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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Uma vez não conta, uma vez é nunca, mas uma vez é tudo o que parece haver

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Não há, contudo, contudo, nenhum universo em que se viva sem dor e sem beleza. Nenhum universo vazio de flores ou música, nenhum universo onde a felicidade seja fácil, o amor simples, a vida desprovida de peso. Em todos os universos os milhares de milhões de pessoas andam pelo mundo, com os seus sonhos, merda e memórias, incapazes de viver sem imaginar outras possibilidades para a vida, condenados a atravessar os anos sem o dom de voltar para trás e escolher de forma diferente. Uma vez não conta, uma vez é nunca, mas uma vez é tudo o que parece haver. Em todos os universos as vidas vivem-se na certeza de que o seu destino é a morte. Porém, antes que a segunda data fique escrita na campa, antes da cinza às cinzas, do pó ao pó, antes dos familiares de olhos húmidos e cabeças baixas, cada vida cria a sua história única, cada pessoa acumula as suas decisões, gestos, amores, desesperos, epifanias, violências, risos, contradições e entusiasmos numa história única, épica, irrepetível, que deixa para todo o sempre uma cicatriz no cosmos. 

Nuno Amado, "Manual de felicidade para neuróticos"

 

Este é, de longe, a melhor tirada do livro. 

«Manual de Felicidade para Neuróticos»

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O escritor Gaspar Stau e o psiquiatra Amadeu Amaro são encarregados pela União Europeia de realizar um Manual de Felicidade para Neuróticos. Pelas suas conversas, viagens e encontros passam as mais variadas pessoas e histórias - de um velhote pessimista que pondera o suicídio a um grupo de psicoterapeutas que se faz passar por Fernando Pessoa & heterónimos - que inspiram ao estranho duo estratégias criativas de buscar a felicidade. Mas não poderá ela encontrar-se também em estudos científicos, na nostalgia proustiana de um publicitário ou mesmo num prato de carne de alguidar com migas de espargos?
Entre o neurótico Gaspar e o espalhafatoso Amadeu vai nascendo uma amizade singular, alimentada pelo fascínio que ambos sentem pelas coisas boas da vida. Uma missão que já não era fácil à partida torna-se uma aventura imprevisível quando Gaspar e Amadeu descobrem ser alvo de um complot de burocratas e decidem contra-atacar, recorrendo ao mais inesperado dos aliados.
Manual de Felicidade para Neuróticos é um romance que, em diferentes vozes e estilos, numa narrativa em que cabem Paris e Lisboa, prostitutas e filósofos, redenção e desespero, Oscar Wilde e cozido à portuguesa, procura o encanto, a melancolia e o humor que existem na busca da felicidade.

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   A primeira vez que vi este livro nem peguei nele. O título e o facto de ser escrito por um psicólogo levaram-me automáticamente a pensar que se tratava mesmo de um manual de felicidade em jeito de auto-ajuda. Depois fui lendo algumas coisas sobre o livro e resolvi pegar nele para descobrir que afinal era um livro que contava uma história. E fiquei curiosa. A semana passada comprei-o, li-o em menos de 7 dias, mas devo dizer que me desiludiu um pouco. Estava à espera de algo mais profundo, mais sério, mais sentido. Basicamente, o que temos é uma série de histórias sobre pessoas que encontraram a felicidade nas mais pequenas coisas, o que as torna grandes e imensuráveis. Mas, para mim, a maioria das histórias são demasiado banais para serem uma espécie de lição para encontrarmos a felicidade. É certo que só a encontraremos precisamente nessas coisas banais e do dia-a-dia, mas ainda assim, deixou um pouco a desejar. Tirando meia dúzia de "reflexões" pouco mais me disse. 

Daqueles momentos...

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(...) tive um daqueles momentos que pedem sem vergonha o adjectivo «perfeito». Senti, então, que a vida resolvia sempre todos os problemas que colocava. Que mais tarde ou mais cedo, por mais cicatrizes que acu,ulasse, estaria ensopado em Primavera a pensar que tinha valido a pena. Que tudo vale a pena. Que cada átomo está onde deve estar. Que o estar ali naquela altura era sinal de que tudo o que fora feito e dito, de que todos os falhanços, todos os acidentes, todo o desespero e solidão, todo o escuro percorrido, todo o fel que tivera de engolir, toda a imperfeição, faziam sentido. Que todos os desastres que me ocorreram foram, afinal, anjos disfarçados que me levaram até ali.

"Manual de Felicidade para Neuróticos", Nuno Amado