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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Linha da vida

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   Um dos primeiros exercícios que fizemos na formação sobre inteligência emocional que iniciei esta semana foi "construir" a nossa linha da vida. As regras eram simples: identificar aqueles acontecimentos positivos e negativos que nos marcaram desde o nascimento até hoje. Parece realmente simples, mas a verdade é que senti alguma dificuldade em fazê-lo.

    Antes de tudo o mais, a idade foi uma condicionante. Acho que aos quase 30 anos não devemos fazer grandes reflexões sobre o que foi a nossa vida, quando ainda esperamos ter tanto para viver. Mas lá reflecti um pouco e cheguei a algumas datas importantes e marcantes, pela positiva, nestes meus quase 30 anos de existência: a entrada na escola primária (lembro-me perfeitamente desse dia), terminar a minha licenciatura e depois o mestrado com sucesso, conhecer o meu namorado e continuar com ele ao fim de quase 10 anos, ingressar no meu actual emprego para fazer uma substituição e ter conseguido efectivar o meu lugar lá, ser madrinha... e não fui muito além disto. A coisa piorou bastante quando passei para os acontecimentos negativos (o que só pode significar algo bom!). E foi aqui que eu percebi porquê que este exercício me estava a levantar tantas dificuldades.

   É claro que eu tive coisas menos boas na minha vida até hoje. Mas não foram acontecimentos maus; foram fases menos boas que eu sei reconhecer e identificar pormenorizadamente ao ponto de ainda sentir alguma dor cá dentro. Mas a questão aqui é que eu não vivo nem me faço desses grandes acontecimentos, positivos ou negativos. Eu valorizo pequenos momentos, todos os momentos, cada momento, cada pequeno nada e, por vezes, um pequeno e aparentemente insignificante gesto pode significar tanto ou mais que um daqueles acontecimentos que nomeei. É por isso que me é tão difícil identificar acontecimentos marcantes que constroem a minha vida. Porque eu gosto de a construir diariamente, tijolo a tijolo, pedra a pedra, momento a momento. Sejam eles bons ou menos bons. Pequenas coisas que, naquele instante, significaram tanto para mim, mas que se calhar no dia seguinte já nem me recordo delas. Mas naquele preciso momento fizeram todo o sentido e tiveram todo o significado para mim. Bom ou menos bom.

   A minha linha da vida é-me difícil de traçar. Acho que não tinha espaço para transcrever tudo aquilo que faz de mim aquilo que sou. Espaço para escrever e memória para reter tudo. Porque, no final, o que importa é viver.