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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Infância

« (...) senti que despedir-me da minha casa era despedir-me dos meus pais, das minhas irmãs, da avó e era despedir-me de todos os outros: os da minha rua, senti que a rua não era um conjunto de casas mas uma multidão de abraços, a minha rua, que sempre se chamou Fernão Mendes Pinto, nesse dia ficou espremida numa só palavra que quase me doía na boca se eu falasse com palavras de dizer: infância.
A chuva parou. O mais difícil era saber parar as lágrimas.»

 

Ondjaki, "Os da minha rua"

O futuro

Ilha da Boavista, Cabo Verde

“... que o futuro não era uma coisa invisível que gostava de ficar muito à frente de nós mas antes - ela dizia como frase de adormecimento mútuo -, antes um lugar aberto, uma varanda, talvez uma canoa onde é preciso enchermos cada pedaço de espaço com o riso do presente e todas, todas as aprendizagens do passado, que alguns também chamam de «antigamente»...”

 

Ondjaki, "Os da minha rua"

«Os da minha rua», Ondjaki

 

Há espaços que são sempre nossos. E quem os habita, habita também em nós. Falamos da nossa rua, desse lugar que nos acompanha pela vida. A rua como espaço de descoberta, alegria, tristeza e amizade. Os da Minha Rua tem nas suas páginas tudo isso.

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   Nunca tinha ouvido falar deste autor até ele ganhar o Prémio José Saramago 2013. Como é óbvio, fiquei curiosa em conhecer a sua obra. Esta semana encontrei um dos seus livros (mais simples!) em formato livro de bolso e, por isso, bem baratinho, e achei que era o momento ideal para conhecer um pouco da sua obra.

   Este livro relata sobretudo momentos da infância do escritor, momentos esses que são relatados numa voz infantil (e por isso de muito fácil leitura) e muito, muito nostálgica. Sendo um autor angolano, é interessante detectar claras alterações da escrita relacionadas com a sua nacionalidade.