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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

«Nenhum Olhar», José Luís Peixoto

  

«Numa aldeia do Alentejo, com um pano de fundo de uma severa pobreza, o autor vai tecendo histórias de homens e mulheres, endurecidos pela fome e pelo trabalho, de amor, ciúme e violência: o pastor taciturno que vê o seu mundo desmoronar-se quando o diabo lhe conta que a mulher o engana; o velho e sábio Gabriel, confidente e conselheiro; os gémeos siameses Elias e Moisés, cuja terna comunhão se degrada no momento em que um deles se apaixona; ou o próprio Diabo. As suas personagens são universais, assim como a sua esperança face à dificuldade.«... a partir da segunda ou terceira sequência ficamos seguros de que a inclinação é fatal: vamos embater num limite, num muro, num enigma, na origem do mundo e no desastre final...»
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   Como já devem ter reparado, e uma vez que esgotei os livros de Saramago, tenho-me dedicado a descobrir bons escritores portugueses, premiados precisamente com o Prémio José Saramago. Tenho andado entretida com José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe (A descoberta!) e João Tordo e já faço planos para em breve trazer Gonçalo M. Tavares para casa.

   A escolha deste livro foi um pouco aleatória: veio-me parar às mãos enquanto olhava os livros de J. L. Peixoto e como se trata do livro vencedor do prémio Saramago nem procurei mais nenhum...tenho de admitir que ainda estou a descobrir e a entrar no universo Peixoto, por isso as minhas opiniões sobre os seus livros são ainda muito cautelosas e ainda não posso reconhecer-lhe uma escrita-padrão que me faça afirmar "gosto/não gosto disto". Não considero que tenha uma escrita e, consequentemente, uma leitura tão leve e intuitiva como outros escritores portugueses, mas trata-se, sem dúvida, de uma grande escrita produzida por quem só pode ser um grande autor. Quando leio livros assim dou por mim constantemente a questionar-me "mas que cabeça se iria lembrar de escrever isto?". Ainda bem que existem cabeças assim, que nos fazem viajar através de palavras...

   Opinião sobre o livro? Não entra para a minha lista de livros preferidos, mas tem momentos de escrita sublime e, só por isso, vale a pena ser lido.