniciei uma nova fase da minha vida profissional. Fui com medo, fui. Fui ansiosa, fui. Fui até algo desiludida e desanimada. Mas fui. Iria assumir a coordenação de um dos nossos centros sociais e isso assustou-me. Se a organização e responsabilidade são o meu forte, mandar não é para mim, não precisava de experimentar para confirmar. Mas experimentei. E rapidamente percebi que para correr bem ia ter de me entregar aquilo de corpo e alma, caso contrário tinha tudo para correr mal, pois iria-me me desiludir comigo acima de tudo. Era o único caminho. Foi o melhor caminho. Em pouco tempo as minhas expectativas foram superadas. Como em tudo na vida entreguei-me às minhas funções, à minha equipa e aos meus idosos, mas acima de tudo conquistei a vontade de "já que aqui estou vou deixar a minha marca". E assim tem sido ao longo deste ano. Tive momentos complicados, tive dificuldades, tive muitas desilusões, tive períodos em que a vontade de desistir foi gigante e assustadora. Tive. Mas tive sobretudo momentos felizes, de conquistas, objectivos cumpridos, sucessos e afetos, muitos afetos. Alimentei-me deles sempre que precisei e o barco continua a navegar. Um ano a liderar uma equipa. O tempo suficiente para confirmar que detesto dar ordens e perceber que "leading by example" é a única forma de liderar que conheço. Porque dizer "vão por ali" pode até ser mais simples e menos desgastante, mas "VAMOS por ali" parece me um caminho mais enriquecedor e, no final, mais positivo. Se eu e a minha equipa ultrapassamos os momentos difíceis foi porque fomos juntas; foi porque deixei o meu porto seguro hierarquicamente revestido para me fazer ao terreno de guerra; fomos juntas, comigo a orientar mas a lutar junto delas. Nunca serei a pessoa nascida para mandar, mas um dia de cada vez vou continuar a aprender e a crescer. Entretanto VAMOS continuar a dar apenas o melhor que temos e sabemos. Por nós e por aqueles que precisam de nós, porque no final de cada dia o que conta é a certeza de que estivemos presentes na vida de alguém que precisou.