Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Porque os psicólogos também choram

E os psicólogos também são pessoas, com vida pessoal, com acontecimentos traumáticos, com crises de vida, umas esperadas e outras totalmente inesperadas. Também sofrem, também desesperam e também não encontram em si todas as respostas e todas as estratégias para lidar com os males do mundo e com os seus próprios males. Sofrem pela vida dos outros. Sofrem pela sua própria vida. E por vezes precisam que os ajudem. Os psicólogos também precisam de tempo para se restaurar, para colar os pedacinhos partidos, fazer terapia à alma e reaprender a amar, principalmente a gostarem mais de si próprios. E acreditem, essas experiências, tão humanas, só os tornarão mais entendedores do sofrimento alheio, não mais fracos ou mais incapazes.

excerto de um artigo publicado no Maria Capaz. Texto completo aqui.

   Tão, mas tão verdade. Se há por aqui alguém que também seja psicólogo/a concerteza que se identifica com estas palavras e se revê nelas. Nós, psicólogos, não somos super heróis da saúde mental; não somos exemplos da virtudes, comportamentos e de "always look to the bright side of life". Nós também sofremos, também temos as nossas maleitas, os nossos comportamentos e pensamentos questionáveis; nós tambem fraquejamos, também temos vontade de desistir e também temos momentos em que achamos que o mundo está para acabar. Somos humanos, importa não esquecer isso. Ok, somos humanos que foram "trabalhados" para ajudar os outros na exploração daquilo que de mais misterioso, complexo mas fascinante o ser humano tem, que é o nosso interior, mas somos humanos. Com tudo o que isso implica.

   Quantas vezes ser psicólogo não é, claramente, "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço"??? Ser psicólogo é uma profissão como qualquer outra e, por isso, carece de uma certa predisposição para tal. Acredito que todos nós nascemos para algo, e uns quantos de nós nasceram para ser psicólogos, que é mais ou menos dizer que nascemos mais para o outro do que para nós. Provavelmente há uma espécie de "personalidade de psicólogo" - é verdade que somos experts em empatia, em ouvir o outro, em saber o que dizer no momento oportuno (só nós sabemos o que isto custa às vezes!), em pensar positivo e transmitir optimismo ao mundo, em acreditar que o ser humano tem capacidade para tudo (e realmente tem!), em resolver problemas (os dos outros, os nossos é melhor nem falar), em identificar e gerir emoções (as dos outros, não mexam com as nossas), em controlar emoções e em usar uma capa de serenidade e "está tudo bem, vai tudo correr bem". É verdade que somos tudo isto e muito mais. E até é verdade que, ao contrário de outras profissões, o psicólogo tem mais dificuldade em despir o fato de trabalho e ser só pessoa isolada da sua profissão, de tão entranhadas e intrínsecas que são as características pessoais de um psicólogo. Mas não pensem que somos inquebráveis. Sofremos tanto como vós. Erramos. Desesperamos. Choramos. Desistimos. Precisamos de ajuda (que nem sempre nos é fácil pedir). Quebramos. Somos gente como vós. E, como vós, nestes momentos, acreditamos sempre que somos capazes de dar a volta e sorrir. Como vós.

   Um abracinho reconfortante a todos os meus colegas psicólogos! Haja empatia!