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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Verdades a peso de ouro

   E hoje foi dia da verdade, que é como quem diz, do programa «Momento da Verdade». Confesso que não assisti ao primeiro programa e que toda a discussão e polémica que o mesmo suscitou despertou o meu interesse e curiosidade. E, por isso, hoje sentei-me no sofá em frente à televisão para perceber qual a receita de tanta polémica.
   No final, a ideia que eu tinha do que seria “a verdade” dos nossos portuguesinhos saiu reforçada. Estamos perante uma nova forma de reality show muito ao jeito do “verdade e consequência”, na qual os podres e os doces de um grupo de pessoas são expostos, explorados, aplaudidos e vaiados, através de uma sequência de perguntas formuladas por uma apresentadora que se esquece que o seu papel ali é apresentar e não julgar. É natural que os espectadores gostem de conhecer as verdades e mentiras da vida dos outros, pois isso alimenta-lhes as conversas de café, enche páginas de revista e fá-los abstrair das suas próprias vidas.
   Depois de um tropa machista, inconsciente, ausente e infiel, hoje tivemos um português do Norte aparentemente facilmente inflamável,  que gosta de “roubar” os clientes da sua mercearia e piscar o olhinho a uma miúda gira ao mesmo tempo que pisca o outro olho a rapazes, senhores e homens, desde que isso lhe encha a carteira. A estas verdades juntaram-se-lhes outras tantas, havendo espaço para doenças fingidas, frustrações perante as dimensões daquilo que a natureza lhe deu e sentimentos de rancor e desilusão para com um dos filhos. Neste caso, tanta verdade dita com um sorriso matreiro na cara resultou em nada, consequência de uma verdade que afinal era mentira para o polígrafo, que não se livrou de ser também acusado de mentiroso pelo próprio indivíduo que diz ser verdade as mentiras que conta, afinal não foi para sair dali de mãos a abanar que ele se submeteu a tamanha exposição.
     O Momento da Verdade parece-me mais um programa para ocupar o tempo dos comentadores da Tertúlia Cor de Rosa e, a ser verdade tudo o que ali se expõe (vagueiam por aqui algumas dúvidas relativas ao processo de selecção dos candidatos, à forma como a produção fica a conhecer tão profundamente a vida dos mesmo, à autenticidade das vidas que ali se sentam e à fidelidade e fiabilidade do polígrafo), acho lamentável tamanha exposição a troco de dinheiro. A quantia é muito boa, é certo, mas a dignidade humana tem um valor incalculável e, se quem se senta naquela cadeira está ali sem reservas, sem vergonhas, para ganhar dinheiro a qualquer custo, já o mesmo não se poderá dizer da família do corajoso, que muitas vezes é a mais atingida por tanta verdade bem remunerada.