Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Ser surdo-mudo em Portugal

   O sempre concorrido restaurante daquela marca que serve fast food como ninguém, tem umas batatas fritas de sabor inagualável e oferece uns brindes bem engraçados no "menu infantil" albergava menos gente do que o habitual. Era final de tarde, o tempo não puxava a jantares na esplanada e a carteira parece cada vez menos recheada. Não foi preciso muito tempo para ser atendida, mas esse tempo foi suficiente para presenciar mais um drama da pessoa "diferente". Os dois eram surdos-mudos, a empregada que os atendia era jovem de mais para estar sensibilizada para a diferença. Entre um gesto e dois sons lá tentavam explicar aquilo que queria e a jovem, bem treinada pelo seu formador, lá ia repetindo o mesmo palavreado de sempre, ignorando que sem receptor não há comunicação, pelo menos verbal. Talvez fosse nervosismo, talvez inexperiência, mas perante aqueles dois clientes, a sua voz eleva-se mais do que o habitual..."um hamburguer? Batata? Pequena, média ou grande? Coca cola? Pequena, média ou grande?...Não percebo...como?". No momento do pagamento foi triste verificar que o ecrã da caixa registadora não estava activo, o que dificultou o entendimento do valor a pagar. Era um gesto atrás do outro e a jovem não se lembrou que os 10 dedos que tem na mão servem também para indicar números e valores. O problema foi resolvido com um encolher de ombros do cliente que lá lhe entregou uma nota de 5euros e recebeu o troco, sem saber qual era o verdadeiro valor a pagar, já que recibo nem vê-lo.

   Não é fácil ser diferente num país que defende a moral do "todos diferentes todos iguais"...é verdade que com mais ou menos dificuldade conseguiu-se estabelecer algum tipo de comunicação, mas não poderemos facilitar mais as coisas?