Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Cheiros que nos fazem viajar

IMG_20141105_215610.jpg

 

Hoje ao sair do trabalho cheirou-me a fumo da lareira. Automaticamente fui transportada para o Inverno, para Domingos de frio, para o Natal, para uma aldeia perdida do nosso Portugal onde a paisagem nunca é nítida devido ao fumo das imensas lareiras que aquecem os lares. Não sei porquê, mas este pequeno nada aqueceu-me a alma e deixou-me cheia ee vontade de me aquecer numa lareira... Há coisas assim, aparentemente insignificantes, mas cheias de qualquer coisa que mexe connosco.

O dador de memórias

bcb4d3c505275f0a55ecb4622ed03a18.jpg

   "The Giver - O dador de memórias". Um livro e um filme. Desconhecia-os.

   Enquanto via o filme dei por mim a pensar: "E se um mundo assim existisse realmente?".

   Um mundo totalmente controlado e previsível, onde a uniformidade é a lei. Se o ser humano tem tanta dificuldade em lidar com a diferença, que tal criar um mundo onde todas as diferenças são eliminadas, um mundo onde não existem sons, cores, sabores, raças, necessidades de escolha? 

   Um mundo ónde existe um total controlo "informático" das nossas acções, desde as mais primitivas, como a hora a que sentimos sono ou nos apetece acordar, até à escolha do que vestir ou do que comer? 

   Um mundo onde a nossa profissão é quase geneticamente decidida?

   Um mundo onde não existem famílias de sangue, pais, avós ou irmãos, porque somos "criados" em laboratórios e entregues a casais com as melhores características para nos criarem?

   Um mundo onde todas as manhãs nos injectam, antes de sairmos de casa, um soro que nos impossibilita de sentir qualquer emoção, impedindo o envolvimento emocional no que quer que seja?

   Um mundo onde palavras como amor, amizade, família, gosto... não são pronunciadas por serem excessivamente abstractas e vagas - "precision of language, please!"?

   Um mundo onde todas as memórias nos foram apagadas, as memórias pessoais e a memória colectiva do que somos e do fomos, desde os primórdios da humanidade...

   Um mundo onde apenas uma pessoa seria um verdadeiro humano, pois contém em si todas as memórias do mundo (o "dador")...

   Um mundo assim... mas alguém gostaria de viver num mundo assim? 

Memories

 

a minha coleção de Barbies

A Barbie foi, de longe, de muito longe, a minha boneca preferida durante a minha infância. Ainda tentei com as Nancys, que nunca me convenceram e nem vale a pena falar da minha relação com os Nenucos, porque realmente nunca achei piada a bebés que faziam bolinhas quando lhes apertavamos os braços, muito menos de brincar às mamãs e bebés. De maneira que a Barbie (e já agora a Polly Pocket, quando ainda eram bonceas minúsculas, também tiveram o seu tempo de antena na minha infância) me encheu a infância de bons momentos de estimulação cognitiva e treino da imaginação, tais eram as histórias e enredos que eu criava com estas bonecas.

   Hoje resolvi tornar útil o dia em casa para recuperar (já lá vão os dias em que conseguia passar um dia inteiro na cama, mesmo estando doente) e fazer algumas arrumações nos brinquedos que fui guardando de recordação ao longo dos anos. Achei que era bem mais inteligente tirá-los dos caixote e deixá-los criar memórias em outras crianças, por isso fui juntando uma data de brinquedos para doar a alguma instituição (finalmente me livrei dos Nenucos!). Há aqueles dos quais não me consigo mesmo separar, aqueles que têm maior significado para mim e que por isso vão continuar comigo, encaixotados sobre a forma de memórias: o meu primeiro brinquedo, alguns peluches com significado especial, as casinhas da Polly Pocket, uma Nancy (fui praticamente obrigada pela minha mãe a ficar com uma "das bonecas mais famosas do mundo", segundo ela) e as minhas Barbies, ou pelo menos as que restam, as que mais gostava...sei que poderia proporcionar alguns momentos de felicidade a alguma menina sonhadora como eu (se bem que hoje em dia as crianças pouco parecem gostar de brinquedos), mas são mesmo tantas memórias que estão agarradas àquelas bonecas elegantes e bem vestidas que me desculpam esta veia de egoísmo. Há memórias que temos de manter pertinho de nós...

    E vocês, qual o brinquedo que mais memórias vos trás?

sol da juventude

   Nestes primeiros dias de sol não consigo deixar de relembrar estes mesmos primeiros dias de sol de há muitos anos atrás, quando os dias eram passados na ânsia pelo toque da campainha que abria as portas à liberdade de um intervalo dedicado aos amigos, que nessa altura julgava eternos. Cada momento era vivido com a intensidade do último suspiro, as gargalhadas eram constantes, as conversas fluiam com naturalidade e sem regras, os sentimentos à flor da pele tatuavam em nós memórias eternas sem que nos apercebessemos.

   Quando se é jovem/adolescente tudo é "tudo ou nada". Tudo é para ser vivido e depois pensado. Tudo são sonhos, projectos, ideias. A amizade é o melhor do mundo, as paixões parecem amores eternos e os desgostos podem marcar-nos para toda a vida. As lágrimas surgem com uma facilidade assustadora e pensámos que pior é impossível e que nunca recuperaremos. No dia seguinte restam as olheiras e , talvez, uma dor de cabeça. É um novo dia, cheio de oportunidades, cheio de tanto para viver e partilhar. E as tristezas são esquecidas...até ao próximo "acidente de percurso", tão necessário para o crescimento e desenvolvimento pessoal. E assim se constrói um indivíduo. Sem sabermos que aqueles momentos irão ser dos melhores da nossa vida. Sem sabermos que, anos depois, irémos sentir falta de tudo aquilo, do bom e do mau, dos intervalos e das aulas, das visitas de estudo e dos testes, dos amigos sinceros e dos que nos desiludiram, dos sorrisos e das lágrimas...é a vida vivida no seu estado mais puro, sem preocupações "de adulto", sem crise, sem desemprego...

   Todos os dias, a caminho do trabalho, passo pelas duas escolas que marcaram a minha adolescência. Todos os dias sou assaltada por recordações daqueles primeiros dias de sol. Ouço a campainha tocar na minha cabeça e sorrio. Como eu fui feliz nos dias de sol da minha juventude...

Música(s) no coração

 

   Uma das coisas que mais gosto de fazer é deita-me no escuro do quarto, headphones nos ouvidos, play no mp3 e deixar os pensamentos voarem e dançarem ao som de cada música. É interessante constatar que cada música nos leva para um canto diferente da nossa memória, uns mais recentes que outros, uns mais agradáveis de visitar, outros nem tanto. Para mim, que não vivo presa ao passado e gosto de guardar o melhor de cada parte da minha vida, recordar é, sem dúvida, viver. E é a recordar que viajo ao passado sem lá ficar, apenas planando, visualizando, aprendendo.
   Há músicas que nos marcam eternamente, tal como as pessoas e os momentos. Aliás, cada episódio da nossa vida deveria ter uma banda sonora associada, porque é ao som da música que revivo a minha infância, a minha adolescência, o meu crescimento, a minha transformação. Cada música particular conduz-me a uma etapa específica, a uma pessoa, a uma experiência. Há os amigos de sempre e os que pareciam ser para sempre e fugiram depressa demais deixando um vazio esse sim eterno; há as paixonetas da adolescência e depois as paixões e depois aquela paixão que parecia ser tudo e acaba em nada, sem percebermos o como e o porquê; há o amor descoberto num olhar e que me preenche como nunca antes; há viagens, passeios e festas; há alegrias, tristezas, conquistas, derrotas, desilusões, sonhos realizados e outros tantos desfeitos; há sorrisos e lágrimas; há bom e mau; há vida, porque a vida é assim mesmo, uma música sempre inacabada e incompleta, mas sempre mais perfeita a cada nova nota acrescentada, que é como quem diz, a cada passo que damos.
  
Silêncio. Apaguem as luzes. Vou ouvir as músicas do meu coração.