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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Por cá tudo na mesma...

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É só isto que eu não compreendo no nosso país. Há greves e manifestações de todos os tipos e grupos, cidadãos revoltados, um povo na miséria, classes profissionais que só sabem apontar o dedo acusador ao governo, gente e mais gente que se queixa e queixa e queixa e queixa... Durante anos levamos com os portugueses revoltados e que afirmam não aguentar mais. A culpa é sempre do governo, do coelho e de todos os ladrões que o acompanham. E depois chega este dia e o que é que esse mesmo povo que se queixava e revoltava e manifestava faz? Isso mesmo, garante que tudo continuará na mesma ou pior. E eu só me pergunto: que legitimidade tem o português para amanhã estar a reclamar seja do que for quando é ele que permite a continuidade de tudo aquilo que ainda ontem estava mal, mas que hoje parece já estar "ok, isto serve"? Eu assumo aqui que não fui votar. É verdade, atirem-me todas as pedras que sou um péssimo exemplo de cidadã. Não votei. A razão é simples: o nosso voto deve ser sempre uma questão de princípios. Devemos votar naquilo que acreditamos e naquilo que para nós faz sentido. Até hoje nunca nenhum partido político fez sentido para mim. Eu acredito nas pessoas e sei que um dia que vá votar será na pessoa, independentemente das cores que veste. Este ainda não foi o ano. Nenhum deles me convenceu. Nenhum deles me disse nada. Mas também nenhum deles me ouvirá acusá-los. Eu sei que não fiz nada para tentar mudar o cenário em que vivemos. Eu sei que se todos pensarem como eu isto era a república das bananas. Mas eu também sei que não votar também é um direito que me assiste. E sei, acima de tudo, que o povo português é um excelente exemplo desse ditado também tão português do "cão que ladra não morde". Eu não votei. Mas também não faço greve, não participo em manifestações, não desgasto os meus dias a acusar os ladrões do governo por todo o mal que me acontece para chegar ao dia 4 de Outubro de 2015 e confirmar que aquilo não presta mas está bom para mim. Realmente, somos um povo complicado... E eu se fosse governo estava neste momento a rir- me a bandeiras despregadas na cara de todos os portugueses. O que quer que aconteça daqui para a frente, fomos nós, portugueses, que pedimos.

Ao ser invadida por uma multidão de apoiantes políticos

 

   Dei por mim a questionar o que determina verdadeiramente esta ou aquela orientação ou preferência política, ou a total ausência dela. Será uma questão de "hereditariedade paternal"? Será algo de mais intrínseco? Estará algo relacionado com as nossas características de personalidade? E aqueles apoiantes jovens, os verdadeiramente jovens, naquela idade das dúvidas e incertezas, será que sentem já esta ou aquela tendência política? E, mais importante, será que aqueles apoiantes realmente conhecem os princípios de cada partido, ou simplesmente, deixam-se ir por cores, caras, familiares e amigos?

   São aspectos que me deixam curiosa, principalmente porque eu não me identifico com nenhuma das ofertas políticas que se nos apresentam, até porque sou muito mais de pessoas do que de doutrinas. Verdade seja dita, também nunca me esforcei minimamente por conhecer as ideologias de cada uma deles, por um lado porque os acho a todos enfadonhos e, por outro, porque os acho todos iguais, mudam a cor, o nome (pouco) e basicamente resumem-se a: poder - eu é que mando e quero isto e desta maneira; oposição - eu não concordo, mas quando estiver na tua posição vou fazer exactamente o mesmo.

   Porquê que aquela gente abanava aquela bandeira e não outra? Saberão eles em que realmente acreditam e o que significa o erguer aquela bandeira? 

Em tempo de campanha para as autárquicas

   Há uma série de factos a que acho uma certa piada (perceberam o tom irónico, certo?). Ora esclarecendo e referindo-me à minha zona especificamente:

1. Os "pi-pi-pi-pi-pi-vote xpto-pi-pi-pi". Chamam-lhe caravanas ao que ouvi dizer, mas o que eu ouço mesmo é buzinadela atrás de buzinela, musiquinha nunca antes escutada, carrinhos atrás de carrinhos (não se venham depois queixar do preço da gasolina, ok?), bandeirinha ao vento e lá andam eles pela rua fora, pela noite fora.

2. A quantidade de cartazes com carinhas larocas que nos enchem as nossas ruas, que são de tal número que sujeitam-se a ser responsabilizados por um qualquer acidente de viação(Nota: acabou de passar o tal pi-pi-pi-vote xpto-pi-pi-musiquinha-vote-vote). Uma pessoa até fica confusa com tanta informação, tanto nome, tanta cor e tanta falta de espaços livres.

3. Chegamos à minha preferida: as obras e obrinhas! Nestas alturas, a construção civil deve registar o seu pico de trabalho e produtividade. Em cada cantinho lá está uma máquina e uma série de senhores de pá na mão. Por aqui tem atingido os limites do absurdo: é o complexo polidesportivo prometido há um ano que em menos de uma semana está de pé e prontinho a ser inaugurado, são as rotundinhas (ex)vergonhosas que hoje se enchem de canteirinhos, florzinhas e pedrinhas, são as árvorezitas todas plantadas pela estrada fora, são os passeios que nunca existiram e que agora se põem todos catitas, são os descampados que são meticulosamente limpos e até alcatroados (para quê ninguém sabe, mas que mostra trabalho, lá isso mostra), são as estradas que levam tapete novo (mesmo que para isso se tenha de fechar uma das principais avenidas), são as alterações desnecessárias em determinados pontos de estradas (aumenta-se o passeio, põe-se isto só num sentido e que giro que fica)...and so on e so far...

   Não é que eu tenha alguma coisa contra as campanhas políticas. Vá, não gosto assim muito (nada?) de política, mas tanta movimentação começa a roçar o rídiculo, tornando tudo isto numa espécie de circo. Circo? Também temos!! É verdade! Com políticos destes, não nos falta nada. Não, não vou falar dos palhaços...ou será que já falei?

Acerca do Sr. Engenheiro - Ministro

Antes de tudo o mais, esclarece-se que: Não gosto de política. Melhor, não percebo absolutamente NADA de política. Não tenho orientação política. E não voto. Ponto. Embora já tenha recebido 4 beijinhos do "bubu" Mário Soares em pleno palco do Coliseu do Porto, em ainda mais pleno período de campanha. Não perguntem como fui lá parar.  

  

  Gosto de "deitar o olho" a alguns frente-a-frente políticos, não pelo conteúdo em si, mas pelo comportamento (verbal e não verbal) dos intervenientes. Ora um dos que mais curiosidade me desperta é precisamente o nosso "primeiro" Eng. José Sócrates. Decisões à parte, não o acho propriamente bonito, mas consigo perceber o tal charme de que certas pessoas falam, um charme mais pela postura do que pelo físico. Tem um sorriso engraçado, veste-se elegantemente bem e sabe posar para uma câmara. Não sei se é bom ou mau político (para mim são todos iguais, só mudam de cor), mas reconheço-lo a arrogância e a teimosia necessárias a um vencedor (de certo modo, lembra-me até o nosso mister José Mourinho). Mas o que me faz verdadeiramente confusão no Sr., a mim que as questões políticas não me interessam, é o seu discurso. Não o conteúdo do discurso, mas a forma como o profere. O discurso político formal e o discurso informal, político ou não. É que, para mim, cada frase parece completamente encenada. Não no sentido de falsa ou mentira, acalmem-se as esquerdas e as direitas. Encenada como se cada palavra tivesse sido programada, controlada, exaustivamente preparada e escolhida a dedo. Como se estivesse constantemente a ler de um teleponto invisível, como se estivesse a ensaiar uma qualquer cena de uma peça de teatro. E depois todas aquelas citações de escritores famosos, políticos famosos, poetas famosos e toda uma série deilustres pensadores tornam a coisa ainda mais...encenada! Fico à espera de captar alguma naturalidade no Sr. Ministro e tudo o que ganho são frases bonitas do tipo "Eu penso com a imaginação"...Bora lá pôr a imaginação a trabalhar, Zé? Naturalidade aumentaria-lhe o tal charme, for sure...