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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Da experiência

 

   «As pessoas nascem todos os dias, só delas é que depende continuarem a viver o dia de ontem ou começarem de raiz e de berço o dia novo, hoje, Mas há a experiência, tudo quanto vivemos aprendendo, lembrou Pedro Orce, Sim, tens razão, disse José Anaiço, mas a vida fazemo-la geralmente como se não tivéssemos nenhuma experiência anterior, ou servimo-nos apenas daquela sua parte que nos permite insistir em erros, alegando explicações e lições da experiência, e agora ocorre-me uma ideia que talvez vos pareça absurda, um contra-senso, que talvez o efeito da experiência seja muito maior no conjunto da sociedade do que em cada um dos seus membros, a sociedade aproveita a experiência de todos, mas nenhuma pessoa quer, sabe ou pode aproveitar por inteiro a sua própria experiência.»

 

JSaramago, A Jangada de Pedra

Amar e conhecer

 

«(...) Gosto de ti, creio que te amo,disse José Anaiço honestamente, Também eu gosto de ti, e também creio que te amo, por isso te beijei ontem, não, não é bem assim, não te teria beijado se não sentisse que te amava, mas posso amar-te muito mais, Nada sabes de mim, Se uma pessoa, para gostar doutra estivesse à espera de conhecê-la, não lhe chegaria a vida inteira, Duvidas que duas pessoas possam conhecer-se, E tu, acredita, É a ti que pergunto, Primeiro diz-me que é conhecer, Não tenho aqui um dicionário, Neste caso, ir ao dicionário é ficar a saber o que já se sabia antes. Os dicionários só dizem o que poder servir a todos. Repito a pergunta, que é conhecer, Não sei, Econtudo podes amar, Posso amar-te, Sem me conheceres, Assim parece (...)»

 

JSaramago, A Jangada de Pedra